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Relembre a trajetória da atriz Olivia de Havilland

Ela ficou famosa por personagens angelicais, mas nos bastidores rompeu barreiras, comprou brigas e se tornou uma lenda

Por Ana Claudia Paixão - Atualizado em 26 jul 2020, 23h04 - Publicado em 1 jul 2020, 18h00

Neste domingo (26), a última atriz viva que participou do filme …E o Vento Levou morreu aos 104 anos, na sua casa em Paris. Olivia de Havilland, que perdeu o Oscar de melhor atriz aoadjuvante para Hattie McDaniel, em 1940, chegou a comemorar seu aniversário do ano passado andando de bicicleta nas ruas do seu bairro. O registro foi publicado em seu próprio perfil no Twitter.

Reprodução/Twitter

 

Vencedora do Oscar de Melhor Atriz duas vezes, Olivia ficou marcada por papéis angelicais, como o de Melanie Hamilton, em E O Vento Levou, Lady Marian, em Robin Hood, mas era uma atriz de temperamento forte e independente. Em uma época em que os estúdios eram praticamente donos de suas estrelas, ela ousou ser independente e trabalhar por projetos.  Isso ainda nos anos 1940s, quando as mulheres não tinham voz. Olivia processou a Warner Brothers e conduziu sua carreira sem a interferência dos executivos. 

Vivien Leigh, Olivia De Havilland e Hattie McDaniel em uma cena de E o Vento Levou. As três foram indicadas ao Oscar, apenas Olivia perdeu Mondadori/Getty Images

Olivia era unanimidade entre os colegas. Atrizes conhecidas como difíceis, como Bette Davis, ou problemáticas, como Vivien Leigh, permaneceram próximas até o fim de suas vidas. No entanto, uma das brigas mais lendárias da história de Hollywood é o ódio mortal entre as irmãs, Olivia de Havilland e Joan Fontaine.

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As duas nunca se deram bem e a competição na carreira só piorou o relacionamento. Joan venceu o Oscar de melhor atriz por Suspeita, de Alfred Hitchcock. As duas irmãs tinham sido indicadas naquele ano e Joan, que ganhou o prêmio antes de sua irmã, se recusou a receber um abraço de Olivia. Anos depois, quando foi sua vez de ser a vencedora, Olivia retribuiu o gesto, virando as costas para Joan quando ela estendeu a mão para dar parabéns. Elas seguiram tentando se acertar, mas romperam de vez em 1975. Quando Joan morreu, as duas não se falavam há 38 anos. Ainda assim, o assunto é sensível. Na série Feud: Bette and Joan, da FX (e dos mesmos autores de Hollywood), Catherine Zeta-Jones interpreta Olivia e aparece xingando a irmã. Olivia se ofendeu com a cena e processou os produtores por difamação. Perdeu, o que marcou uma das raras derrotas nos tribunais, mas que mandou um sinal de que segue atenta ao mundo do entretenimento.

Olivia de Havilland com sua irmã, Joan Fontaine, em 1945. Trinta anos depois deixariam de se falar, para sempre Silver Screen Collection/Getty Images

Olivia se mudou para Paris em 1950, quando conheceu o terceiro marido, Pierre Galante, editor do Paris Match. Os dois se divorciaram 12 anos depois, mas ela permaneceu na França. Em 1965, ela foi a primeira mulher a presidir os júri do Festival de Cannes. No ano passado relembrou como foi ser não apenas a primeira, mas a única mulher naquele ano. “Eu gostei de presidir sobre um comitê onde só tinha homem”, admitindo que se sentiu intimidada a princípio.

A Rainha Elizabeth II a condecorou como Dame há três anos e Olivia foi a mulher mais velha a receber a honra, aos 92 anos.

Olivia de Havilland com seus dois Oscars Reprodução/Getty Images

  

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