Adeus ao Botox a cada 6 meses? Conheça a tecnologia que faz a pele produzir o próprio colágeno
Diretora da Entera explica como procedimentos não invasivos estão reformulando o mercado estético sem agulha e sem bisturi
O mercado estético quer dar adeus aos bisturis e às agulhas. Esqueça a cirurgia para levantar e rejuvenescer o rosto, ou o Botox a cada seis meses. A tecnologia promete, ainda que a preços nada módicos, fazer isso tudo sem nenhuma dor. E sem congelar expressão nenhuma. Os novos procedimentos não invasivos estimulam o próprio corpo a se regenerar e a produzir colágeno de forma natural.
Nesta entrevista, Marília Lima, diretora de marketing da Entera, explica a ciência por trás de equipamentos de ponta, como o Liftera (ultrassom microfocado) e o Coolfase (radiofrequência monopolar), que estimulam o próprio corpo a produzir colágeno e ajudam a adiar a necessidade de intervenções como o Botox.
Ela também revela o que podemos esperar do futuro do setor, com diagnósticos guiados por Inteligência Artificial.
Confira abaixo a conversa com ela:
Liftera e CoolFase: tecnologias que combatem o “derretimento” da face
CLAUDIA: Como funcionam as tecnologias da Entera?
Marília Lima: O Liftera e o Coolfase são as nossas tecnologias carro-chefe. Juntas, elas atendem às principais camadas da pele ligadas ao envelhecimento, à flacidez e ao “derretimento” ou afinamento da face. Elas funcionam de maneiras diferentes para estimular a pele de formas distintas.
O Liftera funciona com pontos de coagulação. O equipamento vai dando vários pontinhos, quase como se estivesse costurando a pele internamente. Ele começa a atuar na camada mais profunda, muito próxima ao músculo, que faz o efeito de sustentação. Esse calor em formato de pontos de coagulação faz a contração das fibras e das estruturas, basicamente puxando-as para cima. É essa tecnologia do Liftera, do ultrassom microfocado, que alcança essas regiões e produz esse efeito de estruturação e sustentação da face. Existe o tratamento completo, que começa no ponto mais profundo da pele, passa pelas regiões centrais e termina no rosto inteiro. Temos, inclusive, o chamado “protocolo glow”, somente na parte mais superficial. Se o paciente tem uma festa ou vai casar no dia seguinte, ele consegue aquele ar de brilho, um refresh de “cara boa”.
CLAUDIA: E onde entra o Coolfase nesse processo?
Marília Lima: O Coolfase complementa o Liftera perfeitamente. Ele traz uma tecnologia de radiofrequência monopolar que também entrega calor dentro da pele, mas de forma diferente. Enquanto o Liftera faz vários pontinhos, o Coolfase entrega um calor espalhado e volumétrico. Ele atua de forma muito superficial, tem o efeito de “desamassar” a pele.
Enquanto um estrutura e dá firmeza profunda, o outro vem para tirar as rugas superficiais. Esse efeito complementar potencializa os resultados; as duas tecnologias juntas se ajudam.
Tecnologia vs. Botox: qual é a real diferença?
CLAUDIA: Então o CoolFase seria uma espécie equivalente ao Botox, ou não?
Marília Lima: Não, o Botox atua travando as estruturas musculares. Ele disfarça temporariamente o nervo a partir de uma substância injetada que, daqui a pouco, vai embora e exige uma nova aplicação. Quando fazemos um estímulo com tecnologia — seja o ultrassom microfocado ou a radiofrequência monopolar —, estamos fazendo com que a sua própria pele receba um estímulo para que o seu próprio organismo produza mais colágeno, gerando o efeito de esticar a pele. No Coolfase, estimulamos o seu próprio corpo e a sua própria pele a reagirem, ao contrário do Botox, onde a ruga continua ali igual quando a substância perde o efeito.
CLAUDIA: Quantas sessões são necessárias?
Marília Lima: De uma a duas sessões por ano. Exceto se houver uma queixa muito específica, como uma papada muito grande. Nesses casos, fazemos um reforço de uma ou duas sessões, focado apenas naquela região.
