Luciana Gimenez detona botox preventivo. Mas será que ele funciona?
Desvendamos o ‘botox preventivo’: entenda como funciona, o que a ciência diz sobre sua eficácia e quando considerar o tratamento
A popularização do chamado “botox preventivo” entre jovens adultos não é um tema novo, mas ganhou novos contornos com um vídeo recente publicado nas redes sociais de Luciana Gimenez. “A beleza da juventude é justamente não precisar fazer essas coisas”, disse.
“As pessoas estão em um ponto em que colocam, colocam, colocam, depois tiram, tiram, tiram. E onde vamos parar? Acredite em mim, você vai ficar mais velha e vai precisar fazer. Então, deixe os procedimentos para um pouquinho mais tarde”, acrescentou na declaração.
O botox preventivo, também chamado de “baby botox”, é utilizado antes do surgimento das rugas, com a proposta de evitar a formação de linhas de expressão. Mas será que realmente funciona ou se trata apenas de uma estratégia para incentivar o início cada vez mais precoce de procedimentos estéticos?
Como o botox preventivo atua no rosto?
Diversas rugas são causadas por movimentos repetitivos. As sobrancelhas levantadas deixam marcas na testa, o sorriso acentua o bigode chinês e até a expressão de brava evidencia as linhas entre os olhos. A toxina botulínica atua relaxando os músculos nos quais é aplicada. Com isso, essas rugas associadas à expressão facial deixam de se formar momentaneamente.
O botox faz isso ao impedir a liberação de um neurotransmissor chamado acetilcolina. “Quando liberada, a acetilcolina faz o músculo contrair. Na sua ausência, o músculo fica relaxado, paralisado”, explica Paola Pomerantzeff, dermatologista e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).
Na prática tradicional, o botox é indicado para suavizar rugas já instaladas. “Na versão preventiva, são aplicadas doses menores em pacientes jovens. A intenção é reduzir contrações musculares antes que linhas de expressão se tornem rugas estáticas permanentes”, segundo Thais Guerreiro, dermatologista e membro da SBD-RESP.
O efeito começa entre 48 e 72 horas após a aplicação, com pico em cerca de duas semanas e duração média de três a seis meses.
O botox realmente é capaz de prevenir rugas? Veja o que a ciência diz
Especialistas afirmam que o botox pode, sim, retardar o aprofundamento de rugas. Na prática clínica, Pomerantzeff observa que, com aplicações regulares, rugas intensas podem se tornar menos marcadas e menos fortes ao longo do tempo. “Ao modular contrações repetitivas, evita que linhas dinâmicas evoluam para estáticas permanentes”, afirma Guerreiro.
Mas, segundo a médica, as evidências científicas ainda são limitadas. “Há evidências promissoras de que aplicações precoces retardam rugas estáticas e melhoram a qualidade da pele em jovens. Porém, faltam estudos robustos de longo prazo para confirmar prevenção real do envelhecimento ou apenas adiamento temporário, com resultados positivos a curto ou médio prazo”, diz.
Pomerantzeff cita estudos observacionais, como o acompanhamento de gêmeas idênticas, em que a irmã que utilizou botox regularmente apresentou menos rugas ao longo dos anos do que a que aplicou apenas duas vezes em 13 anos.
“Aos 38 anos de idade, a irmã que fazia aplicações regulares não apresentava rugas em repouso [aquelas visíveis mesmo quando o rosto está relaxado]. A outra irmã tinha marcas estáticas profundas e bem vincadas mesmo em repouso.”
Pomerantzeff ainda faz uma observação: “O botox não interrompe o envelhecimento biológico das células. Ele gerencia essa parte do envelhecimento cutâneo. Se aplicado com técnica e regularidade corretas, é capaz de evitar que rugas dinâmicas se tornem rugas estáticas. Isso não quer dizer que a pessoa que fizer botox preventivo nunca terá rugas.”
Quando começar ou não a aplicar botox no rosto?
A idade ideal para iniciar o botox preventivo também não é consenso. Em geral, dermatologistas consideram razoável discutir o procedimento a partir dos 25 a 30 anos, especialmente em pacientes com predisposição genética ou sinais iniciais de linhas finas.
“Antes disso, o uso tende a ser excessivo”, afirma Guerreiro. Para pacientes muito jovens, o foco deve ser proteção solar e cuidados tópicos. Pomerantzeff concorda que a indicação deve ser individualizada: “Há pessoas com linhas em repouso aos 25 anos, enquanto outras chegam aos 40 sem rugas. Não dá para generalizar.”
Riscos e limitações do botox preventivo
Embora considerado seguro, o uso prolongado não é livre de riscos. Um dos principais é a possível redução da eficácia ao longo dos anos. “Pode haver formação de anticorpos, o que diminui a resposta ao tratamento”, diz Guerreiro.
“É como se você treinasse o seu organismo a destruir a proteína da toxina botulínica. O corpo reconhece o botox como ‘proteína estranha’ e produz anticorpos para destruí-la antes que ela aja no músculo”, acrescenta Pomerantzeff.
A dermatologista aponta ainda o chamado “efeito tolerância”, em que pacientes relatam necessidade de doses maiores com o passar do tempo.
“Alguns pacientes relatam que sentem que precisam de doses cada vez maiores para obter o mesmo resultado de antes. Isso pode estar ligado tanto à adaptação do organismo quanto ao envelhecimento natural da pele, que passa a exigir mais produto”, explica Pomerantzeff.
Fatores como metabolismo acelerado, exposição solar, tabagismo e prática intensa de exercícios físicos podem influenciar a duração do efeito da toxina.
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