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Ana Claudia Paixão

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A jornalista Ana Claudia Paixão (@anaclaudia.paixao21) fala de filmes, séries e histórias de Hollywood
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As matriarcas que definem destinos nas sagas de Game of Thrones

Protetoras. Poderosas. Definitivas. No universo fictício de Westeros, as diferenças entre as mães podem determinar quem vive ou quem morre

Por Ana Claudia Paixão
12 Maio 2024, 21h20

Faltam poucas semanas para os alucinados fãs de House of The Dragon possam matar a saudade dos Targaryens (a estreia é dia 16 de junho), e no Dia das Mães de 2024, volto meus pensamentos para as diferentes matriarcas da saga, incluindo Game of Thrones. Todas têm estilos diferentes, mas, em Westeros, a violência é determinante nesse universo.

“O parto é o nosso campo de batalha. Devemos aprender a enfrentá-lo”. O conselho de Aemma Targaryen para sua filha, Rhaenyra, em sua primeira cena da primeira temporada da série House of the Dragon reflete a visão patriarcal que está no coração do universo criado por George R. R. Martin, que é um mundo medieval de fantasia, conhecido inicialmente em Game of Thrones e agora aprofundado em House of the Dragon.

A referência é direta, afinal, era o paradoxo do papel feminino que era parte essencial do processo de garantir uma linha de sucessão para os homens, com vários filhos, mas cada gravidez poderia ser igualmente sua própria sentença de morte. Como acabou sendo o caso da própria Rainha Aemma Targaryen.

Mesmo sendo um grande risco, a maternidade também sempre foi a arma principal (algumas vezes única) das mulheres no jogo dos tronos. Sexo poderia ser usado para manter relações ou manipular pessoas, mas eram os filhos que firmavam alianças ou a posição das Casas.

E, ao longo da história, vemos como essa questão mudou a personalidade ou o curso das vidas de muitas personagens, desde Rhaenyra à Daenerys. Vamos falar das séries, com algumas referências de livros, ocasionais.

Alicent Hightower: mãe fria, filhos problemáticos

As matriarcas definem os destinos de personagens em House of the Dragons e Game of Thrones
Olivia Cooke interpretando Alicent Hightower (HBO Max/Reprodução)

Em House of the Dragon, temos a semente da guerra civil plantada por um homem ambicioso, Otto Hightower, que usa sua única filha, Alicent, nas artimanhas de poder. Viúvo, ele não tem uma conexão sentimental com a menina, mas a comanda tanto na amizade que ela estabelece com Rhaenyra como depois, no conforto que fornece ao viúvo Viserys, se tornando sua segunda esposa.

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Diferentemente de Rhaenyra, que ficou órfã de mãe perto da adolescência, assim podendo conviver com sua mãe amorosa por mais tempo, não sabemos quando a mãe de Alicent morreu ou como era a relação das duas. O fato é que Alicent aparenta não ter uma referência feminina para se espelhar, ela aceita seu papel nas negociações dos Hightowers.

Ela sabe que certamente será casada com alguém importante e terá que ter filhos homens, mas o destino (e a ambição de seu pai) a coloca no caminho do Re Viserys, tornando Alicent ainda muito jovem mãe e madrasta. E claro, Rainha.

Segundo ela mesma relata nas séries, a gravidez e os partos sempre foram fáceis, ou toleráveis, o que ressalta a trágica realidade oposta da mãe de Rhaenyra, Aemma, a quem substituiu. O que também fica transparente é que se parto era fácil, a maternidade nem tanto.

Sem amor genuíno por Viserys, sem sexo satisfatório com ninguém, Alicent vive uma vida apagada, sem prazeres e apenas obrigações. Ela tolera os filhos, que sem surpresa crescem desequilibrados e agressivos. Por isso sua inveja de Rhaenyra acentua quando não apenas a princesa tem o amor do pai, mas também a admiração dos homens. Tudo que Alicent não pode sonhar em ter.

As frustrações de Alicent como mulher se projetam em seus filhos. No livro ela é retratada como ambiciosa e articuladora, criando os problemas para Rhaenyra porque a princesa tira dos Hightower a prioridade da Coroa. Na série aparentemente a vingança de Alicent é mais porque Rhaenyra teve o que ELA não teve e muito menos por conta de sua prole. A verdade está no meio caminho, talvez?

