Babosa na pele e no cabelo: o erro comum que muita gente comete ao usar a planta em casa
Entenda os reais benefícios da babosa para pele e cabelo, e por que a planta in natura não substitui cosméticos formulados
Afinal, a babosa hidrata a pele?
A Aloe vera é rica em água e compostos que ajudam a manter a hidratação da pele (Reprodução/Freepik)
“As mucilagens têm um altíssimo poder de reter água”, explica o farmacêutico Dr. Maurizio Pupo, pesquisador, professor e diretor científico pela PUC-Campinas. É justamente essa capacidade que está por trás de um dos benefícios mais conhecidos da babosa: a hidratação. Isso não significa, porém, que a planta precise agir sozinha.
“A Aloe vera é frequentemente utilizada como parte de uma estratégia multifatorial de hidratação e condicionamento, e não necessariamente como único ativo”, explica Romanelli. Em um hidratante, por exemplo, ela pode ser combinada a glicerina, ácido hialurônico e pantenol, substâncias que também contribuem para a retenção de água na pele.
Quando o objetivo é fortalecer e preservar a barreira cutânea, a fórmula pode incluir ainda ceramidas, emolientes e agentes oclusivos. Já os cosméticos com ação calmante podem associar a Aloe vera a ingredientes como alantoína, aveia coloidal, beta-glucana e bisabolol.
Pupo também destaca a combinação da babosa com ceramidas e pantenol. “O pantenol tem uma sinergia muito próxima à da babosa. Ele também ajuda no processo de retenção de água”, afirma.
Na prática, portanto, mais importante do que procurar a palavra “babosa” em destaque na embalagem é analisar a fórmula do cosmético como um todo e os demais ativos presentes na composição.
E no cabelo, funciona?
Passar a babosa direto da planta funciona do mesmo jeito?
A babosa pode irritar a pele?
Apesar da fama de ingrediente calmante da planta, isso não significa que a Aloe vera seja incapaz de causar irritações na pele.
De acordo com a médica, existem relatos na literatura médica de dermatite e outras reações após o uso tópico de produtos derivados da planta. Por isso, quem tem pele sensível ou histórico de alergias deve ter cuidado redobrado com receitas caseiras.
A presença de diferentes organismos na folha também é mais um motivo para não tratar a babosa recém-cortada como equivalente a um cosmético formulado e testado.
Como saber se um cosmético realmente tem bastante Aloe vera?
Não é tão fácil quanto olhar uma porcentagem na embalagem do produto.
Segundo Pupo, existem diferentes tipos de extratos de babosa no mercado e eles podem ter concentrações bastante diferentes. “Uma empresa pode declarar no rótulo que está usando 10% de extrato de babosa e o consumidor pode achar que isso é muito. Na verdade, não necessariamente”, explica.
O motivo? Uma matéria-prima pode ser muito mais concentrada do que outra. Assim, uma porcentagem aparentemente pequena de um extrato concentrado pode representar uma quantidade significativa da planta.
“Infelizmente, o consumidor nunca consegue identificar se um cosmético realmente tem Aloe vera numa boa concentração, suficiente para produzir o efeito desejado”, diz Pupo.
No entanto, a lista de ingredientes pode dar uma dica. “Quando a Aloe vera aparece entre os primeiros ingredientes, isso sugere que ela está presente em quantidade relativamente maior do que quando aparece no final da lista”, explica Romanelli.
Mesmo assim, há uma limitação: “A lista de ingredientes não permite determinar com precisão a concentração.” No rótulo, o ingrediente pode aparecer com nomes como Aloe Barbadensis Leaf Juice ou Aloe Barbadensis Leaf Extract. E diferentes matérias-primas também podem apresentar diferentes concentrações dos componentes da planta.
Então, babosa realmente faz bem?
Sim, mas sem os poderes quase milagrosos que muitas vezes aparecem nas receitas caseiras.
A Aloe vera possui componentes capazes de ajudar na retenção de água e faz sentido principalmente como parte de fórmulas hidratantes e calmantes. Algumas preparações específicas também já foram estudadas em situações dermatológicas, como cicatrização e queimaduras.
No cabelo, seu papel está mais relacionado à hidratação e a textura do que a um efeito comprovado sobre crescimento. E existe uma diferença fundamental entre uma preparação pesquisada cientificamente, um cosmético formulado com extratos padronizados e o gel retirado diretamente de uma planta em casa.
“O resultado de um estudo realizado com um extrato específico, em determinada concentração e com determinado processo de estabilização, não pode ser automaticamente aplicado à babosa retirada diretamente da planta”, explica Romanelli.
É por isso que, para a dermatologista, a questão não deve ser apenas se “babosa funciona”. “Não devemos transformar a experiência tradicional com a planta em uma equivalência automática com eficácia clínica de qualquer cosmético contendo Aloe vera”, completa.
A Aloe vera pode ajudar na rotina de beleza, mas o consumidor não deve escolher um cosmético apenas porque “Aloe vera” aparece em destaque na embalagem. É preciso considerar a fórmula completa e o que o produto realmente promete fazer.
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