Este charmoso apartamento em Higienópolis não tem medo das cores
Conheça o apartamento vibrante da influenciadora Lu Nunes em um icônico prédio de Artacho Jurado, um refúgio autêntico
O piso de caquinhos da varanda foi o primeiro sinal de que aquele apartamento tinha potencial. Em um prédio clássico do bairro de Higienópolis, em São Paulo — projetado por Artacho Jurado —, o detalhe foi decisivo para sua moradora, a influenciadora Lu Nunes, que se identificou de imediato: “Eu sou apaixonada por São Paulo. Eu odeio quem fala mal da cidade. As pessoas dizem que não tem isso ou aquilo, mas tem tudo. É só saber enxergar as belezas”.
A fala resume um olhar que se repete em diferentes pontos da casa. Luiza gosta, principalmente, de valorizar o que já existe, o que carrega história e aquilo que foge do padrão homogêneo. Antes mesmo de morar ali, já tinha interesse por esse tipo de arquitetura.
“Adoro observar os prédios e andar pela cidade vendo os detalhes. Sempre gostei dessa coisa mais antiga, mais colorida.” O trabalho do arquiteto responsável pelo edifício da década de 1950 — conhecido justamente por introduzir cor e ornamento em meio à verticalização cinza de São Paulo — se conecta diretamente com esse repertório.
O apartamento onde vive hoje com o namorado, Theo, foi ocupado por eles há menos de dois anos. A configuração atendia a uma demanda prática: além do quarto, era importante ter espaços de trabalho, já que ambos atuam em casa.
No caso dela, isso tem impacto direto na forma como o ambiente é pensado. Influenciadora de lifestyle, Lu produz grande parte do conteúdo dentro do próprio lar. “Eu preciso desses cantinhos, desses cenários”, explica.
Apesar disso, a casa não foi pensada só para funcionar como pano de fundo, foi sendo construída aos poucos e sem pressa.
“Eu sinto que montar uma casa é uma atividade que nunca tem fim. Acho isso gostoso, porque senão… Ah, daí acabou? Não tem mais nada para pôr? Mas sempre tem alguma coisinha que você pode mexer, um canto que você olha e pensa: ‘e se eu colocar algo aqui?’.”
Apesar de morarem de aluguel atualmente, o que poderia limitar intervenções mais profundas, isso acabou orientando as escolhas do casal. “Tem muita gente que não mexe porque é alugado, mas dá para fazer muita coisa. A gente quis mostrar isso também.”
As mudanças foram pensadas para serem reversíveis, mas ainda assim transformaram bastante o espaço. A cozinha, por exemplo, estava originalmente cinza. “Era horrorosa”, diz a moradora, que evita esse tipo de tonalidade.
A solução foi envelopar os armários, criando uma base azul intensa que muda completamente a leitura do ambiente. Hoje, a bancada é repleta de peças de cerâmicas e pequenos itens decorativos.
A mesma lógica aparece em outros espaços, como nas paredes do pequeno hall de entrada, com listras em off-white e bordô. A finalização gráfica foi pintada manualmente, com inspiração em referências parisienses e também em uma estética mais lúdica.
No escritório, que também abriga o closet da moradora, o xadrez foi feito à mão, “quadradinho por quadradinho”, como ela descreve. Já a parede azul da sala, onde ficam quadros que carregam memórias de viagens, segue o mesmo princípio.
“A gente que pintou tudo. Eu gosto muito desse processo. Acho que fica mais especial porque você vai construindo o seu espaço.”
Faça você mesma
O fazer manual é um reflexo direto da sua formação. Lu estudou em escolas construtivistas, onde atividades práticas e criativas eram parte do cotidiano.
“Se você me pedir para fazer uma conta, talvez eu não saiba, mas tudo que é manual eu dou um jeito”, brinca. O incentivo à criação também vinha de casa. “Minha mãe sempre fez tricô, minha avó bordava, minha tia-avó tinha marcenaria.”
A irmã também entra nesse processo: foi ela quem costurou detalhes de peças como os abajures do quarto. “Eu comprei a base, pintei, escolhi o tecido e minha irmã costurou. Toda vez que os vejo, lembro dela.”
Esse repertório aparece em vários detalhes do lar, incluindo as almofadas feitas com tecidos comprados no Brás, móveis herdados, objetos adaptados e cortinas pensadas para trazer textura.
“Eu gosto de fazer coisas personalizadas. Mesmo quando compro, depois eu vou lá e mexo, coloco minha carinha.”
O garimpo também faz parte do processo. “Eu adoro fuxicar brechó, trazer itens de viagem, coisas antigas.”
