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Como seria o cheiro do Brasil? 5 emoções viraram perfume

Projeto do Grupo Boticário convidou perfumistas a transformar sentimentos como saudade, amor e garra em fragrâncias

Por Helena Galante 25 set 2026, 18h25
Exposição Box do Sentir O Boticário com cinco cabines iluminadas em tons vibrantes. Cada cabine exibe um retrato em preto e branco de uma pessoa e um cilindro com o nome de uma emoção, como Saudade e Euforia. O ambiente é escuro, com uma mesa e cadeiras à direita
O Grupo Boticário criou o Box do Sentir, projeto que reúne cinco fragrâncias inspiradas em emoções associadas às experiências vividas no país: saudade, garra, otimismo, euforia e amor (@andreligeiro/Divulgação)
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Como seria o cheiro do Brasil? A pergunta não tem uma única resposta, mas o Grupo Boticário decidiu transformá-la em experiência olfativa. Para isso, criou o Box do Sentir, projeto que reúne cinco fragrâncias inspiradas em emoções associadas às experiências vividas no país: saudade, garra, otimismo, euforia e amor.

Idealizada por César Veiga, perfumista do Grupo Boticário, a ação foi criada em celebração ao Dia do Perfumista e convidou profissionais de grandes casas internacionais de fragrâncias para interpretar cada sentimento. “As emoções são universais, porém as experiências são individuais”, explica César.

A proposta não era definir quais seriam as emoções que representam os brasileiros, mas entender como diferentes experiências no país poderiam ser traduzidas em perfume. “Longe da gente querer sintetizar todo o Brasil em apenas cinco emoções. A ideia era entender como esses afetos poderiam ganhar forma na perfumaria a partir das vivências de cada um”, afirma.

Cinco emoções, cinco fragrâncias

O projeto reuniu Yann Vasnier, da Givaudan, responsável pelo Otimismo; Natasha Côté-Mouzannar, da IFF, que criou a Euforia; Leslie Gauthier, da Symrise, responsável pela Garra; Véronique Nyberg, da MANE, à frente do Amor; e Honorine Blanc, da dsm-firmenich, que desenvolveu a Saudade.

A escolha dos profissionais levou em conta a relação que cada um construiu com o Brasil. “Nosso maior cuidado foi escolher perfumistas com uma conexão verdadeira com o Brasil. Queríamos fugir do clichê do brasileiro puramente festivo e do samba. O objetivo era capturar o que realmente os marcou enquanto viveram e trabalharam aqui”, diz César.

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Apesar de trabalharem com a mesma matéria-prima da perfumaria, cada profissional partiu de uma interpretação diferente. “Cada perfumista recebe a mesma paleta de ingredientes — de rosas e jasmins à baunilha. A beleza está em como cada um interpreta esses elementos. É ali que nascem a assinatura, a vivência e o olhar único de cada criador”, explica.

Como transformar uma emoção em perfume?

Criar uma fragrância a partir de um sentimento envolve escolhas que vão além da seleção de notas. No caso do Amor, Véronique Nyberg decidiu não seguir o caminho mais associado à ideia de romantismo.

“Eu não queria uma interpretação literal, algo focado apenas no romantismo clássico. Passei a olhar para o amor sob a ótica da neurociência. Pensei em acolhimento, confiança, calor e conexão humana. Buscamos traduzir essas camadas em sensações”, conta.

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Salão escuro com projeções roxas nas paredes simulando o interior de um trem, com janelas e assentos. Mesas longas e brancas, com louças e guardanapos, iluminadas por luzes roxas, ocupam o centro. Pessoas em pé observam o ambiente imersivo
O Box do Sentir não será comercializado imediatamente e deve aparecer em experiências pontuais nas lojas flagship da marca (@andreligeiro/Divulgação)

A fragrância foi apresentada durante um jantar sensorial assinado pela designer gastronômica Simone Mattar. O Box do Sentir não será comercializado imediatamente e deve aparecer em experiências pontuais nas lojas flagship da marca.

Mesmo sem um lançamento comercial convencional, o processo de criação seguiu os mesmos critérios de desenvolvimento de uma fragrância. “O processo criativo é rigorosamente igual ao de qualquer grande lançamento. É uma construção artística, como compor uma música: ajustam-se acordes, doses e notas até atingir o equilíbrio perfeito”, afirma Véronique.

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Pesquisa ajudou a definir as fragrâncias

A criação das fragrâncias também teve uma etapa de pesquisa. Antes do desenvolvimento dos perfumes, o Grupo Boticário ouviu 6 mil consumidores para entender como as pessoas relacionam memórias olfativas e emoções.

“Mapeamos essas percepções iniciais e, em seguida, partimos para testes de sensorialidade mais profundos”, explica Gustavo Dieamant, diretor executivo de P&D do Grupo Boticário.

Os consumidores também participaram das etapas seguintes de avaliação. Um exemplo foi justamente a fragrância do Amor. A primeira versão desenvolvida por Véronique já correspondia ao conceito, mas os testes apontaram que faltava uma sensação de afeto.

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“A estrutura era belíssima, mas parecia rígida. Faltava aquela suculência de fruta vermelha, a doçura de uma calda de morango”, lembra Gustavo. A partir dos resultados, uma nota frutada foi acrescentada à composição.

Para o executivo, a pesquisa funciona como uma ferramenta de orientação dentro do processo criativo. “Nós não criamos a fragrância — o mérito artístico é do perfumista. Atuamos como um ‘nariz consultor’, garantindo que aquela obra converse com a alma e o gosto do brasileiro”, afirma.

No fim, porém, a experiência de um perfume continua sendo individual. Uma mesma combinação de notas pode despertar lembranças completamente diferentes em cada pessoa. É justamente essa relação entre fragrância, memória e experiência que está no centro do Box do Sentir.

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Afinal, qual seria o cheiro do amor, da saudade ou da garra? Para César Veiga, a perfumaria pode ajudar a responder a uma pergunta que nem sempre cabe em palavras: “A perfumaria dá forma ao que por vezes nos faltam palavras para dizer. O que fizemos foi abrir espaço para que a emoção falasse por si.”

 

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