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Sofia Menegon é feminista, idealizadora da podcast Louva a Deusa e consultora em relacionamento e sexualidade
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Já não sinto mais sua falta

Ainda guardo um lugar para você. Mas agora é um lugar seu, onde a gente não cabe mais

Por Sofia Menegon
30 mar 2023, 13h24

A gente não se vê mais com a mesma frequência. Já não envio mais os memes que a gente ria, seus stories não aparecem primeiro nas minhas redes sociais e, para ser sincera, às vezes vejo suas mensagens e esqueço de responder. Esses dias assisti aquela série, tão nossa, sozinha e não me senti culpada. Tirei sua mesa do escritório, espalhei meus papéis pela sala, deitei do outro lado da cama.

Não tenho precisado tanto do seu abraço, do seu ouvido, do seu estar aqui, sabe? Mas nem sempre alivia. Tem dias em que me desespero. É desesperador não precisar mais de vocêÉ desesperador ser a única dona de todas as minhas decisões. Me ver assim, tão minha, tão inteira, tão eu, é novo para mim. Assusta.

E eu tenho me descoberto. Descoberto das inverdades que usei de inverno a inverno, por tantos anos. E, debaixo disso tudo, encontrado uma vastidão de Sofias. Algumas das quais me envergonho, mas outras tantas que me orgulham. Minha analista me lembrou hoje de uma frase que soltei há algumas sessões: tenho gostado de mim. É, tenho gostado de mim. Não todos os dias. Mas tenho me afeiçoado por quem tenho encontrado aqui.

É bonito esse momento, esse exato momento que estamos vivendo, não é? Quando tudo que fomos segue existindo, mas agora em outro tempo, em outros espaços, com personagens que às vezes até parecem meros conhecidos. Estamos ali nas fotos que ainda deixo pela casa, nas lembranças da viagem à Pucón, naquele post que vez ou outra reaparece porque alguém curtiu. Mas eu e você não. 

Tenho sentido pouco sua falta. A não ser quando sinto muito dela. As suas faltas. A falta que você fez e deixou um buraquinho em mim. A falta que eu tenho de você faltar, porque foi assim que aprendi que era amar. Mas falta de você aqui, não. 

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Sigo amando você. Sigo olhando por você. Gosto quando a gente se encontra na troca de guarda e você me conta das suas aventuras amorosas. Fico feliz quando te ouço bem, quando as nossas crianças se empolgam para ver o pai e eu sei que, apesar das faltas, há também tanta presença.

Ainda guardo um lugar para você. Mas agora é um lugar seu, onde a gente não cabe mais. Um lugar menos revestido e mais luminoso. Um cômodo em que você pode ser você, sem que precise usar as fantasias que eu te dei. Onde eu consigo te enxergar de verdade e não preciso carregar as malas por você. 

É. Tenho gostado mais de mim e gostado mais de você assim.

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