Mas a premissa para ambas as tecnologias é de uma a duas vezes por ano. O que vai ditar o intervalo é o grau de flacidez e o estágio da pele, mas a regra é essa.
Flacidez pós-canetinha de emagrecimento e a ética no mercado estético
CLAUDIA: Como vocês equilibram a entrega de uma tecnologia de ponta com a ética e a segurança, em um mercado de estética que é tão inundado por promessas milagrosas?
Marília Lima: Primeiro, temos um cuidado rigoroso na escolha das tecnologias que compõem o nosso ecossistema. Buscamos inovações que entreguem beleza natural e autocuidado sem causar dor excessiva e sem impactar negativamente o dia a dia do paciente.
Além disso, temos um compromisso muito forte com a classe médica. A Entera mantém o posicionamento de disponibilizar seus tratamentos exclusivamente para médicos, para garantir segurança ao paciente.
A partir daí, fazemos um trabalho educativo junto ao médico e ao paciente. Não acreditamos naquele modelo de médico que quer “mexer em tudo” no paciente. O ponto de partida deve ser como o paciente se vê, o que o incomoda, o que quer mudar, e o médico utiliza a tecnologia certa para conduzi-lo nesse processo, elevando sua autoconfiança. É muito mais do que apenas aplicar uma tecnologia.
Protegemos as nossas tecnologias para que elas ganhem tempo de vida útil. Em vez de descartar ferramentas, focamos em expandir o que é possível fazer com a tecnologia existente.
Recentemente, lançamos o recurso DDD (Dash Dot), que é um recurso novo dentro do Liftera que aumenta a potência e a velocidade da entrega de energia. Desenvolvemos isso para atender a uma nova realidade clínica: o aumento expressivo de pacientes que usam medicamentos análogos de GLP-1 (as canetinhas de emagrecimento) e perdem peso muito rápido, gerando uma flacidez severa que a velocidade normal do tratamento não conseguia acompanhar. Com esse recurso, o médico ganha uma ferramenta potente sem precisar de um equipamento novo.
O futuro da estética: Inteligência Artificial e medicina regenerativa
CLAUDIA: O que podemos esperar como o próximo passo desses procedimentos não invasivos? A inteligência artificial fará parte disso?
Marília Lima: A inteligência artificial é um caminho. Estamos todos vidrados nisso. Estamos vendo uma geração mais jovem entrar no universo do autocuidado buscando a prevenção. Para apoiar esse processo educativo, nós temos hoje o Aura, que é uma ferramenta de diagnóstico de pacientes baseada em IA.
Muitas vezes, a queixa do paciente no consultório fica muito subjetiva. O Aura permite mapear, através da IA, a situação real do rosto: a idade cronológica da pele e o que ela realmente precisa em termos de inflamação, poros, flacidez e outros fatores. Esse processo serve como um plano de fundo estruturado e seguro para a conversa com o médico sobre o que de fato faz sentido para aquela pele.
A outra grande tendência forte é a medicina regenerativa, que envolve exossomos e peptídeos – um tema que está no centro das atenções. Vemos isso muito forte na Coreia, e é uma realidade que tende a crescer associada às tecnologias. Cada vez mais, busca-se tecnologias menos invasivas, que não deixem a pele excessivamente vermelha ou machucada, combinadas com a entrega posterior de vitaminas, ativos e substâncias regenerativas que fazem bem à pele. O futuro caminha para a união entre a inteligência artificial no diagnóstico e planejamento e a medicina regenerativa nos tratamentos.
Menos caricato, mais humano: o limite do rejuvenescimento
CLAUDIA: Com tudo isso, o futuro vai ser todo mundo jovem como o John Travolta, que apareceu recentemente com aquela cara de garoto?
Marília Lima: Ah, gente, não, aquilo fica muito esquisito, né? (risos). O objetivo é estarmos mais felizes, mais animados e, consequentemente, mais bonitos. Essa definitivamente não é a ideia. O futuro não pertence a uma tecnologia que simplesmente transforma o rosto, mas sim àquela que respeita a individualidade de cada paciente. Caminhamos para uma estética mais consciente, inteligente, responsável e com um olhar mais humano, menos caricato.
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