Conheça a casa de Cici Navarro: arcos, maximalismo e muitas cores
Proprietária da Dra. Cherie, que revolucionou a moda para profissionais da saúde, a empresária mostra os detalhes de sua casa inspirada pela ousadia
Ana Cecília Navarro sempre foi inconformada — no melhor sentido da palavra. Toda vez que se via numa situação cômoda, realizada, logo procurava alguma forma de se reinventar.
Criada em São João da Boa Vista, no interior de São Paulo, teve uma infância tranquila ao lado da irmã mais velha, Ana Carolina, e sempre sonhou alto.
Ingressou na faculdade de Odontologia e, já formada, percebeu que havia algo que não a representava no mercado. “Sempre gostei muito de moda, no sentido de sempre ter sido muito vaidosa. Mas não tinha ainda uma ambiência que me proporcionasse estudar o assunto.
Vim do interior, e quando cheguei em São Paulo e me deparei com o mercado, procurei me vestir melhor para o meu paciente, queria expressar meu estilo.”
Quando foi buscar uma roupa de trabalho que a ajudasse a traduzir sua identidade, não encontrou nada que fosse além das peças padronizadas e sem apelo estético.
Assim, com um investimento de dois mil reais de cada irmã, Cici, junto à Ana Carolina, lançou a Dra. Cherie em 2014, marca de jalecos e vestuário profissional alinhados a tendências de moda.
“Tínhamos minha irmã e eu de sócias, e minha mãe se juntou para trabalhar com a gente, então tudo começou num núcleo familiar realmente muito pequeno. Eu vendia as peças nas pós-graduações que fazia, nos trabalhos que tinha, e a minha mãe para as pessoas no interior”, relembra.
“Já a minha irmã postava tudo nas redes sociais, surfamos uma grande onda, porque foi bem no início que aconteceu aquele boom do Instagram. Já estávamos nos posicionando por lá e criando uma grande comunidade, sempre dando atenção e pertencimento às pessoas, principalmente para as que na época não tinham essa solução.”
Hoje, a marca conta com nove lojas físicas espalhadas pelo Brasil, 200 colaboradores e dezenas de revendedores por todo o país.
Com o sucesso, a empresária expandiu os negócios para o Café Cherie, uma cafeteria em São Paulo estilizada e ligada à experiência da marca, com espaços que cruzam moda e lifestyle.
Também criou a Cici Navarro Collection, sua linha de roupas workwear para além dos jalecos, com peças pensadas para o cotidiano — e ainda de uma linha masculina.
O sucesso dos empreendimentos foi tão fora da curva que, em 2019, a empresária foi reconhecida pela Forbes Under 30 e como top perfis empreendedores.
As collabs também são um ponto forte: a Dra. Cherie já teve linhas em parceria com Swarovski, Disney, Colgate, Barbie, PatBO e Smiley.
A transição da dentista para empreendedora foi gradual. “Eu sempre falo que a gente tem que olhar se o terreno é certo de verdade, não dá para fazer uma loucura.” Quando percebeu que não conseguia mais conciliar as duas frentes, dedicou toda sua energia ao negócio familiar.
O resultado foi que, em 2021, o grupo consolidou-se como um sucesso no mercado, alcançando um faturamento anual de R$ 59 milhões, segundo reportagem da Exame.
Criar raízes
Se a marca traduz sua expressão no ambiente de trabalho, sua casa reflete sua identidade fora dos holofotes. Em julho de 2024, grávida do primeiro filho, Cici mudou-se para um sobrado de 380m² na capital paulista.
A casa era antiga, com estrutura sólida, mas com uma estética distante do que imaginava. O projeto começou com um desejo firme, um lar com cara de casa: “Eu sempre sonhei em ter uma casa. Principalmente quando eu tivesse uma família”.
Sua energia autêntica pode ser observada com clareza no espaço. É num sobrado cheio de cores que a empresária decidiu construir sua vida.
A moradia foi escolhida pelo casal por apresentar um espaço amplo, a possibilidade de uma área gourmet espaçosa integrada ao estar para receber amigos e família, pelo janelão generoso da sala que proporciona a entrada de luz e, sobretudo, um quintal que permitiu muitas plantas e uma piscina, como sempre desejou.
Criada no interior, ela associa as boas memórias à ideia de amplitude. “O nosso grande sonho é poder dar para os nossos filhos aquilo que a gente teve.”
