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Martchela - Ministra do Namoro

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Jornalista, atriz e humorista, @martchela__ é apresentadora do Lambisgóia Cast

A cultura red pill está matando mulheres — e o Brasil ainda ignora o risco

A cultura do ódio e a misoginia propagada na internet se refletem nos crimes hediondos que assolam as mulheres brasileiras

Por Martchela - Ministra do Namoro
4 dez 2025, 12h09 •
Mulher com a mão espalmada em gesto de ‘pare’, à frente do corpo, enquanto cobre o rosto com a outra mão, transmitindo medo e vulnerabilidade. A imagem simboliza violência contra a mulher, misoginia e a urgência de enfrentar a cultura do ódio e das agressões de gênero
A conivência jurídica alimenta a violência contra mulheres (krakenimages.com/Freepik)
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  • Não é novidade para ninguém. E, honestamente, nós estamos exaustas. A última semana no Brasil foi um desfile de horrores. Triste, pesada, revoltante. Crimes hediondos — e digo hediondos mesmo — pipocaram nos noticiários, nas redes, nos debates públicos. E aqui eu estou falando apenas dos que foram noticiados.

    • Uma mulher foi estuprada em Maíra, Florianópolis.
    • Duas servidoras públicas no Rio de Janeiro foram assassinadas por um homem que não aceitava ser chefiado por mulheres.
    • Tiago Schultz, o “calvo do Campari”, foi preso por tentativa de estupro e agressão contra a namorada — e absolutamente inacreditável: já foi solto.

    E fica a pergunta: que tipo de juiz devolve um homem desses para a rua?

    O que está acontecendo no Brasil não é um acaso. O aumento desses crimes tem ligação direta com a proliferação de influenciadores red pills, produtores de conteúdo misógino que pregam ódio contra mulheres. Gente que vive da desinformação, do ressentimento e da violência.

    A urgência de enfrentar a cultura do ódio e a violência misógina online

    E aqui é importante separar o óbvio, que para muitos homens ainda não é tão óbvio assim:

    Feminismo é a busca por direitos iguais.

    Machismo é ódio contra mulheres.

    É a perpetuação de uma estrutura que nos adoece, nos restringe e nos mata todos os dias.

    O movimento red pill é formado majoritariamente por homens ressentidos. Homens fracassados, inseguros, muitas vezes desprovidos do mínimo senso de responsabilidade emocional. Homens que canalizam frustração em ódio e apontam para nós — “vagabundas”, “interesseiras”, “putas que devem ser exterminadas”, segundo eles.

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    Eles se reverenciam quando um deles comete abuso. Celebram agressões. Compartilham táticas para manipular, ferir e destruir mulheres.

    Não dá mais para aceitar que esse discurso circule livremente na internet, acumulando milhões de visualizações, com plataformas fechando os olhos. Isso precisa ser criminalizado. Precisamos coibir a união organizada do ódio contra nós. Se não houver enfrentamento firme, esses crimes vão continuar crescendo — em número e em brutalidade.

    Uma justiça que sustenta a violência contra mulheres

    Na semana passada, a Itália aprovou prisão perpétua para feminicídio. O Brasil ainda está debatendo se deve ou não levar influenciadores misóginos a sério.

    Não há saída que não passe por educação rigorosa de equidade de gênero, desde cedo. A base de tudo começa ali: entender o que é violência, identificar comportamentos abusivos, combater discursos que estimulam crimes.

    É inaceitável que um discurso de ódio tão explícito continue online como se fosse “opinião”.

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    E é inaceitável que o Judiciário siga legitimando a violência.

    Como aceitar que um juiz devolva ao trabalho um homem que não aceitava ter uma chefe mulher — e que depois assassinou duas servidoras?

    Como aceitar que um juiz solte um agressor que espancou a namorada com uma barra de ferro porque “parou de bater espontaneamente” e, portanto, não seria tentativa de feminicídio?

    Se esses homens se sentem protegidos é porque as autoridades os protegem. E enquanto houver essa conivência institucional, nada muda.

    Precisamos de preparo técnico no Judiciário, políticas públicas consistentes, ação governamental séria — e responsabilidade das big techs. Porque nenhum desses conteúdos é “bobagem”. Eles alimentam, insuflam e legitimam crimes.

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    É hora de mão pesada. É hora de reconhecer que estamos diante de um projeto de extermínio de mulheres.

    Criminalização do movimento red pill

    O que está acontecendo é assustador, e fingir normalidade não é mais uma opção.

    Eu uso este espaço — o único lugar onde consigo furar minimamente a bolha — para pedir, com urgência: criminalizem o movimento red pill.

    Não podemos continuar assistindo a essa escalada de violência como se fosse inevitável. Não é.

    Hoje sou eu escrevendo. Amanhã posso ser eu morta.

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    Denunciem. Busquem seus direitos. Organizem-se.

    A revolução não acontece no silêncio.

    A nossa voz é potente — e nós vamos lutar, mudar leis, pressionar autoridades. Não vamos aceitar passivamente que homens misóginos, criminosos e assassinos sigam sendo protegidos.

    Nenhuma a menos.

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