Ninguém esperava, mas o repolho virou tendência na decoração (inspire-se!)
Uma estética improvável transforma o vegetal mais subestimado da cozinha em símbolo do maximalismo
Por anos, a decoração da casa caminhou em direção a uma estética mais neutra, minimalista e previsível. Tons crus, linhas retas, poucos excessos (basta observar a cor do ano da Pantone, o branco Cloud Dancer).
Agora, em um movimento quase irônico — e deliberadamente provocador —, um elemento improvável começa a ocupar mesas, estantes e aparadores: o repolho.
Sim, o vegetal que sempre pertenceu ao universo da cozinha surge como símbolo de uma nova fase do design de interiores, marcada pelo humor, pelo exagero controlado e pela valorização de formas orgânicas.
A tendência, que ganhou tração em relatórios internacionais de comportamento e design, traduz um desejo claro: devolver personalidade e surpresa aos ambientes.
Da horta para a sala de jantar
O repolho aparece sobretudo em objetos decorativos e utilitários. Pratos, travessas, tigelas, vasos e centros de mesa ganham volumes ondulados, texturas marcadas e esmaltações que remetem às folhas do vegetal.
Em muitos casos, a referência é literal; em outros, mais abstrata, evocando apenas o movimento orgânico e a ideia de natureza esculpida.
Essa estética conversa diretamente com o resgate de peças conhecidas como cabbageware — cerâmicas inspiradas em vegetais, populares em outros períodos da história do design, agora revisitadas sob uma ótica contemporânea.
O resultado é uma mistura de nostalgia, irreverência e sofisticação inesperada.
Um antídoto ao excesso de neutralidade
O sucesso do repolho na decoração não é isolado. Ele faz parte de um movimento mais amplo que valoriza o maximalismo, o humor visual e o afastamento da casa “genérica”.
Depois de anos dominados por ambientes que poderiam estar em qualquer lugar do mundo, cresce o desejo por espaços que revelem escolhas pessoais, referências culturais e até certo grau de estranhamento.
Assim, o repolho funciona quase como contrapartida: é orgânico, imperfeito, volumoso e, sobretudo, inesperado. Uma peça em formato de folha sobre uma mesa posta quebra a rigidez do ambiente e cria conversa.
Repolho brasileiro x repolho gringo
Vale esclarecer que, quando falamos em “repolho” no contexto da tendência internacional, nem sempre estamos nos referindo ao vegetal mais comum nas cozinhas brasileiras.
Em inglês, o termo cabbage é mais abrangente e inclui variedades de folhas mais abertas, onduladas e esculturais — como o repolho crespo (savoy) ou o napa —, visualmente mais próximas do que chamamos aqui de alface.
É justamente essa leitura mais orgânica e fluida que inspira a maioria das peças decorativas vistas em mesas e cerâmicas: menos a cabeça compacta e fechada, mais o desenho das folhas, suas texturas e volumes naturais.
É comum que peças chamadas de cabbageware sejam, na prática, inspiradas em:
- Savoy cabbage (repolho crespo), com textura marcada e aspecto mais escultórico
- Napa cabbage (repolho chinês), alongado e com folhas mais soltas
- Variedades ornamentais usadas historicamente em cerâmica e mesa posta
Tendência em casamentos
Um dos casos que ajudou a consolidar essa virada estética aconteceu recentemente em um casamento que viralizou nas redes sociais após imagens mostrarem mesas decoradas com repolhos inteiros, dispostos entre velas e arranjos minimalistas.
A proposta, pensada pela própria noiva como uma leitura contemporânea e orgânica da decoração floral tradicional, acabou fugindo do imaginário clássico e provocou reações imediatas — do encantamento ao estranhamento absoluto.
O episódio transformou o vegetal em símbolo de uma nova ousadia visual no universo dos casamentos, onde a originalidade passou a valer tanto quanto a beleza convencional.
Como usar sem cair na caricatura
Apesar do apelo lúdico, a tendência pede curadoria. O grande segredo para trazer esse elemento no décor é inseri-lo em contrastes, não na repetição excessiva.
Uma travessa escultural, um vaso pontual ou um conjunto de pratos especiais já são suficientes para inserir a linguagem no espaço.
Funciona especialmente bem em mesas de jantar, cozinhas integradas, aparadores e estantes, dialogando com materiais naturais como madeira, linho e cerâmica artesanal.
Em ambientes mais clássicos, a peça vegetal atua como ponto de tensão visual; em espaços contemporâneos, adiciona textura e calor.
As cozinhas que vão dominar 2026: 8 projetos para se inspirar
Assine a newsletter de CLAUDIA
Receba seleções especiais de receitas, além das melhores dicas de amor & sexo. E o melhor: sem pagar nada. Inscreva-se abaixo para receber as nossas newsletters:
Acompanhe o nosso WhatsApp
Quer receber as últimas notícias, receitas e matérias incríveis de CLAUDIA direto no seu celular? É só se inscrever aqui, no nosso canal no WhatsApp.
Acesse as notícias através de nosso app
Com o aplicativo de CLAUDIA, disponível para iOS e Android, você confere as edições impressas na íntegra, e ainda ganha acesso ilimitado ao conteúdo dos apps de todos os títulos Abril, como Veja e Superinteressante.







