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Kika Gama Lobo Por Atitude 50 Focada na maturidade como plataforma pessoal, a jornalista Kika Gama Lobo escreve sobre as sensações e barreiras que as mulheres de 50 anos vivenciam

Óbito também é alta?

A partir da lamentável frase da CPI da Covid-19, Kika Gama Lobo nos convida para uma reflexão sobre a carga de cuidadora dada às mulheres

Por Kika Gama Lobo Atualizado em 6 out 2021, 13h17 - Publicado em 6 out 2021, 14h00

Fiquei pensando na frase ouvida na CPI da Covid-19. Me distancio da política e aproveito para refletir sobre a maturidade através da expressão. Caiu mal. Porém quem cuida de seus entes queridos – pais, avós, tios – ou mesmo de um filho ou sobrinho doente terminal, acho que vai me entender apesar de toda a dificuldade de falar sobre quem cuida.

Em nossa sociedade é a mulher que fica responsável por cuidar. Somos todas empregadas, amas, babás, cuidadoras. Vem os filhos e viramos escravas do bebê.

Nossos pais adoecem e somos nós que assumimos o controle. E dá-lhe banho, fraldas, controle dos remédios, exaustão para lidar com a situação extrema e ninguém olha por nós.

É natural esse papel de cuidadora e apenas quando as crianças tem sua liberdade mínima garantida ou que nossos parentes mais velhos se curam é que voltamos para nós mesmas. Mas ouço muito a frase: “mamãe descansou” e “papai parou de sofrer” e volto ao título do artigo de hoje. Será que só o óbito se torna a nossa alta?

Precisamos de um sistema societário que tire das mulheres esse peso de cuidadoras. Precisamos melhorar educação, saúde e políticas públicas e voltamos novamente a compreender que, enquanto não lutarmos por nossos direitos cívicos, a esfera do privado será sempre a imagem do coletivo.

Nós mulheres exaustas. Nós mulheres sobrecarregadas. Nós mulheres livres apenas quando a morte do outro é a nossa solução. Isso está muito errado. Então a frase infeliz do depoente da CPI coloca o tema novamente na roda. E eu convido vocês à reflexão.

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