Por que homens afeminados estão despertando desejo feminino?
Especialista analisa as dinâmicas de relacionamento entre mulheres e homens que fogem ao estereótipo do "hétero top"
Quando mulheres influentes, como Bruna Marquezine e Marina Sena, assumiram relacionamentos com homens que fogem do padrão tradicional de masculinidade, frequentemente rotulados como “afeminados”, o debate ganhou força nas redes sociais e na mídia. Com a entrada de Juliano Floss no BBB 26, o tema voltou ao centro das conversas.
Afinal, estamos diante de casos isolados ou há uma mudança real no que as mulheres buscam em um relacionamento, deixando para trás o estereótipo do “hétero top”?
O que é, afinal, um homem afeminado?
Antes de qualquer definição, vale observar como a masculinidade foi construída socialmente. Em algum momento da vida, quase todo mundo já ouviu frases como “para de chorar e vira homem” ou “isso é coisa de menina”. Expressões como essas reforçam uma visão rígida do que seria “ser homem”, geralmente associada à força, frieza e ausência de vulnerabilidade.
Segundo a psicóloga Camila Ribeiro, esse modelo tem impactos profundos no desenvolvimento emocional. “Quando a masculinidade é ensinada como negação da vulnerabilidade, o homem aprende cedo a reprimir emoções e a associar sensibilidade à fraqueza. Individualmente, isso pode gerar dificuldade de comunicação, impulsividade e baixa habilidade de regulação emocional. Muitos não foram ensinados a lidar com frustração sem recorrer à irritação ou ao afastamento”, explica.
Nesse contexto, o termo “homem afeminado” costuma ser usado para rotular aqueles que demonstram sensibilidade, cuidado estético, delicadeza ou maior abertura emocional, características historicamente atribuídas ao feminino. A discussão atual, porém, propõe questionar essa divisão rígida e repensar os padrões de masculinidade.
A relação entre masculinidade e orientação sexual
Quando um homem foge do estereótipo tradicional, frequentemente surgem questionamentos sobre sua orientação sexual. Juliano Floss, por exemplo, foi alvo de ataques homofóbicos, mesmo tendo sua sexualidade publicamente definida.
De acordo com a especialista, essa associação tem raízes culturais. Sociedades patriarcais dividiram comportamentos em categorias fixas: ao homem caberia racionalidade e controle; à mulher, cuidado e expressão emocional. Ao demonstrar sensibilidade, ele rompe com esse roteiro social previamente estabelecido.
É importante destacar que não existe base biológica que vincule sensibilidade à orientação sexual. Emoções são humanas, não têm gênero.
Os homens estão mudando ou é a consciência feminina que evoluiu?
Para Camila, a transformação passa principalmente pelo olhar das mulheres. “À medida que as mulheres conquistaram autonomia financeira, educacional e emocional, o modelo tradicional baseado em autoritarismo deixou de ser suficiente. Hoje, muitas não buscam apenas alguém que ocupe um lugar socialmente esperado, mas alguém capaz de construir parceria emocional”, afirma.
Nesse cenário, qualidades como escuta ativa, diálogo e estabilidade emocional passam a ter mais peso do que posturas dominantes. Não se trata de rejeitar a masculinidade, mas de ampliá-la e torná-la mais equilibrada. “As expectativas afetivas estão mais voltadas para segurança psicológica do que para hierarquia”, completa.
Socialmente, a exaltação da virilidade rígida tende a naturalizar comportamentos autoritários e reduzir o espaço para diálogo nas relações. Uma cultura que valoriza apenas a dureza acaba criando vínculos mais competitivos do que colaborativos. Isso não significa que a masculinidade seja o problema, mas que sua versão inflexível pode gerar consequências negativas para todos.
As armadilhas por trás do “homem sensível”
Por outro lado, também não se pode endeusar homens que demonstram maior sensibilidade, já que sensibilidade isolada não garante responsabilidade afetiva. “Um homem pode expressar emoções e ainda assim agir de forma instável, evasiva ou imatura diante de conflitos. Maturidade emocional envolve reconhecer erros, sustentar o diálogo em momentos de tensão e agir com coerência”, ressalta a psicóloga.
Uma relação saudável não se sustenta apenas pelo discurso ou pela estética da sensibilidade, mas pela capacidade concreta de administrar emoções e reações sem recorrer à violência, manipulação ou jogos de poder.
Transformação cultural ou tendência das redes sociais?
Embora as redes sociais ampliem e acelerem o debate sobre masculinidade e relacionamentos, a especialista aponta que estamos vivendo uma transição mais profunda. “O modelo rígido de masculinidade está sendo questionado, mas ainda não foi totalmente substituído por um padrão equilibrado. O que se observa não é o abandono da masculinidade, mas a tentativa de integrá-la à maturidade emocional”, explica.
No fim das contas, a discussão não gira em torno de preferir homens “mais sensíveis”, mas de desejar relações em que força e sensibilidade coexistam, sem autoritarismo e sem inversões defensivas de papéis. O que está em pauta não é o estereótipo, e sim a busca por estabilidade emocional e relações mais saudáveis.
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