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Stéphanie Habrich

Stéphanie Habrich é CEO da editora Magia de Ler, apaixonada pelo mundo da educação e do jornalismo infantojuvenil. Fundadora do Joca, o maior jornal para adolescentes e crianças do Brasil e do TINO Econômico, o único periódico sobre economia e finanças voltado ao público jovem, ela aborda na coluna temas conectados ao empreendedorismo, reflexões sobre inteligência emocional, e assuntos que interligam o contato com as notícias desde a infância e a educação, sempre pensando em como podemos ajudar nossos filhos a serem cidadãos com pensamento crítico.
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Quando é a hora de dizer “vai, filho”?

Não somos nós – os pais ou responsáveis – que concedemos a autonomia a nossos filhos. São eles que conquistam

Por Stéphanie Habrich Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
2 mar 2023, 08h58

Tenho três filhos adolescentes, cada um com sua personalidade. Nesta fase, é o momento em que eles começam a querer conquistar a independência e pavimentar os primeiros blocos de seus caminhos. Há tempos eles já têm preferido sair sozinhos, seja para ir a um curso ou para encontrar os amigos. Eu, como mãe, fico muito feliz por isso.

Não sou superprotetora e jamais tentaria segurá-los debaixo de minha asa. Mas, por outro lado, me pergunto como será no dia em que eles decidirem sair de casa definitivamente para trilhar o próprio rumo. Será que eles estão preparados? Será que este dia está próximo? Há algum checklist que possa me orientar a fazer o certo quando a hora chegar?

Com tantas perguntas em mente, fui consultar uma especialista. Conversei com Rosely Sayão, que é psicóloga, consultora educacional e autora do livro Educação Sem Blá-blá-blá. Minha pergunta para ela foi: como saber se está na hora de dar liberdade para meu filho sair sozinho? A resposta foi imediata: “Isso que você está chamando de liberdade, eu chamo mais de autonomia.”

Segundo Rosely, a autonomia é um processo que começa na primeira infância, mas só vai terminar na maturidade, já na vida adulta. É um processo que vai acontecendo passo a passo. Toda vez que o filho demonstra que já consegue administrar determinada questão da sua vida, ele dá mais um passo. Sendo assim, não somos nós – os pais ou responsáveis – que concedemos a autonomia a nossos filhos. São eles que conquistam.

“Um garoto de 15 anos querer ir ao cinema sozinho com os amigos é absolutamente compreensível”, ela me disse. Cabe aos pais saber se o filho está preparado para fazer isso. Ou seja, se ele tem condição de administrar bem essa situação. Diferentemente do que podemos imaginar, não é conversando, mas observando as atitudes deles que conseguimos identificar o grau de conhecimento e até o entendimento de mundo que eles têm para encarar a realidade sem os pais ou outro adulto. Não existe uma idade ou um momento certo para dar deixar o filho voar sozinho. Cada indivíduo tem seu tempo, sua maturidade e sua opção de vida, que precisa ser levada em conta. O que os pais podem fazer para ajudá-los é testar a autonomia gradualmente, abrindo o espaço e deixando que eles o ocupem a seu modo. Se o filho pede para andar de ônibus e metrô sozinho, por exemplo, vá uma primeira vez com ele, garanta que ele está seguro sobre como precisa se comportar para evitar riscos desnecessários e, aos poucos, deixe-o ir.

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Autonomia é diferente de realização de tarefa

Rosely também alerta os pais sobre o verdadeiro significado de autonomia, que é diferente de ser capaz de realizar uma tarefa. Autonomia não é fazer algo sozinho. É autogoverno, é governar a própria vida. Para governar a própria vida não basta fazer uma tarefa ou outra. É preciso juntar tudo, estabelecer prioridades, ver todos os processos envolvidos. Por exemplo, uma criança na primeira infância que toma banho sozinha não tem autonomia para isso. Ela apenas sabe realizar essa tarefa.

“Autonomia para tomar banho seria preparar o banheiro, escolher as roupas que vai colocar, se lavar, limpar o banheiro, secar o que precisa, pendurar a toalha, colocar a roupa suja no lugar. Não é só entrar embaixo do chuveiro”, diz. A conquista da autonomia é um processo que por si só já estimula o filho. Pode haver momentos em que eles relutem em ser autônomos, mas é tarefa dos pais mostrar o caminho.

“Na segunda infância nem sempre eles querem administrar a vida escolar, mas precisam aprender, porque a escola é deles não é dos pais”, afirma Rosely. E quando os pais estão apreensivos e relutam a deixar os filhos buscarem sua autonomia? O conselho da psicóloga é que os responsáveis entendam que os filhos crescem. “O destino deles é crescer e crescer significa assumir a própria vida.” Concordo com Rosely e dou todo apoio a meus filhos no caminho que escolham seguir. Para onde quer que eles sigam, minha casa vai ser sempre deles.

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