A cultura red pill está matando mulheres — e o Brasil ainda ignora o risco
A cultura do ódio e a misoginia propagada na internet se refletem nos crimes hediondos que assolam as mulheres brasileiras
Não é novidade para ninguém. E, honestamente, nós estamos exaustas. A última semana no Brasil foi um desfile de horrores. Triste, pesada, revoltante. Crimes hediondos — e digo hediondos mesmo — pipocaram nos noticiários, nas redes, nos debates públicos. E aqui eu estou falando apenas dos que foram noticiados.
- Uma mulher foi estuprada em Maíra, Florianópolis.
- Duas servidoras públicas no Rio de Janeiro foram assassinadas por um homem que não aceitava ser chefiado por mulheres.
- Tiago Schultz, o “calvo do Campari”, foi preso por tentativa de estupro e agressão contra a namorada — e absolutamente inacreditável: já foi solto.
E fica a pergunta: que tipo de juiz devolve um homem desses para a rua?
O que está acontecendo no Brasil não é um acaso. O aumento desses crimes tem ligação direta com a proliferação de influenciadores red pills, produtores de conteúdo misógino que pregam ódio contra mulheres. Gente que vive da desinformação, do ressentimento e da violência.
A urgência de enfrentar a cultura do ódio e a violência misógina online
E aqui é importante separar o óbvio, que para muitos homens ainda não é tão óbvio assim:
Feminismo é a busca por direitos iguais.
Machismo é ódio contra mulheres.
É a perpetuação de uma estrutura que nos adoece, nos restringe e nos mata todos os dias.
O movimento red pill é formado majoritariamente por homens ressentidos. Homens fracassados, inseguros, muitas vezes desprovidos do mínimo senso de responsabilidade emocional. Homens que canalizam frustração em ódio e apontam para nós — “vagabundas”, “interesseiras”, “putas que devem ser exterminadas”, segundo eles.
Eles se reverenciam quando um deles comete abuso. Celebram agressões. Compartilham táticas para manipular, ferir e destruir mulheres.
Não dá mais para aceitar que esse discurso circule livremente na internet, acumulando milhões de visualizações, com plataformas fechando os olhos. Isso precisa ser criminalizado. Precisamos coibir a união organizada do ódio contra nós. Se não houver enfrentamento firme, esses crimes vão continuar crescendo — em número e em brutalidade.
Uma justiça que sustenta a violência contra mulheres
Na semana passada, a Itália aprovou prisão perpétua para feminicídio. O Brasil ainda está debatendo se deve ou não levar influenciadores misóginos a sério.
Não há saída que não passe por educação rigorosa de equidade de gênero, desde cedo. A base de tudo começa ali: entender o que é violência, identificar comportamentos abusivos, combater discursos que estimulam crimes.
É inaceitável que um discurso de ódio tão explícito continue online como se fosse “opinião”.
E é inaceitável que o Judiciário siga legitimando a violência.
Como aceitar que um juiz devolva ao trabalho um homem que não aceitava ter uma chefe mulher — e que depois assassinou duas servidoras?
Como aceitar que um juiz solte um agressor que espancou a namorada com uma barra de ferro porque “parou de bater espontaneamente” e, portanto, não seria tentativa de feminicídio?
Se esses homens se sentem protegidos é porque as autoridades os protegem. E enquanto houver essa conivência institucional, nada muda.
Precisamos de preparo técnico no Judiciário, políticas públicas consistentes, ação governamental séria — e responsabilidade das big techs. Porque nenhum desses conteúdos é “bobagem”. Eles alimentam, insuflam e legitimam crimes.
É hora de mão pesada. É hora de reconhecer que estamos diante de um projeto de extermínio de mulheres.
Criminalização do movimento red pill
O que está acontecendo é assustador, e fingir normalidade não é mais uma opção.
Eu uso este espaço — o único lugar onde consigo furar minimamente a bolha — para pedir, com urgência: criminalizem o movimento red pill.
Não podemos continuar assistindo a essa escalada de violência como se fosse inevitável. Não é.
Hoje sou eu escrevendo. Amanhã posso ser eu morta.
Denunciem. Busquem seus direitos. Organizem-se.
A revolução não acontece no silêncio.
A nossa voz é potente — e nós vamos lutar, mudar leis, pressionar autoridades. Não vamos aceitar passivamente que homens misóginos, criminosos e assassinos sigam sendo protegidos.
Nenhuma a menos.
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