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Você é uma mulher singular? A pergunta que pode mudar sua relação com o dinheiro

Descubra como Vivian Gornick redefine a singularidade feminina, ligando a autonomia emocional à crucial independência financeira

Oferecimento BTG Pactual | 11 set 2026, 07h00
Mulher loira de meia-idade, sorrindo, com as mãos unidas sobre uma mesa de madeira clara, um notebook à esquerda e uma parede de vidro com divisórias escuras ao fundo
Reflexões sobre independência, dinheiro e a mulher que queremos ser no futuro (filadendron/Getty Images)
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Você é uma mulher singular? A pergunta que pode mudar sua relação com o dinheiro Priorizar nos meus resultados Google

No fim do século 19, quando as mulheres modernas ainda eram, em grande parte, personagens escritas por homens, George Gissing publicou The Odd Women (As Mulheres Singulares).

Encontrei essa referência em Vivian Gornick, que tomou a expressão de Gissing para batizar seu ensaio pessoal Uma Mulher Singular (Todavia), livro que me acompanhou durante o caos das férias escolares do filhote.

Nascida em Nova York, em 1935, Gornick é jornalista e autora de Afetos Ferozes (Todavia), que o The New York Times elegeu, em 2019, o melhor livro de memórias dos últimos anos.

Fazer companhia a si mesma

A singularidade de que ela fala passa pelo aprendizado de fazer companhia a si mesma.

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Gornick escreve sobre o hábito do isolamento e faz distinção entre a solidão provocada pela ausência do outro idealizado e aquela outra, fértil, em que a pessoa se faz companhia: “Na solidão útil estou aqui, fazendo companhia imaginativa para mim, soprando vida no silêncio, preenchendo o recinto com uma comprovação de meu próprio ser senciente”.

É nesse ponto que ela recorda as memórias de outro escritor, Edmund Gosse, que, ainda menino, descobriu um interlocutor secreto: “Havia encontrado um companheiro e confidente em mim mesmo”.

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E continua: “Éramos dois, e podíamos falar um com o outro (…). Para mim, foi um imenso alívio encontrar um parceiro em meu próprio peito”.

Quando a falta deixa de definir uma vida

Há algo radical quando essa descoberta ocorre na experiência feminina.

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Por séculos, a mulher sozinha foi descrita como alguém a quem faltava algo: um marido, uma família, um destino social reconhecível.

A mulher singular começa quando essa falta deixa de ser a única explicação de uma vida.

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Liberdade também custa dinheiro

Fiquei pensando que existe, contudo, uma parte pouco romântica nessa história: liberdade custa dinheiro.

Uma mulher pode ser casada, ter filhos, dividir a casa e as contas e ainda assim construir uma vida financeira que fique de pé por conta própria.

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Pode amar alguém sem entregar a essa pessoa a responsabilidade pelo seu futuro.

A independência que Gornick descreve é íntima, mas existe uma versão dela que cabe na planilha.

Se eu for a única responsável por quem serei em vinte anos, o que preciso fazer hoje?

A pergunta parece simples até fazermos as contas.

Leve essa pergunta para esse encontro de você com você.

As perguntas que precisam entrar na conta

E siga: quanto custa minha vida por mês?

Por quanto tempo conseguiria mantê-la se minha principal fonte de renda desaparecesse?

Tenho reserva para emergências?

Quanto do que ganho hoje vai para a mulher que serei aos 60, 70 ou 80 anos?

Sei quanto juntei para a aposentadoria?

Meu patrimônio está diversificado ou minha segurança depende de um salário, um imóvel, uma empresa ou outra pessoa?

É aí que uma reserva de emergência deixa de ser aquele item meio sem graça dos manuais de finanças; um investimento de longo prazo passa a comprar possibilidades futuras; uma previdência bem planejada ajuda a financiar a mulher que continuaremos sendo quando o salário deixar de chegar.

“Pode contar comigo”

Volto à frase de Gosse que Gornick guardou consigo.

O menino descobriu, com alívio, que encontrara um parceiro em seu próprio peito.

Cuidar do próprio dinheiro é uma forma bastante concreta de dizer à mulher que seremos no futuro: “pode contar comigo”.

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