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Philippine Leroy-Beaulieu sobre Tamara Klink: “São as mulheres que dizem: ‘vai, se encontra’”

Em entrevista à CLAUDIA, atriz francesa fala sobre a importância de apoiar os sonhos dos filhos, a coragem de Tamara Klink e sua relação com o Brasil

Por Lorraine Moreira Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 27 out 2026, 20h30
Montagem com duas mulheres: à esquerda, loira de cabelos ondulados, maquiagem leve, brincos dourados e vestido vermelho com franjas; à direita, jovem de cabelos escuros, sorrindo, com moletom preto e gola vermelha, em um barco com o mar ao fundo
Philippine Leroy-Beaulieu interpreta mãe de Amyr Klink em filme brasileiro (@philippineleroybeaulieu/ @tamaraklink/Instagram)
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Não é de hoje a relação de Philippine Leroy-Beaulieu — a Sylvie Grateau da série Emily em Paris — com o Brasil. A atriz morou no país na década de 1990, aprendeu português e, agora, estrela um filme brasileiro. Em 100 Dias, longa baseado na história do navegador Amyr Klink, ela interpreta a mãe dele, Asa. “Essa é uma história sobre desafio, coragem, amor. O mundo precisa dessa fé na vida”, diz à CLAUDIA.

Na entrevista, Philippine fala sobre Tamara Klink, a importância de apoiar os sonhos dos filhos e o filme, que chega aos cinemas na quinta-feira (29).

CLAUDIA: No longa, sua personagem apoia o Amyr a seguir o próprio sonho, mas também se preocupa com ele. Na sua visão, como evitar que a preocupação limite os objetivos dos filhos?

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Philippine: Amar de verdade é deixar os filhos seguirem o próprio destino e ter fé nessa escolha que eles vão fazer. Hoje, os pais estão sempre muito preocupados. Quando eu era pequena, deixavam experimentar mais. Encontrei a minha liberdade e a minha coragem porque me permitiram fazer até coisas perigosas. Preocupação existe, mas temos que guardá-la para não apavorar os filhos. 

CLAUDIA: Tamara Klink, filha de Amyr, tornou-se a primeira mulher a passar o inverno sozinha no Ártico. É uma experiência que homens já viveram antes, porque eles tinham essa possibilidade. Qual é a importância de ver figuras femininas ocupando esses espaços?

Philippine: Mulheres que fizeram coisas incríveis sempre existiram, mas a história se lembra mais dos homens do que das mulheres. No início do século 20, por exemplo, houve mulheres que fizeram travessias de carro da França até o Afeganistão, aventuras que eram consideradas muito perigosas naquela época. Mas o lindo é que agora existe o foco nessas pessoas.

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E a Tamara é maravilhosa, louca, corajosa. Adoro ela! Segui a Tamara no Instagram quando ela estava fazendo as viagens. Também gosto muito do fato que ela conversa com a avó. Achei tão lindo que foi a avó que a apoiou…  É uma história de mulheres nessa família. São as mulheres que tem essa coisa de “vai, se encontra”.

Mulher de meia-idade, cabelos loiros ondulados, sorri levemente para a câmera, encostada em uma parede branca. Veste um colete de malha com estampa abstrata em tons de verde, preto e creme.
Philippine Leroy-Beaulieu acredita que mulheres sempre tiveram feitos incríveis, mas que a história se lembra mais dos homens do que delas (@philippineleroybeaulieu/Instagram)
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CLAUDIA: Você já morou no Brasil e agora retorna para filmar aqui. O que mais te encanta no país?

Philippine: As pessoas. O país é lindo de morrer, é claro. É grande, tem muitas coisas maravilhosas, mas as pessoas… Gosto muito do povo brasileiro.

CLAUDIA: Sua personagem é espontânea e livre, com uma energia que contrasta com a do pai de Amyr, muito mais rígido. Você se identifica com ela?

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Philippine: Ela representa esse feminino com muito amor, mas também com muita força e espontaneidade. Tudo isso é muito importante para a família. Adorei a energia que Carlos [Saldanha] me permitiu colocar no papel, mas não sei quem é essa mulher, porque ela partiu anos atrás.

Fiquei muito ansiosa, porque não sabia se Amyr e seus irmãos gostariam da minha interpretação. É uma responsabilidade enorme, mas foi uma espécie de canalização que aconteceu, não sei como. Adorei a cena da dança na rua em que ela, apesar de o marido estar com raiva, tenta colocar essa doçura na família por amá-lo.

CLAUDIA: Amyr também é muito teimoso para conseguir o que quer. Por um lado, a teimosia pode ser negativa, mas também pode ser positiva. O que você pensa sobre isso?

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Philippine: Eu também sou teimosa. Conheço os limites disso, mas gosto muito dessa força, dessa obsessão. Vejo beleza nisso.

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