Semana do consumidor: Claudia por apenas 9,90
Imagem Blog

Por trás da moda

Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Renata Brosina é jornalista, host de podcast e editora de moda com foco em luxo e sustentabilidade. Com 15 anos de carreira e alguns títulos internacionais no currículo, ela é curiosa, gosta de entrevistar e vestir pessoas, e analisar as transformações que vêm acontecendo no mercado.

As atrizes que transformaram vestidos em história do cinema

Ao longo das décadas, moda e cinema passaram da mera amizade entre costureiros e estrelas para chegar aos curtas-metragens

Por Renata Brosina
14 mar 2026, 16h00 •
Em uma cena de A Sereia do Mississipi, Catherine Deneuve contracena com um personagem em meio à neve. Vestindo um casaco escuro elegante e com o cabelo preso em um sofisticado coque, a atriz exibe a feminilidade elegante, fria e calculada do guarda-roupa criado por Yves Saint Laurent
A feminilidade elegante, fria e calculada do guarda-roupa criado por Yves Saint Laurent para a personagem de Catherine Deneuve em "A Sereia do Mississipi" (Reprodução/Getty Images)
Continua após publicidade
  • Em tempos de premiações de cinema, estamos acostumados a ver looks glamourosos atravessando o tapete vermelho — alguns vindos diretamente das passarelas, outros saídos dos ateliês sob medida (ou da alta-costura) das marcas.

    Embora hoje seja menos comum o envolvimento direto de estilistas na criação de figurinos exclusivos para um longa metragem — ainda que muitas celebridades sejam embaixadoras das maisons —, os laços entre moda e a sétima arte sempre foram frutíferos.

    A ponto de estrelas, muitas vezes protagonistas, tornarem-se amigas pessoais de criadores. É o caso de nomes como Hubert de Givenchy e Audrey Hepburn, ou de Yves Saint Laurent e sua musa francesa, Catherine Deneuve.

    Catherine Deneuve aparece ao lado de Anthony Vaccarello em um registro clássico em preto e branco. A imagem simboliza a amizade e colaboração entre atriz e estilista, uma das mais célebres relações entre moda e cinema.
    Catherine Deneuve usando peças Saint Laurent ao lado do estilista, em 1966 (Reprodução/Getty Images)

    No caso de Christian Dior e Marlene Dietrich, a relação — que começou tensa — resultou na frase célebre “No Dior, no Dietrich” (“Sem Dior, sem Dietrich”), quando a atriz exigiu usar criações do costureiro em seu papel de Charlotte Inwood em Stage Fright, lançado em 1950, com direção de Alfred Hitchcock. E razão não lhe faltava. 

    Décadas depois, iniciativas criativas como o projeto Women’s Tales, da Miu Miu, mostram que esse diálogo pode se reinventar — agora sob o olhar autoral de cineastas convidadas a traduzir o universo da marca em linguagem cinematográfica.

    Marlene Dietrich

    Marlene Dietrich aparece em um retrato clássico usando um vestido de gala dramático e volumoso. O visual reflete a elegância intensa e teatral que caracterizava seu estilo e sua ligação com a alta-costura.
    Marlene Dietrich com vestido feito por Christian Dior para seu papel em “Stage Fright” (Reprodução/Getty Images)
    Continua após a publicidade

    Foi após o lançamento revolucionário do New Look, em 1947, que Marlene Dietrich passou a esperar que não precisasse mais usar vestidos florais inocentes e românticos — nada disso correspondia à sua força e estilo. Ela buscava uma elegância autoritária, quase masculina, temperada com uma boa dose de drama.

    Monsieur Dior, por sua vez, estava acostumado à contemplação da sua própria arte e não previa ajustes solicitados pelas estrelas. Para atender aos pedidos da atriz, o estilista precisou abrir mão de alguns de seus cortes tradicionais e aceitar mudanças que preservassem o dramatismo teatral de Dietrich no filme Stage Fright. Antes disso, ela testou cada vestido sob luzes e gestos de cena, para entender o que funcionava ou não.

    Apesar da batalha de egos e da preservação de suas próprias vozes, dessa parceria surgiram vestidos icônicos que equilibravam o glamour da maison com a personalidade dramática da atriz, consolidando uma fidelidade de Dietrich à etiqueta que perduraria mesmo após a morte do costureiro, em 1957.

    Audrey Hepburn

    Audrey Hepburn surge em um visual sofisticado, com óculos escuros e roupa escura elegante, sentada à mesa durante uma refeição. A imagem remete à aura refinada que marcou sua colaboração com Hubert de Givenchy.
    O almoço pós-set de Audrey Hepburn, com look Givenchy, em “A Charada” (Reprodução/Getty Images)

    Talvez a mais famosa relação entre estilista e atriz seja a de Audrey Hepburn com Hubert de Givenchy. Ainda que o icônico vestido da personagem Holly Golightly em frente à vitrine da Tiffany, em Bonequinha de Luxo, de 1961, seja o mais célebre, aquele pretinho básico de cetim não foi o primeiro usado pela atriz em seus filmes.

    Continua após a publicidade

    Pouco antes de iniciar as filmagens de Sabrina, lançado em 1954, um amigo sugeriu que Hepburn visitasse o ateliê do estilista. A partir desse encontro, a atriz e Givenchy tornaram-se inseparáveis — embora ela permanecesse sempre aberta a usar outras grifes.