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O fato é que Alicent e Rhaenyra não poderia ser mais opostas quando se trata de família, como vemos em House of the Dragon.

O impacto da maternidade na trajetória de Rhaenyra

As matriarcas definem os destinos de personagens em House of the Dragons e Game of Thrones
Emma D’Arcy interpreantando Rhaenyra (HBO Max/Reprodução)

A história diz que Rhaenyra e Aegon II se odiavam e que disputaram o Trono de Ferro ferozmente, quase extinguindo a Casa Targaryen. Pelo menos na série a relação dos dois é praticamente inexistente, sem expressão mútua de carinho ou convivência.

Os meio-irmãos de Rhaenyra são contemporâneos de seus filhos, numa relação que frequentemente esquecemos ser de tios-sobrinhos. Enquanto jovem, Rhaenyra tinha horror à casamento pois seria uma obrigação. Por isso admirava seu tio, Daemon, e a liberdade masculina que ele tinha. Quando ela entende que pode ter as duas coisas – poder e prazer – não olha mais para trás.

A maternidade era uma função inevitável de sua posição e gênero e não acompanhamos quando a princesa engravidou e foi mãe. Já a reencontramos no parto de seu terceiro filho, sem problemas e onde a vemos extremamente carinhosa e feliz. Exatamente o oposto de Alicent. De novo.

Como ela foi uma filha amada, ela é só dedicação aos filhos. A relação saudável que tem com eles torna a tragédia da morte de Lucaerys, ainda mais significativa para ela. Na segunda temporada teremos Rhaenyra indo pessoalmente buscar os restos do filho em uma praia, uma cena que certamente será dolorosa.

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Ao fim da história, desculpem o spoiler, apenas os filhos dela com Daemon sobreviverão, e todo sangue derramado será por causa de cada um deles. A morte de Luke vai dar início ao derramamento de sangue desenfreado entre os Targaryens e deixará Alicent desesperada para evitar que seus filhos corram perigo.

Seja como for, Rhaenyra entrou para a história de Westeros como uma das mães mais protetoras de todas as Casas, colocando em risco a própria coroa na tentativa de manter seus filhos ao seu lado. Dessa forma, a Dança dos Dragões é, de alguma forma, a Guerra das Mães em House of the Dragon. E duas mães líderes, ferozes e complexas.

Trauma, dor e o fantasma de uma escolha

As matriarcas definem os destinos de personagens em House of the Dragons e Game of Thrones
Phia Saban interpretado Helaena Targaryen (HBO Max/Reprodução)

Há uma vítima indireta nos ataques de Alicent e Rhaenyra e é a pobre meia-irmã da princesa, a Rainha consorte de Aegon, Helaena Targeryan.

Forçada a se casar com seu irmão, ela tem três filhos que ama profundamente, mas que serão alvo da vingança de Rhaenyra (via Mysaria e Daemon).Olho por olho. Ao ser surpreendida por Blood e Cheese, Helaena é forçada a escolher qual filho “deve” morrer e ela faz a escolha, apenas para que eles matem outro.

Helaena nunca se recupera e ninguém a culpa. Todos filhos morrem tragicamente e violentamente, piorando o quadro. Sua própria morte – suicídio ou assassinato – é quase um alívio para uma existência de dor, abuso e trauma. Ninguém tira dela o título de Rainha da Dor e mais trágica das mães de Westeros.

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Rhaenys: herdeiros no caminho de Rhaenyra e Daemon

As matriarcas definem os destinos de personagens em House of the Dragons e Game of Thrones
(HBO Max/Reprodução)

Embora o foco principal seja nas relações em King’s Landing, pelo menos na primeira temporada de House of the Dragon, se o mundo fosse justo o pai de Rhaenyra jamais chegaria perto do trono. A verdadeira herdeira deveria ter sido Rhaenys Targaryen, mas o machismo dominante passou a linhagem para herdeiros masculinos.

Rhaenys se casou com Corlys Velaryon em uma união de amor e mãe de dois filhos: Laenor e Laena. Há pouca confirmação de como ela era com os filhos, mas o carinho com os netos sugere que era carinhosa e presente.

Laenor, por exemplo, não era julgado por ser homossexual, mas, há derrapes. Seja por política ou porque embarcava na ambição de Ser Corlys, mas Rhaenys concordou que Laena fosse considerada para se casar com Viserys, um homem de meia idade enquanto tinha apenas 12 anos. E Laenor precisou se casar com Rhaenyra. Não é bem uma sugestão de uma mãe preocupada apenas com a felicidade deles.

