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Tile table: a febre do design que tirou os azulejos da cozinha direto para a sala

Mesas, bancos e mesas laterais revestidos com azulejos e pastilhas transformam a cerâmica em protagonista da decoração

Por Marina Marques Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 7 ago 2026, 10h00 | Atualizado em 7 ago 2026, 19h26
Dois ambientes decorados com móveis e objetos de design moderno. À esquerda, duas mesas de cabeceira brancas com vasos de flores roxas e um livro rosa. À direita, um sofá verde com almofadas coloridas, uma mesa de centro verde e um tapete roxo
O revestimento cerâmico transforma a mesa de centro em um dos principais elementos da decoração, mostrando como as tile tables levam os azulejos para além das paredes (@thegirlanddeco/@colonia.store/Instagram/Reprodução)
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Por muito tempo, azulejos e pastilhas ficaram restritos a cozinhas, banheiros e áreas externas. Agora, eles ganham uma nova função dentro de casa: deixam as paredes para revestir móveis.

Conhecida internacionalmente como tile table, a tendência transforma mesas de centro, mesas laterais, bancos, banquetas e aparadores em peças de destaque, unindo o apelo artesanal da cerâmica ao desenho contemporâneo do mobiliário.

Embora tenha conquistado espaço nas redes sociais recentemente, a proposta dialoga com referências da azulejaria tradicional, do design italiano das décadas de 1960 e 1970 e até do modernismo brasileiro.

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A diferença está na maneira como esses revestimentos são aplicados: em vez de servir apenas como acabamento arquitetônico, passam a envolver completamente o mobiliário, criando peças esculturais que adicionam textura, cor e personalidade aos ambientes.

O resultado são móveis que transitam entre o artesanal e o contemporâneo, funcionando tanto como peças de apoio quanto como protagonistas da decoração. Confira algumas inspirações:

Tile tables monocromáticas

Duas mesas de cabeceira brancas com azulejos quadrados, uma em formato de U e outra cúbica. Na mesa em U, um vaso bege e branco com flores roxas. Na mesa cúbica, um vaso decorado com conchas e um livro rosa. O ambiente tem paredes brancas e piso de madeira, com luz solar entrando pela direita
Formas geométricas simples e acabamento fosco reforçam a estética minimalista das tile tables (@thegirlanddeco/Instagram/Reprodução)
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As versões minimalistas são as que melhor representam a essência das tile tables. Em vez de apostar em desenhos elaborados, muitos designers trabalham com formas extremamente simples, como cubos, prismas e blocos maciços, permitindo que o revestimento cerâmico seja o elemento de maior destaque.

Nesses projetos, as pastilhas quadradas criam uma superfície contínua e uniforme, enquanto o rejunte desenha uma grade delicada que passa a fazer parte da identidade visual da peça. O acabamento, que antes era visto apenas como um detalhe técnico, ganha protagonismo e reforça o aspecto geométrico do móvel.

Mesa de centro quadrada com azulejos brancos e rejunte preto, sobre um tapete felpudo bege. Um vaso rosa com flores brancas e um castiçal preto estão sobre a mesa. Ao fundo, um sofá cinza e um espelho refletindo sapatos.
O brilho do esmalte evidencia a textura das pastilhas e cria diferentes efeitos conforme a incidência da luz (@fleurstudios_/Instagram/Reprodução)
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Os acabamentos também influenciam o resultado. Superfícies foscas transmitem uma sensação mais sóbria e contemporânea, enquanto os esmaltes brilhantes refletem a luz e evidenciam o relevo das pastilhas ao longo do dia.

Outro ponto em comum entre essas peças é o uso de uma única cor em toda a estrutura, como no móvel abaixo. Branco, tons pastel, areia e outros tons neutros ajudam a destacar a volumetria do móvel sem sobrecarregar o ambiente e criando um efeito color blocking.

Sala de estar com luz solar entrando pela janela, iluminando uma mesa de centro retangular de azulejos verde-água. Sobre a mesa, um livro, uma vela acesa em castiçal, uma luminária plissada e um vaso de flores. Ao fundo, uma poltrona marrom e uma porta verde-clara
Padrões inspirados na azulejaria tradicional ganham uma leitura contemporânea ao revestir o mobiliário (@casa.dolce.casaa/Instagram/Reprodução)
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O efeito lembra pequenas esculturas distribuídas pela casa, capazes de adicionar textura sem abrir mão da simplicidade.

Cor para transformar o móvel em ponto focal

Mesa de cabeceira cúbica laranja com azulejos brancos, ao lado de um sofá bege. Sobre a mesa, um coelho de cerâmica amarelo, um copo de vinho vermelho, um prato com doces e um pequeno vaso listrado. Cortina branca à esquerda e piso de madeira.
Tons vibrantes fazem da mesa revestida um ponto focal e substituem a necessidade de muitos objetos decorativos (@cubitre/Instagram/Reprodução)

Se nas versões minimalistas o destaque está na forma, aqui é a cor que assume o protagonismo. Tons intensos como vermelho, terracota, laranja queimado e azul-cobalto transformam mesas de centro e laterais em verdadeiros pontos focais da decoração.