    Em A Charada, de 1963, sua personagem, uma femme fatale que combinava mistério e modernidade, teve figurinos criados por Givenchy que iam dos visuais pós-ski (com óculos grandes) a casacos estruturados, saias na altura do joelho e peças de alfaiataria ajustadas, com forte exploração de cores vibrantes, como vermelho e amarelo, estampas diversas (incluindo animal print) e acessórios como luvas e chapéus.

    Audrey Hepburn posa com um elegante vestido de alta-costura, com saia ampla e luvas longas, refletindo a estética refinada que se tornou sua marca registrada e que marcou sua colaboração com Givenchy no cinema.
    Audrey Hepburn usando vestido Givenchy para
    a divulgação do filme
    “Cinderela em Paris”, em 1957 (Reprodução/Getty Images)

    Nos longas seguintes, o costureiro permaneceu traduzindo sua sofisticação para a necessidade de cada papel de Hepburn, seja nos vestidos de gala da florista Eliza Doolittle em My Fair Lady (1964), seja nas versões de vestuário urbano para Como Roubar Um Milhão de Dólares, de 1966.

    No ano seguinte, para o suspense Um Clarão nas Trevas, o guarda-roupa foi mais funcional, sem perder a elegância inerente à estética do estilista, com vestidos retos, blusas de corte limpo e uma cartela de cores que variava entre os neutros — cinza, preto, branco e bege.

    Continua após a publicidade

    Mesmo mais discreto, o visual mantinha o acabamento impecável e o corte preciso de um dos mestres da alta-costura.

    Catherine Deneuve

    Catherine Deneuve aparece em uma fotografia clássica em preto e branco, vestindo um conjunto elegante e minimalista enquanto segura um cigarro. A imagem reforça o estilo sofisticado e discreto que marcou sua parceria com Yves Saint Laurent.
    O figurino de Catherine Deneuve em “Belle de Jour”, criado por Yves Saint Laurent é um estudo de elegância burguesa atravessada por tensão erótica e controle (Reprodução/Getty Images)

    A presença de Catherine Deneuve na fila A dos desfiles da Saint Laurent não é mero acaso ou amizade recente com Anthony Vaccarello, atual diretor criativo da maison.

    Reconhecida como uma das maiores musas de Yves Saint Laurent, sua relação com o estilista teve início em meados de 1960.

    O momento mais emblemático ocorreu em Belle de Jour, de 1967, quando o guarda-roupa de sua personagem, Séverine Serizy, refletia a estética minimalista: silhuetas limpas, discretamente sensuais, e uma paleta de cores suave, que se tornaria referência do estilo refinado da atriz e do próprio estilista.

    Continua após a publicidade

    Contos de mulheres

    Uma modelo desfila com um look contemporâneo composto por vestido estampado azul, blusa estruturada e lenço colorido no pescoço. O visual representa o diálogo atual entre moda e narrativa visual.
    Passarela de Verão 2026 da Miu Miu: a coleção da estação ecoa nos figurinos dos filmes do Women’s Tales (Reprodução/Getty Images)

    Foi em 2011 que Miuccia Prada, então diretora criativa da Prada e fundadora da Miu Miu, decidiu que suas coleções poderiam ganhar espaço no cinema através do olhar de Cineastas mulheres. Desde então, a cada seis meses, um curta-metragem do Women’s Tales é apresentado, com figurinos que dialogam com a narrativa — a roupa não conduz a história, mas a acompanha e contrapõe. 

    As peças da etiqueta tornam-se personagens por si só, e cada conto cria um mundo próprio, belo e relevante, habitado pela imaginação singular de mulheres de diferentes continentes e gerações.

    Cena do curta Discipline, do projeto Women’s Tales, da Miu Miu. Em um ambiente austero, figuras vestidas de branco e usando máscaras realizam uma coreografia enigmática, criando uma atmosfera surreal que mistura moda, cinema e performance.
    Cena de Discipline, episódio 31 do projeto Women’s Tales, da Miu Miu (Reprodução/Getty Images)

    No episódio 31, a diretora Mona Fastvold apresenta Discipline, ambientado em um nebuloso internato no norte da Itália. O prédio parece desabitado: janelas fechadas, frio e bonecas em tamanho real manipuladas por figuras mascaradas de branco.

    Continua após a publicidade

    Duplas semelhantes percorrem o dormitório, acompanhando o dia — do recreio à sopa do almoço, até a inspeção da diretora. A narrativa culmina em uma cena de ruptura, êxtase e transformação libertadora, com um look direto da passarela de Verão 2026. No fim, uma jovem interpretada por Amanda Seyfried surge vestida de rosa.

    7 biquínis que fizeram história na cultura pop

    Assine a newsletter de CLAUDIA

    Acompanhe o nosso WhatsApp

    Quer receber as últimas notícias, receitas e matérias incríveis de CLAUDIA direto no seu celular? É só se inscrever aqui, no nosso canal no WhatsApp

    Acesse as notícias através de nosso app 

    Com o aplicativo de CLAUDIA, disponível para iOS e Android, você confere as edições impressas na íntegra, e ainda ganha acesso ilimitado ao conteúdo dos apps de todos os títulos Abril, como Veja e Superinteressante.

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    OFERTA LIBERE O CONTEÚDO

    Digital Completo

    Moda, beleza, autoconhecimento, mais de 11 mil receitas testadas e aprovadas, previsões diárias, semanais e mensais de astrologia!
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    MELHOR OFERTA

    Revista em Casa + Digital Completo

    Receba Claudia impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*
    De: R$ 26,90/mês
    A partir de R$ 9,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês.