Perfumes podem te deixar mais atraente? A neurociência explica
Especialista explica como os perfumes com neurociência podem afetar suas emoções e até "atrair" as pessoas
Em algum momento da vida, você provavelmente já ouviu promessas do tipo: “tal perfume desperta seu poder de sedução”, “esse aumenta a sensação de felicidade” e por aí vai. Mas o que muita gente não sabe é que esse tipo de discurso tem até nome: perfumes com neurociência, ou a chamada neuro perfumaria.
Só que esse assunto precisa ser tratado com cuidado. Apesar de muitas marcas venderem fragrâncias como se fossem fórmulas mágicas, a perfumista botânica e especialista em neurociência Daiana Petry explica que a relação entre aromas, emoções e comportamento não é novidade.
“A psicologia social estuda essa conexão desde 1981. Participantes expostos a cheiros agradáveis passaram a avaliar os outros como mais simpáticos, atraentes e agradáveis no contato interpessoal”, comenta.
De lá pra cá, novas pesquisas reforçaram a mesma ideia: o olfato pode até ser silencioso, mas tem uma influência real (e mensurável) na forma como percebemos o mundo, os outros e até a nós mesmos.
O perfume conversa com o cérebro
É aqui que a neurociência começa a fazer sentido na conversa. Segundo Daiana, o olfato é um sentido “diferente” dos outros por um motivo bem específico: ele é o único que mantém uma ligação direta com áreas emocionais do cérebro.
Para entender como isso funciona, ela explica que, no alto da cavidade nasal, existe um epitélio olfatório formado por milhões de neurônios especializados. E é ali que o cheiro começa a virar algo maior do que “gosto” ou “não gosto”.
“Quando sentimos um cheiro, acontece algo extraordinário dentro de nós. As moléculas aromáticas são captadas por esses neurônios, que funcionam como verdadeiros tradutores: transformam a informação química em impulsos elétricos, um processo chamado de transdução”, detalha.
Esses sinais seguem caminho até o bulbo olfatório, no cérebro, e dali vão direto para estruturas ligadas à emoção e à memória, como a amígdala e o hipocampo. É por isso que, em alguns casos, um perfume pode acalmar, despertar prazer, provocar alerta ou até puxar lembranças antigas.
“Nesse ponto, o cheiro deixa de ser apenas estímulo sensorial e se transforma em experiência emocional. Por isso, um perfume não apenas perfuma: ele conversa com o que sentimos”, resume.
Cheiro influencia atração e confiança?
Se tem um motivo pelo qual o assunto virou tendência, é porque ele mexe com uma das promessas mais vendidas pela perfumaria: a ideia de que fragrâncias podem mudar a forma como os outros te enxergam. E aqui, de acordo com Daiana, existe sim uma base científica, só não do jeito cinematográfico que a publicidade gosta de sugerir.
Na prática, o cheiro pode moldar percepções, emoções e estados internos, o que acaba refletindo também na maneira como a gente se comporta em um encontro, numa conversa ou até em uma situação de trabalho.
E tem mais: um estudo mais recente, de 2024, reforçou essa influência ao observar a atividade cerebral de pessoas expostas a um aroma agradável enquanto avaliavam rostos. O resultado? Na presença da fragrância, os participantes julgavam os rostos como mais atraentes, confiantes e femininos do que em ambientes sem cheiro.
E não só isso: os efeitos foram especialmente fortes na autoimagem, ou seja, o perfume também pode influenciar como a gente se enxerga.
E os perfumes com feromônio? A ciência é mais cautelosa que o marketing
Outro termo que vive reaparecendo nesse universo é o famoso “perfume com feromônio”, geralmente vendido como se fosse um imã humano. Mas, segundo a perfumista, é aí que a ciência pisa no freio.
“Em animais, os feromônios são sinais químicos claros que provocam respostas automáticas. Em humanos, alguns dados sugerem que certos compostos relacionados a feromônios, especialmente a androstadienona, podem influenciar o humor, foco e resposta sexual em mulheres”, detalha.
Ainda assim, ela reforça que o papel deles em humanos não é totalmente comprovado e precisa de estudos mais rigorosos para que qualquer afirmação seja realmente conclusiva.
“Aumenta felicidade” e “melhora confiança” na prática?
Daiana reforça que, quando uma marca promete que um perfume “estimula felicidade” ou “aumenta confiança”, isso não significa que a fragrância aperta um botão emocional no cérebro.
“Em termos científicos, os aromas têm acesso direto a áreas cerebrais ligadas à emoção, à memória e ao estado de alerta. Por isso, podem favorecer determinados estados internos”, explica.
Na prática, isso pode significar reduzir tensão, induzir relaxamento, deixar o ambiente mais acolhedor ou evocar lembranças agradáveis. Em estudos controlados, o que se observa são mudanças em indicadores como humor autorreferido, frequência cardíaca, níveis de estresse, cortisol e padrões de atenção. Mas não é uma garantia de emoção, e sim modulação de estado.
A neurociência está mudando a forma de criar perfumes
Mas se antes a perfumaria era guiada principalmente por estética, hoje existe um movimento crescente de incorporar dados fisiológicos e métodos científicos na criação de fragrâncias.
A especialista explica que, com esse avanço, marcadores hormonais, respostas do sistema nervoso autônomo e até atividade cerebral podem orientar escolhas de matérias-primas, acordes e formulações.
E nesse processo, a neurociência abre caminho para uma perfumaria que vai além do “cheirar bem”, passando a pensar a fragrância como uma experiência.
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