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Babosa na pele e no cabelo: o erro comum que muita gente comete ao usar a planta em casa

Entenda os reais benefícios da babosa para pele e cabelo, e por que a planta in natura não substitui cosméticos formulados

Por Ana Carolina Palermo 12 ago 2026, 18h00
Produtos de beleza e aloe vera sobre uma superfície de madeira clara. Há um frasco verde deitado, um frasco branco com pump, um pote branco com gel verde, folhas e pedaços de aloe vera, e um pote branco com sal marinho
A babosa pode ajudar na hidratação da pele e dos cabelos, mas seu uso in natura não é equivalente ao de cosméticos formulados com Aloe vera (Reprodução/Freepik)
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Babosa na pele e no cabelo: o erro comum que muita gente comete ao usar a planta em casa Priorizar nos meus resultados Google

Popular entre as receitas caseiras de beleza, a Aloe vera, conhecida como babosa, tem propriedades hidratantes e pode fazer parte de fórmulas com ação calmante. Mas aplicar a babosa diretamente no rosto ou no cabelo não é o mesmo que usar um cosmético desenvolvido com o ingrediente.

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A cena é conhecida: cortar uma folha de babosa, retirar o gel transparente de seu interior e aplicá-lo diretamente na pele ou nos fios. Há gerações, a planta faz parte de receitas caseiras e ganhou fama por hidratar a pele, acalmar irritações e até estimular o crescimento do cabelo.

Mas quais são, de fato, os benefícios da babosa? E será que usar o gel da planta diretamente na pele e nos cabelos funciona?

A resposta é: depende. A Aloe vera contém substâncias com propriedades interessantes para a pele e, por isso, está presente em diversos cosméticos, especialmente hidratantes e produtos com proposta calmante. Por outro lado, nem todos os benefícios atribuídos à babosa têm comprovação científica, e a forma como ela é utilizada também faz diferença.

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“A literatura científica sobre Aloe vera é bastante heterogênea. Existem estudos experimentais e clínicos avaliando diferentes preparações, mas não podemos considerar que todos os produtos contendo Aloe vera sejam equivalentes”, explica a dermatologista Dra. Caroline Romanelli, secretária da diretoria da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Afinal, a babosa hidrata a pele?

Copo de suco de aloe vera com fatias da planta dentro e ao redor, sobre uma tábua de madeira clara em uma mesa rústica escura

A Aloe vera é rica em água e compostos que ajudam a manter a hidratação da pele (Reprodução/Freepik)
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“As mucilagens têm um altíssimo poder de reter água”, explica o farmacêutico Dr. Maurizio Pupo, pesquisador, professor e diretor científico pela PUC-Campinas. É justamente essa capacidade que está por trás de um dos benefícios mais conhecidos da babosa: a hidratação. Isso não significa, porém, que a planta precise agir sozinha.

“A Aloe vera é frequentemente utilizada como parte de uma estratégia multifatorial de hidratação e condicionamento, e não necessariamente como único ativo”, explica Romanelli. Em um hidratante, por exemplo, ela pode ser combinada a glicerina, ácido hialurônico e pantenol, substâncias que também contribuem para a retenção de água na pele.

Quando o objetivo é fortalecer e preservar a barreira cutânea, a fórmula pode incluir ainda ceramidas, emolientes e agentes oclusivos. Já os cosméticos com ação calmante podem associar a Aloe vera a ingredientes como alantoína, aveia coloidal, beta-glucana e bisabolol.

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Pupo também destaca a combinação da babosa com ceramidas e pantenol. “O pantenol tem uma sinergia muito próxima à da babosa. Ele também ajuda no processo de retenção de água”, afirma.

Na prática, portanto, mais importante do que procurar a palavra “babosa” em destaque na embalagem é analisar a fórmula do cosmético como um todo e os demais ativos presentes na composição.

E no cabelo, funciona?

Mulher de costas, com cabelos castanhos curtos, aplicando creme branco no cabelo. Ela se olha no espelho redondo de moldura clara, onde sua imagem aparece embaçada, vestindo uma toalha verde. O fundo é um banheiro com azulejos brancos e cinzas
Em produtos capilares, a babosa pode contribuir para hidratação, maciez e melhor sensorial dos fios (Reprodução/Freepik)
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A babosa no cabelo também se popularizou em máscaras e receitas caseiras, especialmente para o cuidado de fios ressecados. Nesse caso, a Aloe vera pode contribuir principalmente para a hidratação e para a sensação de maciez dos cabelos.

Isso não significa, porém, que todo o resultado de uma máscara de babosa possa ser atribuído à planta. “A Aloe vera pode contribuir para hidratação e sensorial, mas os benefícios cosméticos sobre a fibra capilar dependem muito mais do conjunto da formulação”, explica Romanelli.

Em uma máscara capilar, outros componentes podem ter uma participação ainda mais importante no resultado. “Agentes condicionantes, polímeros, álcoois graxos, silicones e outros ingredientes podem ser mais determinantes para reduzir o atrito, melhorar a penteabilidade e proteger a fibra”, acrescenta a dermatologista.

Por isso, a sensação de cabelos mais macios e hidratados após o uso de uma máscara com babosa não vem necessariamente da Aloe vera sozinha, mas da combinação dos diferentes ingredientes presentes na fórmula.

Passar a babosa direto da planta funciona do mesmo jeito?

Folhas de aloe vera cortadas, um pote de gel verde, um frasco conta-gotas e uma toalha branca sobre uma superfície de mármore claro. Uma colher de madeira com pedaços do gel da planta está em primeiro plano
A babosa in natura não tem a mesma padronização e controle dos extratos usados em cosméticos (Reprodução/Freepik)

Infelizmente, não!