Na sala, uma mesa redonda de madeira escura herdada da tia-avó ocupa um lugar central. Os tapetes do pai — hoje na sala e na cozinha — também carregam uma história particular.
“Uma vez, ele comprou uns 20 tapetes de um amigo e ficava oferecendo pra gente. Na época, não queria. Depois que ele morreu, virou briga entre minhas irmãs e eu.”
Os muitos objetos garimpados trazem sua trajetória para dentro do apartamento. E as cores intensas nas paredes ajudam a contar essa narrativa.
Ela diz gostar de “casa com vida” e, desde o início, tinha clareza sobre o que não queria: nada muito neutro ou que remetesse ao estilo industrial. Evita especialmente o cimento queimado e referências mais frias, preferindo ambientes com “cara de história, meio casa de vó”.
Ao mesmo tempo, houve um ajuste em relação a fases anteriores. “Teve uma época que minha casa era muito casinha de boneca”, conta. A intenção agora era manter as cores, mas de forma mais equilibrada, menos literal.
A solução foi trabalhar com tons mais intensos, porém combinados a elementos que dessem contraponto, como o chão de taco da sala. “Eu não tenho medo de cor. Se fosse tudo branco, eu não iria gostar. Me sentiria desconfortável.”
De portas abertas
Receber pessoas é uma parte importante do uso da casa. A sala, integrada à cozinha, concentra a maior parte das atividades do dia a dia e também os encontros. “Eu faço tudo ali. Leio, trabalho, recebo.”
A varanda, com o piso de caquinhos, é mais usada aos fins de semana, principalmente para refeições ao ar livre. Luiza não cozinha com frequência, mas se dedica intensamente à mesa posta. A escolha das louças varia de acordo com quem está sendo recebido.
“Dependendo da pessoa, eu monto de um jeito. Tenho coleção de xícaras, então penso qual combina com cada um.” O hábito vem de família: “Minha mãe sempre recebeu muito, minha avó também. Acho que eu peguei isso delas”.
Essa dinâmica, que mistura encontros, rotina e trabalho no mesmo espaço, também reflete uma mudança mais recente na relação dela com a casa. Durante muito tempo, evitava ficar dentro do próprio lar. “Eu não conseguia. Se estava sol, eu queria estar lá fora. Tenho uma sede de viver muito grande.”
Além disso, sua agenda sempre foi cheia, com compromissos e encontros. Aos poucos, seus objetivos começaram a mudar. “Eu estou aprendendo a ficar mais em casa. E ter um apartamento gostoso ajuda muito.” O espaço passou a ser também um lugar de pausa, de recarregar as energias.
É nesse mesmo ambiente que o trabalho acontece — e, em muitos aspectos, se mistura à vida cotidiana. O percurso profissional de Luiza foi se desenhando a partir das experiências que ela já vinha acumulando. “Eu nunca escolhi ser influenciadora. Foi acontecendo.”
Formada em rádio e TV, começou em grandes emissoras de rádio, passou pelo mercado de moda e sempre esteve ligada à comunicação.
A presença nas redes cresceu de forma gradual, acompanhando esse percurso e incorporando habilidades que ela já desenvolvia — da criação de conteúdo à familiaridade com câmera e roteiro. Durante a pandemia, passou a produzir mais vídeos da sua rotina.
“Quando as marcas perceberam que o digital era o caminho, eu já estava fazendo.” A partir daí, estruturou melhor o trabalho e ampliou sua atuação: looks do dia, roteiros pela cidade, viagens pelo mundo e vida saudável.
Mesmo com o crescimento, faz questão de ter escolhas conscientes sobre seu ritmo. “Eu poderia ser maior, mas prefiro me manter menor e manter minha verdade.” Isso se reflete tanto no tipo de conteúdo quanto nas parcerias que aceita. “Eu só faço o que eu gosto, o que faz sentido para mim.”
Em paralelo, segue investindo na atuação, um interesse antigo, que nasceu quando ainda era criança. “Eu sempre quis ser atriz.” Hoje, concilia a produção de conteúdo com aulas e estudos de dramaturgia.
O lar atual reflete bem esse momento, já que as casas sempre acompanham suas fases da vida. Hoje, aos 32 anos, ela representa um equilíbrio maior entre movimento e pausa.
“Eu ainda tenho essa vontade de viver tudo, de estar em todos os lugares. Mas entendi que também preciso me recolher, respirar.”
O apartamento segue em transformação, com mudanças pequenas e constantes, mas já consolidado como um espaço onde ela consegue tanto produzir quanto desacelerar. E talvez seja isso que torna a sua morada tão especial, não apenas pelos garimpos e habilidade com as cores, mas pelo fato de que, ali, Luiza encontrou um lugar onde também pode, finalmente, pertencer.
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