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Roberta D'Albuquerque Por Maternidade Roberta D'Albuquerque é psicanalista e autora do livro Quem manda aqui sou eu - Verdades inconfessáveis sobre a maternidade

Qual é a sua prioridade?

Semana passada completei quarenta anos. E na carona das reflexões de aniversário, uma pergunta não saiu da minha cabeça: o que de fato quero para mim?

Por Roberta D'Albuquerque Atualizado em 13 mar 2018, 14h49 - Publicado em 12 mar 2018, 11h51

Por muito tempo acumulei uma lista longa de prioridades. Na primeira linha, estavam meu desejo de ver minhas filhas crescerem, de ser uma mãe boa, o suficiente (viva Winnicott!) para elas, de criar um ambiente agradável em nossa casa, de estar presente e inteira para o Henri, meus pais, sobrinhos, minha família e amigos, de estar satisfeita com o meu trabalho, de manter a leitura em dia, de isso e de aquilo…

Semana passada completei quarenta anos. Estas datas nos fazem pensar e, na carona das reflexões de aniversário, uma pergunta não saiu da minha cabeça: o que de fato quero para mim?

Meu desafio era responder com um só item. Unzinho. Decidi que quero estar saudável. Saudável para poder escolher. Saudável para trabalhar e amar. Saudável para me aproximar dos meus desejos. Inclusive da lista que acabei de compartilhar acima.

Arrumei as malas das meninas, as minhas e convidei, de supetão, todos para uma temporada em um spa. Sempre tive essa vontade. Uma semana para comer leve, descansar, fazer exercício, dormir e acordar cedo. Uma viagem sem compras, sem agenda, sem ingressos, sem pontos turísticos, sem planejamento, sem aeroporto. Um passeio para nós quatro. Toparam. Fomos. Foi lindo.
Escolhemos o Spa Med Campus, pertinho de São Paulo (90 km) e com todo o suporte que precisávamos. De fato cumprimos o plano de cama, mesa e tapetinho de ioga. Mas enxerguei a cada dia que passava, que a saúde é um conceito mesmo muito amplo.

Fui testemunha da saúde estampada nos olhos da minha filha mais nova que experimentou a liberdade de pegar a chave de nosso quarto pela manhã e sair livre pelas áreas verdes do local, vivenciando a possibilidade de decidir quando e aonde ir. A delícia de sentir-se segura e livre.

Observei as intermináveis partidas de pingue-pongue entre minha filha mais velha e seu pai que, entre risos e provocações, mantiveram o equilíbrio do ir e vir da bolinha, ajustaram velocidade e força para fazer o jogo durar. Transpiravam os dois a alegria de sustentar uma parceria.

Vi de perto o bem que me faz estar também um pouco sozinha e quieta entregue ao sol, à leitura ou às braçadas. Nadei a vida inteira e ainda não tinha me dado conta que na natação o que me atrai de verdade é a minha companhia e o silêncio. Entendi que perdi o medo de gostar de mim.

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Foi uma temporada de calmaria ainda que tenha sido, talvez, uma viagem das mais intensas. Noves fora, a saúde ainda reina (e me parece que reinará por muito tempo) sendo o desejo pelo qual lutarei. A saúde ampla que nos assegura a liberdade, o amor e a honestidade de ser quem somos. É também o meu desejo para vocês e para os meus.

 

 

 

 

 

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