Uma das principais diferenças está justamente entre a babosa in natura, retirada diretamente da folha, e a Aloe vera utilizada em cosméticos. “A babosa in natura, quando retirada diretamente da folha, não é um produto padronizado”, explica Romanelli.

Segundo a dermatologista, a composição da planta pode variar de acordo com a espécie, as condições de cultivo, a idade e até a parte da folha utilizada. Além disso, a folha da babosa não é composta apenas pelo conhecido gel transparente.

“O gel interno é predominantemente aquoso e rico em polissacarídeos, enquanto a região próxima à casca e o látex podem conter derivados de antraquinonas, como a aloína”, afirma.

O erro que a maioria das pessoas comete

Por isso, cortar a folha e passar a babosa diretamente na pele ou no cabelo é diferente de utilizar um cosmético formulado com Aloe vera. “Simplesmente cortar a folha e aplicar o conteúdo sobre a pele não equivale a utilizar um extrato cosmético purificado e controlado”, reforça Romanelli.

Isso não significa, no entanto, que a babosa natural seja necessariamente perigosa. A principal diferença está no controle sobre aquilo que está sendo aplicado. “Não é correto dizer que a babosa natural seja necessariamente ‘perigosa’. O ponto é que um cosmético industrializado oferece maior previsibilidade de composição, estabilidade e controle microbiológico”, explica a dermatologista.

A babosa pode irritar a pele?

Mulher negra de cabelo crespo curto, de costas, olhando seu reflexo em um espelho redondo de madeira. Ela toca o rosto com as duas mãos, que têm unhas longas e claras, enquanto se observa no espelho. O fundo é branco
A babosa pode causar irritação em algumas pessoas (Curology/Unsplash)

Apesar da fama de ingrediente calmante da planta, isso não significa que a Aloe vera seja incapaz de causar irritações na pele.

De acordo com a médica, existem relatos na literatura médica de dermatite e outras reações após o uso tópico de produtos derivados da planta. Por isso, quem tem pele sensível ou histórico de alergias deve ter cuidado redobrado com receitas caseiras.

A presença de diferentes organismos na folha também é mais um motivo para não tratar a babosa recém-cortada como equivalente a um cosmético formulado e testado.

Como saber se um cosmético realmente tem bastante Aloe vera?

Uma folha de aloe vera verde com espinhos nas bordas, um frasco conta-gotas âmbar e um pote de creme branco sobre uma tábua de madeira rústica, em fundo branco
A posição da Aloe vera na lista de ingredientes pode dar pistas sobre sua presença na fórmula (Reprodução/Freepik)

Não é tão fácil quanto olhar uma porcentagem na embalagem do produto.

Segundo Pupo, existem diferentes tipos de extratos de babosa no mercado e eles podem ter concentrações bastante diferentes. “Uma empresa pode declarar no rótulo que está usando 10% de extrato de babosa e o consumidor pode achar que isso é muito. Na verdade, não necessariamente”, explica.

O motivo? Uma matéria-prima pode ser muito mais concentrada do que outra. Assim, uma porcentagem aparentemente pequena de um extrato concentrado pode representar uma quantidade significativa da planta.

“Infelizmente, o consumidor nunca consegue identificar se um cosmético realmente tem Aloe vera numa boa concentração, suficiente para produzir o efeito desejado”, diz Pupo.

No entanto, a lista de ingredientes pode dar uma dica. “Quando a Aloe vera aparece entre os primeiros ingredientes, isso sugere que ela está presente em quantidade relativamente maior do que quando aparece no final da lista”, explica Romanelli.

Mesmo assim, há uma limitação: “A lista de ingredientes não permite determinar com precisão a concentração.” No rótulo, o ingrediente pode aparecer com nomes como Aloe Barbadensis Leaf Juice ou Aloe Barbadensis Leaf Extract. E diferentes matérias-primas também podem apresentar diferentes concentrações dos componentes da planta.

Então, babosa realmente faz bem?

Mulher deitada com os olhos fechados, recebendo uma máscara facial branca. Ela usa uma faixa de cabelo azul e uma esteticista aplica o produto com um pincel, segurando uma tigela verde com mais creme
A Aloe vera pode ser uma aliada da hidratação, mas seus benefícios dependem da formulação e do uso adequado (Engin Akyurt/Unsplash)

Sim, mas sem os poderes quase milagrosos que muitas vezes aparecem nas receitas caseiras.

A Aloe vera possui componentes capazes de ajudar na retenção de água e faz sentido principalmente como parte de fórmulas hidratantes e calmantes. Algumas preparações específicas também já foram estudadas em situações dermatológicas, como cicatrização e queimaduras.

No cabelo, seu papel está mais relacionado à hidratação e a textura do que a um efeito comprovado sobre crescimento. E existe uma diferença fundamental entre uma preparação pesquisada cientificamente, um cosmético formulado com extratos padronizados e o gel retirado diretamente de uma planta em casa.

“O resultado de um estudo realizado com um extrato específico, em determinada concentração e com determinado processo de estabilização, não pode ser automaticamente aplicado à babosa retirada diretamente da planta”, explica Romanelli.

É por isso que, para a dermatologista, a questão não deve ser apenas se “babosa funciona”. “Não devemos transformar a experiência tradicional com a planta em uma equivalência automática com eficácia clínica de qualquer cosmético contendo Aloe vera”, completa.

A Aloe vera pode ajudar na rotina de beleza, mas o consumidor não deve escolher um cosmético apenas porque “Aloe vera” aparece em destaque na embalagem. É preciso considerar a fórmula completa e o que o produto realmente promete fazer.

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