Por que tantos homens da Geração Z defendem a submissão da mulher?
Pesquisa global revela que homens da Geração Z surpreendem com visões mais conservadoras sobre mulheres e papéis de gênero
Não são poucos os homens da geração Z que acreditam que as mulheres devem ser submissas aos maridos. Pelo menos um terço deles pensa assim, uma proporção maior do que entre os nascidos antes de 1964, segundo uma pesquisa realizada em 29 países, incluindo Grã-Bretanha, Estados Unidos, Brasil, Austrália e Índia. Especialistas apontam o medo de perder posições sociais como possível motivação.
“Nas gerações anteriores, os homens conseguiam, em termos sociológicos, expressar a masculinidade por meio do papel de provedor”, afirma Heejung Chung, diretora do Global Institute for Women’s Leadership e líder do estudo, em entrevista ao The Guardian.
Homens da Geração Z são mais conservadores
Para cerca de 33% dos homens da geração Z, a palavra final em decisões importantes do casal deve ser do homem. Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, o posicionamento das novas gerações é mais conservador do que o dos mais velhos.
O estudo mostrou que homens nascidos entre 1997 e 2012 têm o dobro de probabilidade de defender visões tradicionais sobre quem deve tomar decisões no casamento em comparação com os nascidos entre 1946 e 1964. No grupo mais velho, apenas 13% concordam que a esposa deve sempre obedecer ao marido.
A pesquisa é realizada anualmente com jovens a partir dos 16 anos pelo Ipsos e pelo Instituto Global de Liderança Feminina do King’s College London.
Há diferenças também em atitudes sobre sexualidade. Cerca de 21% dos homens da geração Z acreditam que uma “mulher de verdade” nunca deveria iniciar o sexo, contra apenas 7% dos homens da geração baby boomer.
As visões sobre independência feminina também diferem: 24% dos nascidos entre 1997 e 2012 consideram que as mulheres não devem parecer muito independentes ou autossuficientes, ante 12% dos homens da geração baby boomer.
Contradições na percepção da independência e sucesso feminino
Nesse ponto, surgem contradições. A mesma geração que representa quase um quarto dos homens que não aprovam mulheres visivelmente independentes é a que, em 41% dos casos, considera mulheres com carreira de sucesso mais atraentes.
Mas eles não apenas impõem regras, como também são afetados por suas próprias expectativas. É o que diz Julia Gillard, presidente do Global Institute for Women’s Leadership, ao The Guardian.
Como normas de gênero afetam comportamento e masculinidade da Geração Z?
“Não apenas muitos homens da geração Z estão impondo expectativas limitantes às mulheres, como também se prendem a normas de gênero restritivas. Precisamos continuar desfazendo a ideia de um jogo de soma zero, no qual as mulheres seriam as únicas beneficiadas em um mundo com igualdade de gênero.”
De fato, cerca de 30% dos homens da geração Z acreditam que não devem dizer que amam seus amigos, contra 20% dos homens da geração baby boomer e 21% das mulheres da geração Z. Já 20% consideram que homens que participam dos cuidados com os filhos são menos masculinos do que os que não participam, contra 8% dos baby boomers homens e 14% das mulheres da geração Z.
Assine a newsletter de CLAUDIA
Receba seleções especiais de receitas, além das melhores dicas de amor & sexo. E o melhor: sem pagar nada. Inscreva-se abaixo para receber as nossas newsletters:
Acompanhe o nosso WhatsApp
Quer receber as últimas notícias, receitas e matérias incríveis de CLAUDIA direto no seu celular? É só se inscrever aqui, no nosso canal no WhatsApp.
Acesse as notícias através de nosso app
Com o aplicativo de CLAUDIA, disponível para iOS e Android, você confere as edições impressas na íntegra, e ainda ganha acesso ilimitado ao conteúdo dos apps de todos os títulos Abril, como Veja e Superinteressante.