A reforma, feita enquanto a família já habitava o espaço, foi intensa e liderada por Natalia Jacob, profissional da NJ Arquitetos, de Belém. O briefing para a arquiteta partiu de um conceito entre o retrô e o contemporâneo, mesclando garimpo e peças sob medida.
“A gente queria ter essa casa meio vintage moderna, que trouxesse aconchego, que fosse viva, colorida e que usasse o antigo ao nosso favor.” Um exemplo desse mix é um aparador com espelho no hall de entrada, todo em dourado.
A peça (foto acima) já estava na casa quando foi adquirida pelos novos moradores e ganhou alguns ajustes. Ao redor, um verde intenso nas paredes, boiseries e quadros com pegada moderna de artistas como Johnny Betti.
“Queria o verde porque é uma cor que traz um toque de natureza, de calma e ao mesmo tempo é viva”
Cici Navarro
A paleta de cores também foi escolhida pela moradora, que buscava algo vivo e longe do neutro. “Eu queria muito o verde na minha casa, porque eu acho que é uma cor que traz um toque de natureza, de calma e ao mesmo tempo é viva.”
O rosa, assinatura da marca, também aparece em tons mais suaves. Esse espaço moderno se junta a obras com muita história, caso dos quadrinhos acima do sofá vindos do Instituto Maria do Barro, descobertos pela moradora durante uma edição da CASACOR.
O maximalismo, uma das paixões da empresária, aparece na mistura de listras, xadrez e estampas, sendo equilibrado por móveis mais sóbrios.
Foi com essa criatividade em mente que recriou um dos banheiros a partir de uma escultura em cerâmica em formato de nadadora, trazida de uma viagem para Trancoso. A peça se expandiu para uma pintura por todo o espaço, feita à mão pela artista Nína Coen.
Linguagem autêntica
“Acredito que é uma casa que tem a minha cara. Ela transborda aquilo que sou”
Cici Navarro
Em tempos de minimalismo predominante, Cici preferiu o excesso bem calculado. Para ela, a casa precisa refletir sua essência. “Acredito que seja um lar que tem a minha cara. Ele transborda aquilo que eu sou.”
E completa: “Essa coisa mais ousada, de ter uma essência e uma autenticidade em tudo que faço, acho que vale para todos os âmbitos”.
Ela rejeita a ideia de morar em um espaço impessoal. Se antes flertou com o minimalismo e um décor mais contido em suas moradias passadas, agora a intenção é fugir da neutralidade — e isso vem muito da sua aproximação com assuntos relacionados à arquitetura, que ganhou mais espaço em sua vida nos últimos anos.
“Creio que consegui deixar claro isso aqui dentro, de trazer uma atmosfera aconchegante, de voltar o olhar para dentro”
Cici Navarro
“Eu acho que tem que ser algo que eu olhe e fale: ‘Nossa, isso me deixa empolgada com a vida’. Mas, ao mesmo tempo, não é uma casa que sobrecarrega visualmente. Estamos vivendo um momento de olhar para trás com nostalgia, das gerações passadas quererem vivenciar aquilo que viveram lá atrás; ou talvez nem tenham vivido. Creio que consegui deixar claro isso aqui dentro, de trazer uma atmosfera aconchegante, de voltar o olhar para dentro.”
Entre os xodós dos moradores estão o teto listrado, o canteiro de plantas que emolduram todo o quintal, a ilha da cozinha com tecido aplicado nas cadeiras e o cantinho onde trabalha e toma café, posicionado entre a sala de jantar e a de TV.
A piscina, desejo antigo, materializa a ideia de infância ao ar livre, que agora pode ser usufruída por Matteo, seu filho de um ano, e Martina, que chega em breve.
A casa passou a funcionar como ponto de ancoragem em meio a uma dinâmica intensa de mãe, empresária e influenciadora. “Todos os dias pela manhã eu tenho uma rotina que é: acorda, agradece, toma café e vai”, conta ela sobre o ritual já conhecido de suas seguidoras.
O gesto simples, repetido diariamente, sintetiza um momento de vida em que trabalho e família acontecem simultaneamente.
E com uma rotina tão complexa e cheia de compromissos, não poderia ser diferente: o lar, para Cici, é o melhor lugar para se estar. “Quando a gente chega em casa, acho que não tem nada mais gostoso do que viver nossa rotina no lugar que a gente ama.”
Se a empresa familiar nasceu de uma necessidade de afirmação no ambiente de trabalho, a casa consolida uma expressão no campo pessoal. Sobretudo, com muito propósito.
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