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Kika Gama Lobo Por Atitude 50 Focada na maturidade como plataforma pessoal, a jornalista Kika Gama Lobo escreve sobre as sensações e barreiras que as mulheres de 50 anos vivenciam

Sobre ética e likes

Não necessito ser advogada para saber que há muita vilania rolando solta por aí

Por Kika Gama Lobo 29 jun 2022, 11h22

Não preciso nem dizer sobre qual assunto eu estou escrevendo. Chocou essa semana a atitude de alguns influenciadores/jornalistas em devastar a vida de uma jovem mulher. O tema era um prato cheio para essa gente sem valor. Estupro + doação que se virou totalmente contra a vítima.

Cheguei até a ler que a menina “deu” espaço para o acaso e depois abandonou o fruto sagrado de seu ventre. Nojo! Mas o que eu gostaria de pontuar aqui é o que pode e o que não pode ser compartilhado. Há muito que nossa sociedade está doente. Filmam cenas violentas; mostram ao vivo a morte de alguém; usam o Reels como cenário para o suicídio além de mil coações, constrangimentos e crimes contra a honra pessoal de outrem.

Não necessito ser advogada para saber que há muita vilania rolando solta por aí. Mesmo enquadrados na nova lei vigente, engatinhamos em proteção virtual . Há que se colocar a mão na consciência e pensar: vale passar adiante uma informação tão íntima de alguém? Porque? Para ser encarado como grande sabedor de podres alheios? Para se tornar um ícone da fofoca? Para ganhar mil likes e seguidores distópicos nesta seara chamada internet?

Eu tô bege e, como mulher madura, celebro no meu mundo de juventude não ter tido internet. Fizemos de um tudo, sem eco. Mas e agora? Eu virei influencer ageless e já já me pegam numa treta e viro meme em sites pornográficos. Puxado viver nesse mundo interconectado. Quero virar Jane, ou melhor, Juma. Pensando bem, o véio do Rio, assim rastejo feito sucuri e sumo no mundo.

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