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Stéphanie Habrich é empreendedora, apaixonada pelo mundo da educação e do jornalismo infantojuvenil. Fundadora do Joca, único jornal para jovens e crianças do Brasil, ela vai abordar aqui na coluna temas que interligam o contato com as notícias desde a infância e a educação, sempre pensando em como podemos ajudar nossos filhos a serem cidadãos com pensamento crítico.
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Mulher, mãe, empreendedora e… boa filha

Cuidar dos pais é uma tarefa que exige atenção e não pode ser negligenciada. Como dar conta de tudo?

Por Stéphanie Habrich Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
6 jun 2023, 08h03

Recentemente li uma entrevista da Liz O’Donnell, autora do livro Working Daughter (“Filha Trabalhadora”, em português), na Folha de S.Paulo, que me fez refletir sobre a importância e os dilemas de sermos bons filhos. Ela fala sobre como tem sido cuidar de seus pais já idosos. Conta o quanto eles se tornaram dependentes com o passar dos anos e sobre a autocobrança para cumprir bem a função de filha.

Falamos pouco sobre isso. Talvez seja um tabu. Mas é uma realidade da qual não podemos nos esconder. Com a evolução da medicina (ainda bem!) as pessoas viverão mais e eventualmente precisarão de mais cuidado. Mas não podemos encarar isso como um fardo, uma tarefa sobre a qual não tivemos opção. O cuidar precisa ser uma escolha, uma retribuição pelos cuidados que recebemos ao nascer. Ainda assim, não podemos fechar os olhos para mais essa tarefa que recai sobre as mulheres.

Na entrevista, Liz revela que, nos Estados Unidos, entre 60% e 70% das pessoas que cuidam de parentes mais velhos são mulheres. “Há um número significativo de homens que assumem essa função, mas decidi focar nas mulheres porque temos mil outras pressões sociais que interferem na nossa vida profissional só porque somos mulheres. E nossas sociedades estão envelhecendo muito rapidamente. Com os avanços recentes na ciência e na medicina, doenças que matavam muito rapidamente acabaram se tornando doenças crônicas, administráveis, portanto, todos nós vamos acabar cuidando de velhos doentes”, disse ela à jornalista Teté Ribeiro.

Sou uma pessoa de sorte. Aos 53 anos, tenho o privilégio de desfrutar do amor e da companhia dos meus pais. Minha mãe, com 81, e meu pai, com 94, exigem uma atenção maior. Eu e minhas duas irmãs conseguimos nos organizar na divisão de tarefas. Mas foi preciso que desenvolvêssemos habilidades que nunca foram ensinadas na escola ou em casa, desde primeiros socorros até a adaptação da casa. Se a sensação de estresse já é grande entre nós três, imagino como deve ser para quem cumpre essa tarefa sozinha.

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Conversei a respeito com Deusivania Falcão, psicóloga e professora associada dos cursos de graduação e pós-graduação em gerontologia da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP), autora de diversos livros sobre o tema, entre eles A Família e o Idoso – Desafios da Contemporaneidade. E com a psicanalista Andrea Ladislau, que me contou estar recebendo em seu consultório muitas mulheres que passam pela experiência de cuidar dos pais ou mesmos dos sogros idosos. “Isso é muito enraizado na nossa cultura. A mulher precisa ser a cuidadora e gerir a família, o trabalho, os cuidados com os pais, marido e filhos. Mas em que momento ela dá atenção para ela?”, questiona.

A cultura faz diferença

Deusivania conta que há uma questão cultural envolvida no cuidado com os pais. Somos um país familista, que acredita que a família tem que vir em primeiro lugar, mas somos muito influenciados por uma cultura individualista, de nações como os Estados Unidos. “Não há opção pior ou melhor, são questões culturais. O problema é quando agimos de forma contrária às nossas crenças”, diz a psicóloga. Quando a pessoa age de acordo com a sua crença, o sofrimento é menor.

Segundo Andrea, essa questão vem deixando as mulheres mais exaustas emocionalmente. Algumas acabam desenvolvendo doenças físicas como problemas na coluna, cefaleias constantes, transtornos alimentares porque precisam estar sempre atentas a tudo, sem ter um minuto de tranquilidade. Alimentam-se mal, dormem mal e não conseguem relaxar, passando o dia todo em estado de alerta. “Muitas chegam ao consultório sem conseguir explicar o que estão sentindo, porque é um misto de emoções.”

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Há ainda o agravante da autocobrança. Quando essas mulheres percebem que não estão dando conta ou que estão pifando, começam a se culpar, como se tivessem a obrigação de dar conta de tudo. A autoestima vai embora, as relações começam a ficar fragilizadas e aumentam as chances de conflitos, porque o humor muda, nos fazendo brigar por qualquer coisa. Então, uma coisa pequena se torna gigantesca.

Como diminuir a pressão no cuidado com os pais idosos

Para as mulheres que se encontram nesta situação, qual é a solução? Como administrar mais essa responsabilidade de forma saudável? A primeira atitude é reconhecer que algo está errado. A segunda é se permitir provocar uma mudança, porque às vezes percebemos o problema, mas vamos empurrando com a barriga sem alterar o ritmo. A orientação de Andrea é buscar o equilíbrio.

“Tudo requer equilíbrio, planejamento, organização. Tente organizar o seu tempo para ter ao menos meia hora do dia para fazer algo por si mesma, seja escutar uma música, ouvir a própria voz ou simplesmente não fazer nada. É importante fazer alguma coisa que gere prazer.”

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Outra dica: acione sua rede de apoio. Todas as noites, ao deitar-se, programe seu dia seguinte, colocando ali as atividades principais que vai fazer sem exagerar e sem esquecer de incluir um momento só seu. Nessas atividades, observe quais você pode delegar para parentes, marido ou filhos. “Essa mulher tem dificuldade de pedir ajuda. Por isso esse sofrimento, por isso essa angústia que acabam carregando.” São dicas simples, mas que muitas vezes acabando sendo negligenciadas por não darmos prioridade aos nossos problemas. É importante mudar enquanto há tempo. Quanto melhor estiverem os cuidadores, mais bem tratados serão nossos idosos.

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