Laena escolheu se unir à Daemon, com quem teve duas filhas, mas morreu de parto no terceiro filho. Antes que pudesse se recuperar dessa perda, Rhaenys descobriu que Laenor “morreu”. Sabemos que ele fugiu com o amante, liberando o caminho para que Daemon e Rhaenyra se casassem, mas ninguém mais tem. ainformação. Ou seja, Rhaenys perdeu os dois filhos de uma tacada só para o casal ambicioso.

O amor que sentia pelos filhos foi transferido para as netas (tratava bem os meninos, mas sabia que não eram de Laenor). Ao testemunhar o potencial de Rhaenyra como rainha e o fato de que as netas teriam maior destque em seu reino, apoiou a briga dos pretos contra os verdes.

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Infelizmente, quando Rhaenyra decidiu proibir Jacaerys e Joffrey de lutar, sobrou para Rhaenys ir sozinha enfrentar Aemond e Aegon. E assim, morreu. Um amor de mãe definindo o destino de outra.

Amargura e ferocidade: Catelyn Stark desafia os Lannisters por seus filhos

As matriarcas definem os destinos de personagens em House of the Dragons e Game of Thrones
Michelle Fairley interpretando Catelyn Stark (HBO Max/Reprodução)

Em Game of Thrones, tivemos exemplos de mães complicadas, embora as principais fossem Catelyn Stark e Cersei Lannister, há outras que merecem citação. Mas comecemos com Catelyn que, na série, caiu na armadilha de Littlefinger e deflagrou a Guerra dos Cinco Reis, que abriu caminho para a Guerra das Duas Rainhas.

Catelyn se casou com Ned Stark por um arranjo político entre suas famílias, sendo que ele substituiu o irmão, verdadeiro prometido dela. Uma união que não nasceu do amor, mas cresceu genuína e rendeu cinco filhos, mesmo sobrevivendo ao fato de que Ned (teoricamente) foi pai do bastardo Jon Snow já casado com ela.

Catelyn, ao que vemos, foi uma mãe desequilibrada. Tinha preferidos (Robb e Bran) e meio que relegava os outros (Sansa, Anya e Rickon), maltratando abertamente Jon. Sim há uma confissão de que uma vez ficou acordada a noite inteira ao lado da cama de Jon porque ele estava tão doente que parecia que morreria. Rezando ela prometeu tentar amá-lo caso sobrevivesse. Mas não conseguiu manter sua palavra.

Pelos seus filhos de sangue, Catelyn virava bicho. Desconfiada da queda de Bran, quebra protocolo e ignora o Rei hospedado em sua casa para fazer vigília ao lado do filho. Por isso intercepta o assassino no quarto dele e, com as próprias mãos, evita a morte daquele que um dia viria a ser rei. Insatisfeita, prendeu Tyrion – o suspeito número 1, graças à Littlefinger novamente – e declarou guerra aos Lannisters.

Em vez de voltar para casa e cuidar dos filhos pequenos, Catelyn virou a principal conselheira de Robb Stark na guerra que acelera depois da execução de Ned. Articula um casamento político para garantir apoio de Walder Frey e diretamente alerta ao filho quando ele descumpriu o combinado.

Não que ela mesma não tenha optado por saídas perigosas ao libertar Jaime Lannister em troca da palavra dele que liberaria as filhas dela em retorno. Nada deu certo para Catelyn mas seu grito de dor ao tentar salvar Robb no Casamento Vermelho é uma das cenas mais marcantes da História da TV. Ninguém tira dela a Coroa da mãe mais violenta e dedicada de toda franquia.

Rainha viúva, rainha explosiva: o legado de Cersei Lannister

As matriarcas definem os destinos de personagens em House of the Dragons e Game of Thrones
Lena Headey interpretando Cersei Lannister (HBO Max/Reprodução)

Popularmente se dizia que poderíamos questionar tudo sobre Cersei Lannister, menos o amor dedicação por seus filhos. Bastardos, assim com os de Rhaenyra e assim como a Rainha Dragão, os herdeiros do trono. E por isso atacou Ned Stark, antes que ele revelasse o segredo e os colocassem em risco de morte.

