Ícone de fechar alerta de notificações
Avatar do usuário logado
Usuário

Usuário

email@usuario.com.br
Oferta Relâmpago: Claudia por apenas 7,99
Imagem Blog

Dani Moraes

Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Dani Moraes é escritora, jornalista e especialista em escrita terapêutica

As memórias de uma mulher

Atravessei, com deleite, as páginas de Blue Nights e, finalmente, conheci melhor Joan Didion

Por Dani Moraes
1 abr 2023, 08h09 •
Joan Didion - livro blue nights
Joan Didion com seu livro, 'Blue Nights', em 2011.  (Gary Leonard/Getty Images)
Continua após publicidade
  • Às vezes ler, assim como escrever, é como matar a sede. Queremos, não, precisamos engolir tudo, preferencialmente gelado, de uma só vez. Uma urgência que beira o sofrimento. Às vezes ler, tal qual escrever, é como degustar um prato saboroso, esperar derreter o chocolate na boca, passar a língua nos lábios para sentir mais um pouquinho do gosto. Foi assim, com deleite, que atravessei as páginas de Blue Nights e, finalmente, conheci melhor Joan Didion

    Quantas e quantas vezes e pessoas e posts já tinham me falado dela — a autora — e sobre ele — o livro. Era quase tão certo que eu iria adorar que mal tinha vontade de que esse momento chegasse, como quem guarda num potinho uma certeza, como quem espera a festa. Comecei sem pressa, mas logo estava na metade do livro, absolutamente tomada pela crônica triste e inteligente, e irônica e leve e triste. Uma mistura improvável e tão harmoniosa que quase não percebia incômodos de tradução ou estranheza narrativa. As palavras, escritas originalmente em inglês por uma mulher bem-sucedida, americana e famosa, tinham tudo para ser distantes. Mas não são.

    As palavras chegaram delicadas, sem deixar de cortar os pulsos da dor, do medo maior, da tragédia. É triste. Puta merda, como é triste. Mas é lindo. Lindo pra caralho. E valho-me dessas vulgaridades porque elas expressam com mais precisão o que senti. Não criaremos jamais um sinônimo possível para “lindo pra caralho”. Nada chega a isso. 

    As memórias de uma mulher. As lembranças de uma mãe. Tudo o que morre, tudo que sobrevive. Tudo que é dor e amor ao mesmo tempo e que faz a vida ter e também perder o sentido. O vazio, a completude. Esses opostos que teimam em dialogar com cada pequena parte das nossas contradições. O desejo de escrever assim: como quem flutua com asas de chumbo. Onde as letras parecem de algodão, mas as frases têm a densidade do adeus. 

    Apreciar o livro de Joan Didion como quem toma um vinho na melhor temperatura, harmonizado, mas sem frescura. Saborear as notas da importância dos azuis, do esvaecer, do que se dissipa, sem jamais deixar de existir nem de faltar. Um filho. Jamais se acaba de perder, ainda que permaneça inteiro no solo impossível da eternidade. 

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    OFERTA RELÂMPAGO

    Digital Completo

    Moda, beleza, autoconhecimento, mais de 11 mil receitas testadas e aprovadas, previsões diárias, semanais e mensais de astrologia!
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    RESOLUÇÕES ANO NOVO

    Revista em Casa + Digital Completo

    Receba Claudia impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*
    De: R$ 26,90/mês
    A partir de R$ 9,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês.