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Ana Claudia Paixão A jornalista Ana Claudia Paixão (@anaclaudia.paixao21) fala de filmes, séries e histórias de Hollywood

Por que a entrevista de Lady Di não poderia ficar de fora de “The Crown”

Ainda que marcada por falta de ética, a fala da princesa Diana para a BBC reserva pontos históricos e inesquecíveis. Veja a análise de Ana Claudia Paixão

Por Ana Claudia Paixão 7 nov 2021, 15h14

Há vários fatos marcantes na vida da princesa Diana e a entrevista que concedeu há 26 anos para BBC é um dos divisores de água da História da monarquia britânica moderna.

Mesmo com o lançamento da biografia – na época ainda não assumida como autorizada -, em que revelava todas as infelicidades de seu relacionamento com o príncipe Charles, foi “a” entrevista do programa Panorama em que ouvimos da boca de Diana detalhes do fim de se seu casamento que muitos achavam ser apenas fofoca.

Se hoje o que disse parece fichinha perto das revelações de Meghan Markle e Príncipe Harry, na época foi devastador. Jamais alguém da família real tinha tido a ousadia ou coragem de Diana.

Naturalmente as consequências para ela não foram “boas”, afinal perdeu o título de Princesa de Gales (e a segurança a qual tinha direito), a Rainha apressou o divórcio do filho e, no final das contas, o fato de ter terminado o casamento acabou “ajudando” Camilla a ganhar terreno e campo livre para finalmente se unir oficialmente a Charles.

Dois anos e meio depois, sem a devida estrutura para dar limites aos paparazzi, Diana morreria em um acidente de carro. A entrevista da BBC é, sem dúvida, um dos pontos mais vitais da sua curta trajetória.

Falo isso tudo porque The Crown, da Netflix, que vai entrar no período pessoal mais conturbado do reinado de Elizabeth II, na próxima temporada, já confirmou que terá um episódio completo dedicado à entrevista de Diana a BBC. Aplaudo a informação porque não há como apagar a entrevista, mas sim colocá-la com uma nova perspectiva.

É de comum acordo entre amigos e inimigos que Diana estava vivendo em constante estado de paranoia. Tanto Harry como William, apaixonados como são pela mãe e ferrenhos na defesa de sua memória, admitem que Diana estava em um momento delicado de sua vida.

Portanto, quando em 2021 foi confirmado que o repórter Martin Bashir usou de mentiras e documentos falsos para conseguir convencer a Diana a conceder a entrevista, a dor só aumentou. Para William, a entrevista não tem legitimidade e estabeleceu “uma narrativa falsa”, na qual, ao seu ver, passou a ser tratada como produto comercial.

A verdade é que, como muitos dizem, Bashir foi o escolhido quase ao acaso, pois Diana estava determinada a dar sua versão dos fatos, algo como, de novo, Meghan e Harry estão fazendo hoje.

O repórter inescrupuloso se aproveitou dela e conseguiu o furo, alegando que a casa de Diana estava com escuta (até no relógio de William teriam plantado um chip!) e pessoas próximas a ela estavam vendendo seus segredos para a imprensa. Até documentos falsos de um aborto da babá (que seria amante de Charles) foram apresentados. Tudo mentira, mas Diana se convenceu sem investigar ela mesma os papéis do jornalista. Morreu sem saber que mentiram para ela.

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Depois que a verdade veio à tona, tanto Harry como William foram à público falar (separadamente) da investigação. O primogênito da princesa foi além ao pedir para que a entrevista jamais fosse exibida.

O que William nos pede é para esquecermos tudo que Diana falou. É um argumento forte, mas sua mãe foi a única que não mentiu no meio disso tudo. As verdades que decidiu revelar seguem sendo importantes para entender a dinâmica de sua vida e o impacto de suas decisões. Além disso, a entrevista era uma resposta à outra concedida por Charles, que ninguém lembra ou gosta de citar.

Naquela altura, em 1995, de alguma forma irreal, a Rainha esperava que tanto Charles quanto Diana levassem suas vidas pessoais discretamente. Porém, a popularidade de Diana, assim como o sucesso de sua biografia, teriam motivado Charles a se manifestar.

O príncipe deu “sua versão dos fatos” em uma longa entrevista ao jornalista Jonathan Dimbleby, na BBC. Irritada, porque o ex-marido a colocou como uma pessoa instável, Diana deu o troco e foi mais eficaz. Sua entrevista para Martin Bashir ganhou uma repercussão inigualável (até a entrevista de Harry e Meghan à Oprah Winfrey).

Em sua conversa com Bashir, disse que Camilla Parker Bowles e Charles nunca romperam o caso entre eles. “Éramos três neste casamento e por isso um pouco cheio”, descreveu Lady Di.

Ela disse que, sim, também foi infiel, tendo um caso com o professor de equitação dos filhos, James Hewiit. “Estava apaixonada”, confessou. A pior parte foi declarar que não achava que o ex-marido estivesse pronto para ser Rei.

O resultado foi espetacular quanto à opinião pública, mas desastroso para a Coroa. A Rainha decidiu que a separação não seria suficiente para resolver o problema. Charles e Diana teriam que se divorciar. Tá vendo como a entrevista não poderia ficar fora de The Crown?

Dizem também que essa entrevista estremeceu sua relação com William, que teria preferido que a mãe e o pai não lavassem a roupa suja em público. Tanto que Diana chorou depois da exibição do programa, se arrependendo de ter falado de Hewitt.

As imagens de Elizabeth Debicki como Diana estão rolando nas redes sociais e dão nervoso como estão fisicamente parecidas. Para a atriz, ter um episódio tão importante como esse, que inclusive fez parte do filme estrelado por Diana Watts, é um verdadeiro desafio.

Para nós, fãs da série, de Diana e da Família Real, é uma alívio saber que poderemos ter uma versão mais realista da história, reescrevendo sim a narrativa, mas mantendo a versão de Diana para o que viveu. Minha contagem regressiva para uma temporada brilhante já está rolando!

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