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As pesquisadoras responsáveis pelo estudo que sugere que há vida em Vênus

Das 19 pessoas envolvidas no estudo, oito são mulheres. Conheça mais da carreira, conquistas e descobertas dessas profissionais

Por Maria Clara Serpa (colaboradora) - Atualizado em 16 set 2020, 16h46 - Publicado em 15 set 2020, 20h40

Nessa segunda-feira (14) foi publicado um estudo feito por pesquisadores europeus e norte-americanos que pode provar que há vida microbiana em Vênus, planeta vizinho à Terra. O grupo encontrou fosfina, uma substância tóxica, incolor e inflamável, na atmosfera do planeta. O composto está associado à vida, já que, na Terra, é fruto de ação biológica, encontrada em micróbios que vivem nas entranhas dos animais.

A descoberta do gás foi feita por meio do telescópio James Clerk Maxwell, no Havaí, e depois confirmada pelo radiotelescópio Alma, no Chile. Ainda assim, a novidade é muito preliminar para confirmar a teoria. Os pesquisadores avaliaram possíveis fontes não biológicas do composto, como meteoritos, reações químicas ou atividade vulcânica, mas nenhuma pareceu viável. Como os resultados ainda são preliminares, as pesquisas devem continuar para chegar à uma explicação plausível para a presença do gás, seja vida microbiana ou outros.

Por trás do estudo, que foi publicado na revista científica Nature Astronomy, há um time de pesquisadoras que trabalharam ao lado dos colegas homens William Bains, Paul B. Rimmer, Hideo Sagawa, David L. Clements, Janusz J. Petkowski, Sukrit Ranjan, Ingo Mueller-Wodarg, Zhuchang Zhan, Per Friberg, Iain Coulson e Jim Hoge. As oito mulheres envolvidas na pesquisa já fizeram descobertas importantes para a astronomia e muitas delas são físicas ou astrônomas renomadas mundialmente. Uma participação feminina tão significativa em um estudo importante como esse é muito relevante, especialmente no momento que vivemos, em que há cada vez mais buscas por representatividade feminina nesse ramo. Conheça mais da carreira, conquistas e descobertas das pesquisadoras: 

Jane Greaves

A líder da equipe é a professora de astronomia britânica Jane Greaves, da Universidade de Cardiff, no País de Gales, no Reino Unido. Ela trabalha pesquisando e observando planetas há mais de 20 anos, especialmente Plutão e as luas geladas de Júpiter e Saturno. Além de dar aulas na universidade galesa, ela já foi professora na Universidade de St. Andrews, no Observatório Real de Edimburgo, no Telescópio James Clerk Maxwell, na Universidade de Massachusetts e na Queen Mary University of London. A pesquisadora também se dedica a projetos que buscam maior representatividade e apoio para mulheres cientistas.

Jane possui um amplo currículo, com diversas descobertas importantes para a astronomia. Em 1998, ela foi a primeira a capturar em imagem o cinturão de detritos de colisões de cometas em torno de estrelas semelhantes ao Sol. Com esses dados, a cientista conseguiu analisar como o impacto dessas colisões poderia prejudicar ou ajudar a vida em planetas. Dois anos depois, em 2000, Jane mapeou a estrutura magnética da galáxia M82, que está a cerca de 12 milhões de anos-luz de distância na direção da constelação da Ursa Maior. O estudo visava observar o nascimento de estrelas em meio às nuvens de gás.

Em 2011, a cientista fez uma de suas maiores descobertas da carreira. O estudo da Universidade de St. Andrews, liderado por Jane, confirmou a presença de monóxido de carbono na atmosfera de Plutão e provou como a quantidade do gás dobrou desde 2000, um fato que pode ter relação com as estações extremas no planeta. Sua enorme contribuição na formação de planetas ao longo de sua carreira fez com que ela fosse premiada com o prêmio Fred Hoyle, do Instituto de Física do Reino Unido em 2017.

Anita Richards

A também britânica Anita Richards é pesquisadora da Universidade de Manchester, no Reino Unido, no departamento de Física e Astronomia. Entre 2001 e 2010, ela fez parte do desenvolvimento do Astrogrid, um observatório virtual criado com apoio do governo britânico, que é usado regularmente por cientistas, físicos e astrônomos ao redor do mundo para auxiliar seus estudos

Sara Seager

A canadense Sara Seager é cientista, astrônoma e professora do Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT). Aos 49 anos, é um dos nomes mais renomados em pesquisas com planetas exoplanetas – planetas que orbitam outras estrelas que não o Sol. Seus dois livros publicados sobre o tema, “Exoplanets” e “Exoplanets Atmospheres”, são referências no assunto.

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Além disso, Sara ficou conhecida por ter criado uma nova versão da equação de Drake, que busca estimar o número de planetas habitáveis na galáxia, focando em vida inteligente. A equação de Seager, por sua vez, busca qualquer tipo de vida em outros planetas por meio da busca por gases que podem se acumular na atmosfera. Em 2013, foi premiada com um Prêmio MacArthur pelo desenvolvimento de observatórios espaciais de baixo custo, e a detecção de assinaturas químicas nos exoplanetas.

Clara Sousa Silva

A portuguesa de 33 anos é especialista no estudo da fosfina como assinatura biológica deixada por seres vivos no universo. O início de suas pesquisas com a molécula ocorreu durante seu doutorado na University College de Londres. Em seu trabalho, cada aluno do grupo era responsável por estudar um composto, e o dela foi a fosfina. Seus estudos sobre o gás foram tão significativos que hoje Clara é conhecida como Doutora Fosfina. Já teve passagens pelo Kings College, de Londres e pela Universidade de Edinburgo. Atualmente, ela trabalha como pesquisadora do MIT, nos Estados Unidos, e já possui seis estudos publicados em publicações e revistas científicas científicas nacionais.

Emily Drabek Maunder

Emily Maunder é uma astrofísica do observatório Royal Observatory Greenwich, em Londres, além de trabalhar como pesquisadora na Universidade de Cardiff. Seu principal objeto de estudo é a formação de estrelas e a evolução na galáxia, com foco especialmente em imagens e radioastronomia.

Helen Fraser

Helen faz parte do núcleo de Física e Astronomia da Open University, na Inglaterra, e é presidente do laboratório de astrofísica da União Astronômica Internacional. Além de participar do estudo que encontrou a fosfina em Vênus, ela é líder de outro estudo importante, que busca desvendar a formação estelar através dos nêutrons, gelo e gases. A previsão é que essa pesquisa se encerre apenas em 2024.

Annabel Cartwright

Também da Universidade de Cardiff, Annabel Cartwright é uma física experiente, com mais de 21 estudos publicados em jornais científicos, que atua como professora e diretora da universidade. A possibilidade de vida em Vênus e a evolução da Terra como planeta habitável são seus principais objetos de estudo.

E’lisa Lee

Antes de virar pesquisadora da California State University, onde também faz faculdade de Física, E’lisa se formou em ciências na Universidade de Hilo, no Havaí, onde está localizado o telescópio James Clerk Maxwell, utilizado para a descoberta da fosfina em Vênus. Foi durante esse período na ilha que a cientista se interessou por temas como a formação das galáxias e cosmologia e resolveu seguir nesse ramo depois de formada. Também atua operando telescópios e computadores específicos para estudos do universo.

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