Juliette: “Não investi em luxo, investi em dignidade”
Juliette revela como a educação e escolhas conscientes moldaram sua trajetória do BBB à construção de um legado
Juliette viu sua vida mudar em poucos meses. Em janeiro de 2021, era uma advogada formada pela Universidade Federal da Paraíba, maquiadora e vinda de uma realidade difícil quando entrou no Big Brother Brasil. Três meses depois, deixou o programa como vencedora do principal reality show do país, com mais de 20 milhões de seguidores no Instagram e já inscrita na história como uma das participantes mais marcantes de todas as edições.
Cinco anos se passaram e Juliette mantém a credibilidade intacta. Vinda de uma realidade simples, ela decidiu ainda cedo que transformaria a própria vida — e que isso passaria, necessariamente, pela educação. “Eu sempre entendi a educação como a única possibilidade de mudar minha realidade. Só trabalhando, minha família repetia ciclos e a vida não mudava”, afirma.
Prestes a participar da Casa Clã 2026, maior encontro feminino da Editora Abril, em um talk sobre influência e construção de patrimônio, a cantora, empresária e comunicadora conversou com CLAUDIA sobre os caminhos que a trouxeram até aqui.
Da realidade simples ao fenômeno nacional: a virada de Juliette após o BBB
Juliette começou a trabalhar ainda na infância. Aos 12 anos, já ajudava a mãe, que improvisava um pequeno salão de beleza. “Minha mãe colocava um espelhinho numa árvore, as pessoas passavam a caminho da feira, ela cortava o cabelo e eu limpava. Começamos cobrando R$ 1 e, assim, compramos nossa primeira casa.”
Dois anos depois, assinou a carteira como jovem aprendiz. Ainda assim, sabia que a verdadeira mudança viria pelos estudos.
“A minha família não teve dignidade, mas vai ter. Corri atrás disso de todas as formas, peguei na mão da minha mãe para ensinar a escrever o nome, fiz minha própria matrícula na escola. Pensava que, por meio da educação, poderia transformar a vida dos que viessem depois na minha família”, diz.
Educação como estratégia de ascensão e quebra de ciclos familiares
Quando sua realidade financeira mudou radicalmente após deixar o Big Brother Brasil, Juliette decidiu que uma das prioridades seria investir na formação dos sobrinhos. “Era o meu sonho dar à minha família acesso à educação. Com meus irmãos, não consegui, já era tarde, e isso sempre me entristeceu. Mas com meus sobrinhos ainda havia tempo. Montei uma estratégia de estudos para eles: cada um vai ser responsável por quebrar um ciclo. O primeiro que se formar já quebra essa repetição.”
Embora muitas pessoas sintam culpa ao ascender socialmente enquanto a família permanece em outra realidade, Juliette conta que, antes de entrar no programa, o sentimento predominante era de lamentação. “Não foi culpa minha, são frutos de uma estrutura muito maior do que eu. Estou inserida nela, mas não sou responsável por ela.” Ainda assim, as diferenças dentro de casa sempre a atravessaram. “Eu estudava, meus irmãos trabalhavam o dia inteiro. Isso me doía.”
Ao deixar o programa, ela tinha clareza sobre onde queria investir primeiro. “Não investi em luxo ou superficialidade, investi em dignidade: educação, saúde, moradia. E já colho os frutos. É bonito ver meus sobrinhos interessados, sonhando, enxergando possibilidades.”
Com a ascensão meteórica, vieram também novas responsabilidades. “No início, foi assustador. Eu me perguntava que habilidades precisava ter para gerir tudo aquilo. Meus sonhos eram outros — carreira jurídica, ser defensora, delegada — e, de repente, precisei repensar tudo.”
Depois de um período de adaptação, decidiu direcionar energia para a carreira artística. “A primeira coisa foi colocar os pés no chão e reconhecer o território.” Desde então, construir e sustentar esse legado passou a ser parte central do caminho.
Fama, negócios e propósito: como Juliette constrói um legado sustentável
“Não nasci nesse universo. De uma hora para outra, me vi nele. Construir uma carreira aos poucos já é desafiador, mas construir uma carreira que já nasce grande e conseguir sustentá-la é um desafio ainda maior. Esse foi o meu.”
A forma como conduz a própria trajetória ajuda a explicar sua permanência em evidência. “Com a fama, vem uma avalanche de interesses. É preciso separar o que é seu, o que condiz com seus valores, do que é só hype. Sempre tive claro o que queria para minha vida, e quero deixar meu legado.”
Essa mesma lógica orientou a decisão de adiar o lançamento de sua marca de maquiagem, apesar dos pedidos do público e do interesse do mercado. “As melhores decisões não são rápidas. Existe a ilusão de que basta colocar uma marca no mercado. Ela até nasce, mas pode não ser sua.”
Juliette preferiu assumir pessoalmente o processo. “Recebi inúmeras propostas, mas em nenhuma eu via minha alma no produto. Eu venderia algo com meu nome, mas que não era meu de fato.”
Agora, após um ano de negociações e com contrato assinado, o projeto começa a ganhar forma. “Estudei muito, entendi o mercado, os produtos. Hoje, estou segura para lançar algo que seja realmente meu — não apenas um nome no rótulo, mas uma construção duradoura.”
Sobre a Casa Clã 2026
Casa Clã 2026 tem patrocínio de Dermacyd, apoio da Secretaria de Políticas para a Mulher do Estado de São Paulo, do Governo do Estado de São Paulo e da Brutal Fruit, além de parceria com a Casa Bontempo.
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