Mesa de cabeceira quadrada de azulejos marrons com rejunte branco, com três vasos de plantas no topo e dois livros dentro de um nicho. À direita, um vaso de planta maior no chão de madeira, contra uma parede branca
Além das mesas, cubos revestidos funcionam como bancos, apoios ou mesas laterais, ampliando as possibilidades da tendência (@_piedcarre/Instagram/Reprodução)

Ao revestir completamente a estrutura, a cerâmica cria uma aparência monolítica difícil de reproduzir com pintura. O brilho natural do esmalte, somado às pequenas variações entre uma peça e outra, acrescenta profundidade à superfície e faz com que o móvel mude de aparência conforme a iluminação do ambiente.

Mesa de centro retangular vermelha com acabamento em azulejos brilhantes, sobre um tapete claro de estampa geométrica. Sobre a mesa, um vaso branco com folhagens verdes, uma luminária pequena vermelha e uma travessa verde em formato de folha. Ao fundo, um móvel de madeira com televisão e um sofá de couro marrom
Cores intensas reforçam o caráter escultural das tile tables e acrescentam contraste aos ambientes neutros (@azulabdesign/Instagram/Reprodução)

Essas tonalidades funcionam especialmente bem em salas de base neutra, onde uma única peça colorida já é suficiente para quebrar a monotonia visual. Ao mesmo tempo, também podem compor interiores maximalistas, dialogando com obras de arte, tapetes estampados e tecidos coloridos.

Sala de estar com sofá verde-escuro, almofadas listradas e lilás, manta xadrez lilás e branca. Uma mesa de centro verde-clara com azulejos, tapete roxo e quadros de arte Bauhaus na parede branca.
Em salas de estar, as tile tables funcionam como peças de destaque e ajudam a introduzir textura e cor sem sobrecarregar o ambiente (@colonia.store/Instagram/Reprodução)

A escolha das cores remete ainda a uma estética retrô, inspirada nos interiores das décadas de 1960 e 1970, mas reinterpretada por meio de linhas limpas e proporções contemporâneas.

Estampas e grafismos atualizam a azulejaria tradicional

Quarto com parede listrada clara, quadro de ondas fortes, sofá branco com almofadas listradas e azuis, e mesa de cabeceira azul e branca com luminária de garrafa de vidro e livro STARCK
Paginações gráficas transformam o tampo da mesa em um painel decorativo inspirado na azulejaria (@diegorevollo/Reprodução)

Outra vertente da tendência aposta na força dos desenhos. Em vez de revestimentos lisos, entram em cena azulejos estampados, composições geométricas e paginações gráficas que transformam o tampo da mesa em um grande painel decorativo.

Os padrões inspirados na azulejaria portuguesa resgatam uma tradição centenária, enquanto desenhos geométricos e composições em preto e branco aproximam essas peças de uma linguagem mais contemporânea. Em muitos casos, a paginação continua pelas laterais do móvel, criando um efeito contínuo que reforça o caráter artesanal do trabalho.

Mesa de centro retangular com azulejos brancos e desenhos florais azuis, um vaso branco com folhagens verdes e um livro The New Mediterranean sobre ela. Ao fundo, armários brancos e uma cortina translúcida. Em primeiro plano, parte de um sofá claro.
Azulejos estampados reinterpretam referências clássicas da cerâmica e adicionam personalidade ao mobiliário contemporâneo (Potilier/Pinterest/Reprodução)

O interessante é que cada composição produz um resultado completamente diferente. Enquanto estampas florais deixam o ambiente mais acolhedor, desenhos gráficos conferem um aspecto quase arquitetônico à peça.

Mesa de cabeceira em formato de cubo com azulejos pretos e brancos, exibindo uma luminária laranja em forma de cogumelo, um gato da sorte dourado, um pequeno pote com moedas e uma planta verde. Ao fundo, um cesto de palha.
O clássico xadrez em preto e branco mostra como grafismos também fazem parte da tendência das mesas revestidas (@kim.kaos/Instagram/Reprodução)

Para equilibrar o conjunto, vale combinar esse tipo de móvel com sofás de linhas retas, madeira natural e tecidos lisos, permitindo que o revestimento permaneça como protagonista.

Pastilhas valorizam textura e acabamento artesanal

Duas mesas de cabeceira quadradas, uma verde e outra branca, com uma máquina de café e xícara na verde, e um prato com biscoitos na branca. Ao lado esquerdo, um sofá bege com almofada.
As pequenas pastilhas criam uma superfície uniforme e valorizam o aspecto artesanal do revestimento (@boojik.studio/Instagram/Reprodução)

As pastilhas oferecem uma leitura diferente da produzida pelos azulejos tradicionais. Como são menores, permitem acompanhar curvas, criar superfícies mais delicadas e explorar nuances de cor que enriquecem o acabamento.

