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8 em cada 10 brasileiros já traíram em relacionamentos, aponta pesquisa

Estudo que ouviu 460 mil pessoas aponta o Brasil como o país com mais infiéis da América Latina

Por Da redação 29 jun 2022, 09h49

É possível amar e ser infiel? Sete em cada 10 brasileiros consideram que sim, de acordo com os resultados da Radiografia da Infidelidade e Infiéis no Brasil, realizada pelo aplicativo de encontros Gleeden, que ouviu 460 mil pessoas no país. O estudo mostra que 8 em cada 10 pessoas já traíram em relacionamentos monogâmicos, o que coloca o Brasil como o país mais infiel da América Latina, seguido por Colômbia, México, Argentina e Chile.  Já os cinco Estados que lideram o ranking dos “puladores de cerca” são São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Minas Gerais e Espírito Santo.

Os entrevistados consideram que os homens são mais infiéis e os dados comprovam isso: 91% dos participantes do gênero masculino afirmaram já terem traído, contra 88% das mulheres. Mas elas, é claro, são mais reprovadas em caso de traição: nove em cada 10 pessoas consideram que pessoas do gênero feminino são mais julgadas socialmente ao cometer uma infidelidade e 99% dos entrevistados consideram que os homens têm mais segurança e liberdade sexual.

62% dos brasileiros consideram que a infidelidade é algo natural, até certo ponto, e metade afirma que ela é motivada, principalmente, por razões sexuais, como problemas na vida íntima do casal, desejo por outras pessoas e curiosidades. Sofia Menegon, especialista em relacionamentos e colunista de CLAUDIA, aponta, no entanto, que a falta de diálogo é um dos fatores fundamentais que levam a esse tipo de comportamento. “Nós aprendemos desde sempre que só existe uma forma de se relacionar, que é a monogamia. Aí, quando entramos num relacionamento, geralmente não existe uma conversa sobre outras possibilidades e formatos. Diante do desejo de se envolver sexualmente com outro alguém, o medo de perder o o namoro ou o casamento gera a mentira e a traição. Para a maioria dos casais, ainda não há a possibilidade de dizer: ‘Olha, me sinto atraída por tal pessoa e gostaria de me relacionar sexual ou afetivamente com ela também'”, explica.

A especialista pondera, contudo, que isso não quer dizer que a não monogamia é a solução para erradicar a infidelidade. “Toda relação tem seus acordos e pactos, as não monogâmicas também. Quando eles são quebrados, há uma traição, por mais que não seja necessariamente a infidelidade que a maioria da sociedade entende por traição, como a sexual, por exemplo”, diz.

Mas a Radiografia da Infidelidade também mostra que seis em cada 10 participantes se dizem arrependidos de terem traído seus parceiros e parceiras. Aí, entra a culpa, como comenta Sofia: “Independentemente de sermos religiosos, nossa sociedade é pautada por dogmas judaico-cristãos. Aprendemos que, da mesma forma que só podemos amar um Deus, só podemos amar uma pessoa de cada vez. Quando fugimos disso, sentimos culpa, essa invenção também cristã, como se estivéssemos traindo também, além da pessoa amada, um pacto social e religioso.”

No estudo do Gleeden, o número do arrependimento é idêntico ao da compreensão: 6 em cada 10 entrevistados estariam dispostas a não terminar uma relação por conta de uma infidelidade, seja por falta de desejo sexual entre o casal, a falta de um acordo monogâmico prévio ou até por manterem um casamento de conveniência. Segundo Sofia, é possível restabelecer a confiança após uma traição, mas ela recomenda acompanhamento profissional para as pessoas envolvidas. “Não se trata de esquecer, não é possível tomar uma pílula do esquecimento, mas se pode dialogar e entender os caminhos dessa relação. É um processo longo, que pode ser muito desafiador. Vai depender do que cada um carrega de bagagem emocional e do quanto está disposto a se comprometer para fazer dar certo”, comenta.

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