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A quarentena deixou a relação entre colegas e com a chefia mais tensa

A angústia com a pandemia, o aumento do desemprego e cortes salariais: não faltam motivos para tensionar relações no trabalho, mesmo à distância

Por Marcelo Girade Atualizado em 5 ago 2020, 21h10 - Publicado em 11 jun 2020, 12h00

A pandemia trouxe o cenário ideal para a multiplicação de conflitos. Aumentou a pressão por resultados e para alcançá-los em menos tempo. Acrescentam-se a esse contexto os novos desafios que vieram com o isolamento social, em que casa e trabalho se misturam, gerando mais tensão profissional e estresse. Inevitável, portanto, que o clima pese entre membros da equipe em alguns momentos. Pula frequentemente na cabeça de quem está enfrentando essa situação inédita se é possível gerenciar de forma construtiva as brigas que surgem em tempos de coronavírus. Como nos lembra um velho provérbio: “Mares calmos não fazem bons marinheiros”. É justamente nessas horas que somos estimulados a entregar o melhor de nós – seja para liderar um time, seja para aumentar a harmonia do grupo ao qual pertencemos.

Quando o mar está agitado, precisamos nos manter firmes no leme e agir conforme a situação pede. Em outras palavras, não podemos controlar o vento e as ondas, mas, sim, como vamos responder ao que se desenrola à nossa frente. O que está sob nosso controle, ou melhor, sob nossa responsabilidade, é a gestão de nós mesmos diante dos potenciais e dos reais atritos que irrompem em função das interações profissionais com nossos superiores hierárquicos, pares e também com aqueles que estão sob a nossa liderança.

Após anos praticando e ajudando outras pessoas a ter atitudes de resolução construtiva de conflitos, minha primeira sugestão é que você entenda (e aceite) que é a principal responsável pelo resultado de uma situação de divergência. Achou injusta minha afirmação? Calma! Só significa que você tem mais poder em suas mãos. É você quem vai escolher como ajustar a comunicação e a forma de se relacionar com outras pessoas. Se o outro lado for, por exemplo, incisivo, pouco claro, arrogante ou mesmo agressivo na forma de falar, você não precisa retribuir na mesma moeda. Pode optar, em vez disso, por um modo mais respeitoso e assertivo de se comunicar, fazendo perguntas, confirmando se você entendeu o que o outro quis dizer e se ele, ou ela, compreendeu o seu ponto de vista. Dessa maneira, dá para evitar que as naturais e cotidianas exigências do trabalho se transformem em atritos desnecessários e mal resolvidos.

A minha segunda recomendação é construir um relacionamento de trabalho à prova de divergências. Como assim? É impossível uma relação de trabalho em que não existam divergências, eu sei! Mas o meu convite aqui, com essa recomendação, está baseado na constatação de que, justamente porque você e o colega terão que resolver conflitos que sempre surgem em projetos, é bom que um relacionamento saudável seja construído, mantido e, sempre que possível, aperfeiçoado.

Não importa o tamanho da divergência, do problema ou mesmo se está sendo potencializado por um cenário de pandemia global. Com ou sem coronavírus, o que pode nos levar a um porto seguro e muitas vezes salvar nosso emprego ou reter um supertalento em nossa equipe é o modo como gerenciamos a nós mesmos diante das adversidades. Isso inclui a forma como lidamos com o outro, como nos comunicamos com ele ou ela e, sobretudo, como resolvemos as inevitáveis diferenças.

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Uma última dica. Dois livros mudaram a minha vida nesse aspecto, e eu gostaria de sugerir a leitura. São eles Como Chegar ao Sim (Sextante) e Conversas Difíceis (Campus/Elsevier). Firme no leme!

*Marcelo Girade é mediador ICFML, CEO da M9GC – Conflict Resolution Training e cofundador do Meeting de Negociação

Acervo pessoal/CLAUDIA

 

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