Joffrey, o primogênito, era o mais difícil de temperamento e controle, vaidoso, doentio e perigoso. Sabendo que ele seria rei, Cersei era próxima dele, tentando guiá-lo, mas nem sempre conseguindo. Cersei foi a única a chorar e tentar ajudar ao filho, a única a apoiá-lo em (quase) tudo e a única a manter sua memória intacta. Não queria dividir seus filhos com ninguém, esposas ou conselheiros. Tanto que toma horror aos Tyrells.

O ódio a Tyrion já vinha do fato de que a mãe deles morreu no parto dele, a deixando “sozinha”. Só piora porque – para proteger Myrcella – ele casa a sobrinha e a manda para Dorne.

Quando Tyrion é o suspeito por envenenar Joffrey vai à julgamento, ele é defendido por Oberyn Martell, que é morto pelo campeão de Cersei, O Montanha. Hora, sem que Tyrion tivesse nada a ver com a questão, Oberyn morre e sua amante, Ellaria Sand, resolve se vingar ela mata Myrcella e com isso tira Cersei do sério em relação ao irmão e à ela. A vingança de Cersei é histórica.

Apenas com Tommen, Cersei tem o problema da influência de todos ao redor do filho, especialmente a esposa, Margaery Tyrell. Quando pequeno, e sob a ameaça da invasão de Stannis Baratheon, Cersei estava pronta para envenená-lo a permitir que fizessem mal à criança.

Adulto, depois que Margaery é morta na explosão do Septo, Cersei não contava que ele sentiria a opressão do poder, preferindo a morte. Ela se sente traída pelo filho e toma o poder, implacável.

Nos despedimos de uma Cersei grávida novamente. Por seu filho por nascer, não cede o trono a Daenerys. E mesmo que o argumento de que era uma desculpa, fato é que até o fim a criança era sua única preocupação. Não a redime, mas traz outra dimensão ao seu fim.

Menção às “outras” mães

As matriarcas definem os destinos de personagens em House of the Dragons e Game of Thrones
Indira Varma interpretando Ellaria Sand (HBO Max/Reprodução)

Ellaria Sand foi uma das mais emblemáticas mães de Game of Thrones porque criou duas filhas independentes e – literalmente – batalhadoras. Na vingança pela morte de seu amante, pai das meninas, todas perderam as vidas violentamente, mas, ainda assim, é inegável sua paixão e amor pela prole.

Lysa Arryn, amamentando o filho até os 13 anos. Ellaria Sand que se uniiu aos inimigos de Cersei para vingar Oberyn, apenas para testemunhar a morte de suas filhas pelas mãos de sua inimiga. Cruéis e assustadoras.Selyse Baratheon, que apoia queimar viva sua única filha, Shireen, para em seguida se matar, a mãe mais criminosa de toda saga.

As matriarcas definem os destinos de personagens em House of the Dragons e Game of Thrones
Atriz Hannah Murray interpretando Gilly (HBO Max/Reprodução)

Das mães satélite, apenas Gilly é amorosa. Ela arrisca tudo para salvar seu filho-irmão, Sam. Todas valem ser lembradas para mostrar como funciona o amor de mãe nas séries.

A mãe dos Dragões

Daenerys Targaryen acreditava ser a última representante da família, especialmente após a morte de seu irmão, Viserys. Vendida em um casamento arranjado, ela se apaixona pelo marido, Khal Drogo e engravida. Porém, sem saber ser vítima de uma mágica irreversível, perde tudo: filho, marido e a possibilidade de engravidar.

Quando nascem seus dragões, os primeiros em séculos, eles passam a ser e a agir como fossem seus filhos. Nos livros, ela chega até a amamentá-los com seu próprio leite, a série, que já tinha mostrado Lysa Arryn, nos pouca da cena.

As matriarcas definem os destinos de personagens em House of the Dragons e Game of Thrones
Daenerys Targaryen (HBO Max/Reprodução)

Mas Danny é uma mãe cuidadosa, atenciosa com Viseryon, Rhaegal e Drogon, que têm personalidades diferentes. Drogon é o mais apegado e rebelde, mas, no final das contas, por estar focada em sua guerra contra Cersei e seu amor por Jon, acaba sacrificando primeiro Viserion, morto pelo Night King e depois Rhaegal, que é morto em uma emboscada perto de Dragonstone.

O carinho e dedicação de Drogon na cena final de Daenerys são inesquecíveis. Danny teria sido uma ótima mãe, uma pena que a história tenha tirado isso dela.

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