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Em nova fase, trio As Baías lança álbum mais pop

Após mudar de nome, a banda estreia seu trabalho mais ambicioso – um álbum audiovisual com participações estreladas

Por Esmeralda Santos (colaboradora) Atualizado em 22 out 2020, 10h16 - Publicado em 22 out 2020, 10h30

Talvez o amor não tenha sido um dos sentimentos mais pujantes dos últimos meses. Ficamos com medo, ansiosos e até bateu a desesperança. Contudo, foi justamente no amor que o trio As Baías – nova fase do grupo As Bahias e a Cozinha Mineira – encontrou forças para superar as adversidades, fazer reflexões e adentrar uma nova etapa.

Primeiro, mudou de nome; depois, estreou uma incursão pelo pop. “Nunca vai ser demais falar sobre amor romântico, é um sentimento muito grande e de nobreza simbólica”, comenta Assucena Assucena, que acredita ser fundamental chamar as pessoas para dançar e cantar nestes dias incertos.

Ela, Raquel Virgínia e Rafael Acerbi lançam a partir deste mês singles que vão compor o novo álbum, apresentado em formato audiovisual e com direção de Gringo Cardia. Cada música será acompanhada de um clipe. Para o grupo, este é o trabalho mais ambicioso da carreira deles.

Beleza, Liege Wisniewski; styling Rodrigo Polack Eduardo Pimenta/Divulgação

As participações prometem. Estão confirmadas Cleo, Linn da Quebrada, Kell Smith e Luísa Sonza. “É uma obra super-romântica, como se cada música fosse uma declaração de amor”, conta Raquel. Por causa da pandemia, algumas gravações foram adaptadas para acontecer à distância.

Já a captação dos clipes ocorreu no Rio de Janeiro, com diversos procedimentos para aumentar a segurança dos participantes. “Foi a parte mais desafiadora”, entrega Rafael, consciente de que essa é uma produção grande, levando em consideração o atual momento cultural no país.

“Quando você é artista, se sentir tratado como tal é um sonho realizado. Esse álbum pode mostrar para muitas pessoas que esse também é um lugar possível de chegar”, acrescenta o cantor, compositor e produtor.

Para muitos críticos, o trabalho de As Baías tem importância e responsabilidade ainda maiores, já que a banda sempre transformou questões sociais dolorosas em poesia e possui na dianteira duas mulheres trans.

Contudo, para Raquel e Assucena, tornarem-se referência não era uma ambição. “O fato de conquistarmos um lugar na música sendo quem somos e cantando o que cantamos já é algo revolucionário. Se nossa arte tocar as pessoas, exercer um papel de reflexão, de trazer paz, profundidade, isso já é uma influência”, argumenta Assucena.

Beleza, Liege Wisniewski; styling Rodrigo Polack Eduardo Pimenta/Divulgação

Esse reconhecimento, segundo Raquel, aconteceu naturalmente, consequência de muito esforço e projetos realizados de forma genuína. “Estar nesse espaço, que pouquíssimas mulheres trans pretas ocuparam, é uma vitória não só minha mas de pessoas que vieram antes de mim”, completa.

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A história da banda completa dez anos. Eles se conheceram na Universidade de São Paulo, unidos em uma homenagem à cantora inglesa Amy Winehouse após sua morte. “Estávamos supersensíveis e em pouco tempo as coisas começaram a ficar mais sérias. Composições da Raquel e da Assucena foram aparecendo, fomos nos animando e gravamos nosso primeiro álbum”, lembra Rafael.

É natural que o trio tenha passado por metamorfoses nessa década. Afinal, os tempos mudaram e os integrantes também. “Artistas têm muitas eras. Não à toa estamos vivendo isso no novo trabalho; surgiu essa vontade de mudar”, explica Raquel. “Somos criaturas que transicionam, uma banda que gosta de degustar.”

Beleza, Liege Wisniewski; styling Rodrigo Polack Eduardo Pimenta/Divulgação

Somadas a isso, algumas reflexões sobre a relevância da produção do trio também apareceram durante a pandemia, e foi então que a temática do romance se destacou. “Os assuntos que abordamos no disco são sobretudo humanos. A arte tem a função de apontar caminhos possíveis de esperança, e o amor pode ser uma alternativa interessante”, ressalta Raquel.

Antes de se jogar nessa exploração afetiva que contém o quarto álbum, As Baías lançaram, no mês passado, outro projeto, cujo nome é quase um lema para 2020. Respire & Coragem propõe a pausa necessária para trazer leveza ao cenário caótico.

“Os assuntos que abordamos no disco são sobretudo humanos. A arte tem a função de apontar caminhos possíveis de esperança, e o amor pode ser uma alternativa interessante”

Raquel Virgínia

 

Os dois singles já contavam com participações ecléticas. Em Coragem, a banda se juntou a Mc Rebecca para falar sobre a resiliência necessária para correr atrás de sonhos. Animam as batidas do funk, que tornam a faixa irresistível para ensaiar alguns passos, mesmo que seja na sala de casa.

Em outra vibe, com Rincon Sapiência gravaram Respire, composta pelo rapper com Criolo. “Ambas levantam discussões sobre questões raciais e de gênero. Com a música, adentramos esses territórios de modo menos enfático, pelas arestas”, explica Assucena.

As Baías souberam não só preservar sua essência mas também intensificá-la durante a difícil crise que vivemos. Prova de que a arte é resistência.

Beleza, Liege Wisniewski; styling Rodrigo Polack Eduardo Pimenta/Divulgação

 

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