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Ponto Final Por Autoras convidadas A convite de CLAUDIA, escritoras refletem sobre temas da contemporaneidade e das vivências femininas

Mulheres: uma força necessária na política brasileira!

Segue relevante ressaltar a necessidade da representação feminina nos espaços de poder.

Por Samanta Costa, presidente da Fundação 1º de Maio Atualizado em 24 Maio 2022, 15h53 - Publicado em 25 Maio 2022, 08h40

Embora as mulheres sejam protagonistas em diversas esferas da sociedade, vivemos em um país onde elas raramente são lembradas como protagonistas. Esta é uma triste constatação feita em pleno século XXI, em que avançamos em tantos aspectos, mas continuamos caminhando lentamente quando o assunto é equidade de gênero. Se eu te pedir para se lembrar de algum líder importante, é provável que o primeiro nome que venha à sua cabeça seja de alguma figura masculina. As mulheres que estão na luta dentro de casa, conquistando espaço em empresas importantes, na política e em diversas organizações passam, muitas vezes, despercebidas. Esse cenário é lamentável.

Isso é resultado de uma cultura que sempre colocou a mulher longe dos holofotes, dos cargos importantes e de posições de liderança. No entanto, estamos com as eleições batendo à porta e é sempre importante ressaltar a necessidade da representação feminina nos espaços de poder.

De acordo com o Ministério do Trabalho, as mulheres estão presentes em 44% do mercado formal de trabalho, mesmo com salários 20% menores se comparado com os homens. Além disso, elas são as responsáveis únicas por 40% dos lares. Entretanto, sequer alcançam 15% dos cargos eletivos do país: dos 70 mil cargos eletivos, somente 12,32% são ocupados por representantes do sexo feminino, segundo o Mapa da Política de 2019, elaborado pela Procuradoria da Mulher no Senado.

Quando observamos o Brasil sendo comparado com outros países na sua atuação com as mulheres, a situação é ainda mais preocupante. Um estudo realizado pela União Interparlamentar, organização internacional responsável pela análise dos parlamentos mundiais, mostra que dentre 192 países, o Brasil aparece na 142° colocação do ranking de participação de mulheres na política nacional. O levantamento da organização aponta que as brasileiras ocupam 15% das cadeiras da Câmara dos Deputados. Em valores absolutos, 161 deputadas federais foram eleitas no último pleito .

Apesar da pouca representatividade, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que elas representam mais da metade (51,5%) da população total do país. Por isso, se queremos um país mais democrático e igualitário precisamos mudar o curso dessa história. Queremos mulheres no alto escalão das empresas, atuando em setores que são, hoje, dominados por homens e também queremos que elas estejam cada vez mais engajadas na política, única ferramenta de transformação social.

Na minha experiência, o que mais observo são mulheres com potencial, cheias de ideais, com vontade e força para colocar a mão na massa. No entanto, também vejo como seguir essa jornada é difícil e cheio de obstáculos, muitas vezes dentro da própria família, o que faz com que muitas desistam no meio do caminho.

Duvidam de sua capacidade, inclusive da possibilidade de ser delas o poder de de governar uma cidade, um estado e até mesmo um país. Entretanto, exemplos internacionais diante da maior crise que enfrentamos nos últimos tempos mostram exatamente o quanto elas são necessárias. Nesses mais de dois anos de pandemia vimos como as lideranças conduzidas por mulheres conseguiram bons resultados no combate ao coronavírus. Países como Alemanha, Nova Zelândia e Taiwan, onde as lideranças são femininas, tiveram um desempenho superior no enfrentamento da crise.

Além disso, nesses últimos quatro anos, onde a participação da mulher na política teve um tímido avanço, várias leis, projetos e decisões em assuntos como feminicídio e acesso à absorventes para a população de baixa renda, por exemplo, só foram conquistadas graças à representação feminina. Sou uma otimista. Tenho certeza que a participação das mulheres crescerá nos próximos anos. É um processo lento, mas ele acontecerá quando mostrarmos às meninas e mulheres sobre o poder do empoderamento e os homens reconhecerem o quanto é importante a participação deles no combate a desigualdade de gênero. Tenho certeza que deixaremos um legado importante para tantas outras mulheres e um país mais igualitário, democrático e que prospera!

 

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