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Em ensaio, Emily Ratajkowski posa com pelos à mostra e debate feminilidade

A modelo destacou a importância de mulheres serem tratadas com respeito, independente das escolhas pessoais de cada uma.

Por Ketlyn Araujo - Atualizado em 15 jan 2020, 11h48 - Publicado em 8 ago 2019, 18h40

Emily Ratajknowski é uma modelo britânica conhecida por não ter medo nenhum de mostrar o corpo. Um dos motivos que a fez famosa, inclusive, foi o fato de ter aparecido com os seios totalmente à mostra no videoclipe da música “Blurred Lines”, de Robin Thicke, lançado em 2013.

Declaradamente feminista, mas alvo de críticas exatamente por ostentar essa imagem quase que sempre sensual, Emily surpreendeu o público e levantou uma importante discussão sobre feminilidade ao protagonizar um ensaio para a edição de setembro da revista Harper’s BAZAAR americana, divulgado nesta quinta-feira (8).

Na foto, acompanhada por um texto em primeira pessoa que destaca a importância de mulheres serem tratadas com respeito e dignidade, independente da escolha de cada uma, ela aparece com os braços levantados, vestindo uma lingerie de renda, ângulo que destaca os pelos aparentes de sua axila – sim, o ano é 2019, mas muitas pessoas ainda associam pelos femininos a falta de higiene, e não-feminilidade, enquanto pelos masculinos são e sempre foram aceitos socialmente.

Leia Mais: As cinco maiores mentiras que as pessoas contam sobre pelos femininos

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“Give women the opportunity to be whatever they want and as multifaceted as they can be.” I wrote an essay for @harpersbazaarus about the importance of women’s right to choose (how she dresses, what she posts, if she decides to shave or not) no matter what influences have shaped the way she presents herself. Do your thing ladies, whatever it might be. Link in bio.

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Ela começa o relato falando sobre seu primeiro contato com o movimento feminista, ainda na época da faculdade, quando compreendeu a diferença entre os conceitos de gênero e sexualidade, e passou a examinar sua própria vivência como mulher:

“Antes que eu vá mais longe, vamos afirmar o óbvio: eu sou uma mulher branca e cis. Eu tenho noção dos meus privilégios dentro de uma sociedade heteronormativa, e eu não pretendo agir como se a minha identidade não tivesse tornado algumas coisas mais fáceis para mim. Isto posto, quero usar essa oportunidade para falar sobre como tem sido a minha experiência como mulher (…)”, escreveu, em tradução livre.

A modelo prossegue, ao analisar como os conceitos de masculinidade e feminilidade impactaram sua vida, e perceber que muitos de seus comportamentos, considerados “sensuais”, são herança de uma cultura pautada pela misoginia.

“Claro, tenho certeza de que a maioria das minhas primeiras aventuras investigando o que significa ser uma garota foi fortemente influenciada pela cultura misógina. Inferno, eu também sei que muitas das maneiras pelas quais eu continuo a ser considerada ‘sexy’ são fortemente influenciadas pela misoginia. Mas eu me sinto bem assim, e é a minha escolha, certo? O feminismo não é sobre isso? – escolhas? (…) Eu gosto de me sentir sexy de um jeito que me faça, pessoalmente, sentir sexy. Ponto”, disse.

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Sobre a questão dos pelos, ela foi direta:

“Se eu decidir raspar os pelos das minhas axilas, ou deixá-los crescer, isso depende de mim. Para mim, pelos no corpo são mais uma oportunidade para que mulheres usem de suas capacidades de escolha – uma escolha baseada em como elas querem se sentir e se isso está associado ou não à depilação. Em alguns dias, eu tendo a escolher me depilar, mas às vezes deixar meus pelos crescerem é o que me faz sentir sexy. E não existe resposta certa, não existe escolha que me faça mais ou menos feminista, ou até uma ‘má feminista’, pegando emprestado [o termo] de Roxane Gay. A partir do momento que essa decisão é uma escolha minha, ela é a escolha certa. Em última análise, a identidade e a sexualidade de um indivíduo dependem deles e de mais ninguém”.

O texto em inglês, na íntegra, pode ser acessado no site da Harper’s BAZAAR.

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