Em muitos projetos, não há apenas uma tonalidade. Diferentes variações de verde, azul ou bege aparecem misturadas na mesma peça, produzindo um efeito visual mais orgânico e reforçando o aspecto artesanal do revestimento.

Sala de estar com sofá verde-oliva em L, mesa de centro retangular de azulejos azuis, tapete persa e luminária pendente vermelha. Na mesa lateral, um abajur listrado e um bonsai. Na parede, quadros com imagens de praia
O revestimento cerâmico transforma a mesa de centro em um dos principais elementos da decoração, mostrando como as tile tables levam os azulejos para além das paredes (@jennipupulandia/Instagram/Reprodução)

Outro diferencial está na maneira como a luz interage com a superfície. Cada pequena pastilha reflete o ambiente de forma ligeiramente diferente, criando um brilho irregular que evidencia a textura da cerâmica e torna o móvel mais interessante visualmente. A aplicação, quando em placas, também se torna mais prática do que revestir com azulejos.

A tendência chega a bancos, banquetas e nichos

Dois bancos retangulares de mosaico, um maior em tons de azul e verde, e outro menor em tons de roxo e bege, sobre um piso de madeira. Ao fundo, um móvel de madeira ripada, um sofá verde e um pufe redondo.
A mistura de tonalidades acrescenta profundidade visual e evidencia o trabalho manual da composição (Boobam/Reprodução)

Embora o nome tile table faça referência às mesas, a tendência rapidamente se expandiu para outras tipologias de mobiliário. Hoje, é comum encontrar bancos, banquetas, aparadores, nichos e cubos multifuncionais completamente revestidos por azulejos ou pastilhas.

Os cubos são especialmente versáteis. Dependendo da composição, podem funcionar como mesa lateral, criado-mudo, banco ou apoio para vasos e objetos decorativos. Já as versões com nichos incorporados oferecem espaço para livros e acessórios, agregando funcionalidade ao desenho.

Essa flexibilidade permite adaptar a técnica tanto a apartamentos compactos quanto a casas maiores. Além da sala de estar, os móveis revestidos também aparecem em varandas, quartos, home offices e áreas gourmet, criando uma linguagem visual contínua entre diferentes ambientes.

Estruturas metálicas deixam a tendência mais leve

Duas mesas de centro quadradas com tampos de azulejos, uma verde e outra amarela, sobre um tapete claro, ao lado de um sofá laranja. A mesa verde tem uma revista aberta, e a amarela, um copo escuro. A luz do sol incide sobre o sofá e o tapete
Nesta releitura da tile table, o revestimento cerâmico aparece apenas no tampo, enquanto a estrutura metálica deixa o conjunto mais leve e contemporâneo (@zeccastyles/Instagram/Reprodução)

Nem todas as tile tables são compostas por blocos revestidos. Outra interpretação da tendência combina tampos cerâmicos com bases metálicas, criando uma estética mais leve e contemporânea.

Nesse tipo de projeto, a estrutura de aço deixa de competir com o revestimento e funciona como um suporte discreto para destacar a superfície revestida. O contraste entre o metal e a cerâmica aproxima o artesanal do industrial, tornando a peça mais fácil de integrar a diferentes estilos de decoração.

A solução também reduz o peso visual do mobiliário e pode ser uma boa alternativa para quem deseja incorporar a tendência de maneira mais sutil, sem abrir mão do charme proporcionado pelos azulejos.

Como fazer uma tile table em casa

Além de inspirar projetos assinados por designers, a tendência também pode ser reproduzida em versões artesanais. A estrutura normalmente é construída em MDF naval, compensado, concreto celular ou alvenaria, materiais capazes de suportar o peso do revestimento cerâmico.

Uma das formas mais práticas de executar o projeto é utilizar placas prontas de pastilhas, vendidas em telas, que facilitam o alinhamento e aceleram a instalação. Outra possibilidade é trabalhar com azulejos individuais, permitindo criar paginações personalizadas, desenhos geométricos ou combinações de estampas.

Abaixo, a influenciadora @izaapinheiro ensina o passo a passo para fazer uma versão como o móvel dela por R$ 380. A peça teve como base uma caixa de MDF e foi revestida com pastilha de vidro. Para o acabamento, ela utilizou rejunte, corantes para o rejunte e cola PU40. Confira:

Depois de pronta a base, basta aplicar uma argamassa colante específica para cerâmica, instalar as peças, preencher as juntas com rejunte e finalizar a limpeza da superfície. Para móveis que ficarão em áreas externas ou sujeitos à umidade, vale optar por produtos indicados para esse tipo de uso.

A mesma técnica pode ser aplicada em mesas de centro, mesas laterais, bancos, banquetas, aparadores, nichos e até painéis decorativos. O resultado é um móvel personalizado, resistente e com forte apelo artesanal, mostrando que a cerâmica pode ir muito além do revestimento de paredes.

 

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