Do quarto de bebê ao infantil: como fazer a transição sem traumas
A mudança do ambiente pode acompanhar novas fases da criança sem acontecer de forma abrupta
A transição do quarto infantil para um espaço mais adequado à nova fase da criança pode ser uma decisão importante para toda a família. Mais do que trocar móveis ou retirar brinquedos, a mudança representa o crescimento da criança e as novas necessidades que surgem ao longo do desenvolvimento.
Escolher uma nova roupa de cama ou decidir quais objetos continuarão no ambiente ou não, por exemplo, são atitudes que ajudam a criança a entender que o quarto está mudando junto com ela. No entanto, não é incomum que o processo ocasione dúvidas e preocupações.
Pensando nisso, entrevistamos a psicóloga Raquel Baldo e a arquiteta Bianca Bernardo — a seguir, elas explicam como (e quando) realizar a transição.
O momento certo para desmontar o quarto da criança
Não há idade ideal. Frequentemente, a criança dá pequenos sinais de que está pronta: começa a se interessar por outros brinquedos, quer sair da cama sozinha, guarda as próprias coisas ou até pede para fechar a porta do quarto na hora de dormir.
“É importante mostrar para a criança que o crescimento é valioso. Os pais devem se mostrar orgulhosos, deixando claro que o processo deve acontecer de forma suave e gradativa”, diz Raquel. Para a especialista, o quarto precisa continuar representando um espaço seguro, enquanto acompanha o desenvolvimento e as novas descobertas do pequeno.
Sendo assim, evite mudanças drásticas no ambiente: elas podem afetar negativamente a criança.
A criança deve opinar na mudança?
Segundo a psicóloga, a criança deve ser convidada a fazer parte das decisões familiares ao decorrer do seu desenvolvimento, sendo considerada em pequenas escolhas, dando sua opinião e expondo seus gostos. Agora, claro: isso não significa transferir a eles a responsabilidade por todas as deliberações do lar.
Evite mudanças em momentos delicados, como o nascimento de um irmão, um divórcio ou até mesmo uma viagem longa da mãe ou pai.
Por onde começar a reforma?
Conforme o crescimento da criança, alguns móveis deixam de fazer sentido, principalmente aqueles específicos para determinadas fases, como o berço, mesas de atividades lúdicas, trocadores e organizadores de brinquedos. Por isso, a escolha de peças versáteis pode ser uma boa alternativa para prolongar a vida útil do quarto.
Optar por móveis que tenham proporções e funções reguláveis é uma opção para o móvel acompanhar essas diferentes fases da infância. “Uma mesa para pintar pode virar, posteriormente, uma mesa de estudos. A ideia é ter móveis multifuncionais para diversas idades e momentos da infância”, diz Bianca.
Como criar um quarto que acompanhe o crescimento?
Para evitar que o quarto precise ser completamente reformado em pequenos espaços de tempo, é importante que seja feita uma decoração atemporal. Em vez de apostar em decorações temáticas, cores fortes e chamativas, opte por cores neutras e suaves, deixando o gosta da criança em evidência nos detalhes. Quadros, roupas de cama e objetos decorativos podem assumir a função de trazer personalidade ao espaço.
Redecorar o quarto não significa necessariamente começar uma grande obra. Para Bianca, pequenas intervenções podem produzir mudanças significativas e ainda reduzir os gastos.
“Trocar a pintura é uma opção de mudança que não precisa ser muito cara e pode causar um impacto enorme. Também vale trocar a cortina ou o tapete, renovar a iluminação e os puxadores dos móveis, instalar prateleiras ou até criar uma composição de quadros na parede.”
Outra possibilidade é reaproveitar os móveis da família e mudar a função ou a aparência do objeto: em muitos casos, pequenas intervenções já aparentam um quarto completamente novo.
O que o quarto significa para a criança?
De acordo com Raquel, o quarto ocupa um papel importante na construção da identidade, da segurança e da autonomia infantil. Ele funciona como uma extensão do universo psíquico da criança, um ambiente que também ajuda a contar quem ela é e onde começam a se estabelecer as primeiras relações entre a realidade interna e o mundo externo.
Inspirada nas ideias do psicanalista Donald Winnicott, ela explica que a relação da criança com o ambiente em que passa grande parte do dia e da noite é fundamental para o seu desenvolvimento emocional. É o chamado “espaço potencial”, conceito que ajuda a compreender como esse ambiente permite que a criança dê forma às próprias fantasias, sensações e emoções.
“O quarto, por si só, é um ambiente que convida a um processo fundamental do desenvolvimento psíquico: a capacidade de estar só. Ele é um espaço que acolhe a criança, onde ela dorme, acorda, brinca e encontra os seus objetos”, diz.
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