Tarô de fevereiro traz a carta mais desconfortável do baralho
Apesar da folia, é tempo de refletir, aceitar a estagnação e abrir mão do controle para novas visões no amor, trabalho e vida
Fevereiro é regido pela carta do Enforcado. O mês pode trazer atrasos, pausas e sensação de estagnação — mas isso não é perda, é ajuste de perspectiva. Ao respeitar o tempo das situações e olhar de outro ângulo, a clareza chega.
Entre a Folia e a Consciência
Um Carnaval com a energia da carta do Enforcado não é só festa: é experiência, entrega e mudança de olhar.
Na imagem da carta no baralho Rider-Waite-Smith, não há dor estampada no rosto — há serenidade. Ele não está preso: está em suspensão porque escolheu soltar o controle e confiar em forças maiores. Ao interromper a necessidade de comandar tudo e se permitir relaxar, percebe que é justamente na entrega que novas perspectivas se revelam, os horizontes se ampliam e os verdadeiros despertares espirituais acontecem. No fundo, ele nos sussurra aquela velha sabedoria: aceita que dói menos.
Mas o Enforcado é, antes de tudo, desconfortável. Difícil, ambíguo e, exatamente por isso, profundamente transformador. Diante dele, não avançamos pela força; avançamos ao recuar, pela consciência, abrindo mão do comando. Sim, é uma carta de lentidão, de pausas obrigatórias, de situações que parecem estagnadas e ninguém gosta disso, né? Queremos tudo para ontem. Ou melhor: para agora.
Não é por acaso que ele figura entre as cartas mais rejeitadas nas leituras. Quando aparece, sinaliza que a resposta não virá como desejamos nem pelo caminho imaginado, muito menos no tempo que planejamos! O Enforcado ensina que certas verdades só se revelam quando desistimos de controlar o desfecho e aceitamos a suspensão como parte do processo.
O temor diante dos ensinamentos revela um traço profundo da sociedade moderna: a aversão à pausa, ao silêncio e à entrega. Vivemos em uma cultura que valoriza a ação constante e desconfia da suspensão, afastando os indivíduos de uma experiência mais profunda com o sagrado. Ao nos recusar a parar, impedimos o encontro com o Divino — que não grita, não disputa espaço, mas se revela justamente quando abrimos mão do domínio e aceitamos ver o mundo por outro ângulo.
O Enforcado é um símbolo dos momentos decisivos da vida, representando a necessidade de parar e avaliar uma situação. Ficamos suspensas no ar até encontrarmos uma nova perspectiva sobre as coisas ao nosso redor, uma maneira adequada de reorganizar ou recomeçar.
Mas essa é, sobretudo, uma carta silenciosa. Não há urgência, nem apelo imediato à ação. Nenhuma grande virada se anuncia. Podemos permanecer ali, em suspensão, reclamando do tempo que não avança. Seu convite é a mudança de perspectiva e, muitas vezes, o exercício paciente de esperar. E sim, isso frustra. Porque não ter as coisas no tempo e na forma que desejamos talvez seja uma das experiências mais difíceis. É justamente aí que ele nos provoca a refletir: será que estamos insistindo em uma “causa perdida”?
Em seu aspecto positivo, a carta aponta para a necessidade de um tempo de reflexão. A pausa — ainda que forçada — abre espaço para reorganizar pensamentos, alinhar ideias e encontrar uma nova forma de lidar com a situação. Por que isso não está avançando? Será que, por trás da aparente estagnação, existe uma proteção divina que ainda não estamos conseguindo perceber?
Fevereiro sob o Arcano do Enforcado
Fevereiro é um mês marcado pelo Carnaval — tempo de excesso, fantasia e distração — essa carta surge como um paradoxo poderoso: enquanto o mundo acelera, o Enforcado convida à suspensão.
Não é por acaso que a folia quebra o ritmo cotidiano e parece suspender o tempo, abrindo um espaço raro para a pausa, o prazer e o afastamento das exigências habituais.
Suspenso na Árvore da Sabedoria, o Enforcado escolhe olhar o mundo de cabeça para baixo. Ao inverter o corpo, expande a mente. O sangue corre para a cabeça, a energia se concentra no pensamento, na percepção e na escuta interna. Ele abre mão, temporariamente, do movimento dos braços e das pernas para não fugir, não repetir, não agir no automático. Sua serenidade revela que esse desconforto não é sofrimento — é consciência.
Este arcano nos lembra que abrir mão de manter os pés firmes no chão pode libertar a mente para soluções inéditas. Ele aceita um desconforto passageiro em troca de conquistas duradouras.
Sim, este arcano representa o sacrifício (um sacro-ofício, ou seja, um trabalho que traz benefícios para além de si mesmo), mas é o sacrifício daquilo que já não é necessário. Fevereiro pede uma renúncia consciente. Abrir mão do automático para cuidar do corpo, buscar novos caminhos profissionais, desenvolver talentos adormecidos ou, simplesmente, alinhar-se ao que faz sentido de verdade. A diversão e a folia podem ser vividas como um rito de passagem: a despedida de uma vida antiga para dar espaço ao novo.
Como ensina o sábio, é na pausa — e não no movimento — que a verdadeira liberdade começa. Não por acaso, ele antecede a carta da Morte no Tarô, lembrando que toda grande transformação nasce primeiro de uma suspensão. “O importante é sermos capazes, a qualquer momento, de sacrificar o que somos pelo que poderíamos nos tornar.” (Charles DuBois)
Fevereiro pede exatamente isso: um intervalo estratégico antes do próximo salto. Nesse sentido, a pausa — inclusive a do feriado — torna-se bem-vinda para afastar pensamentos obsessivos e permitir uma catarse, seja na folia, seja no relaxamento de um descanso merecido.
O Enforcado no Amor
Enquanto o mundo acelera rumo ao excesso, ao barulho e às distrações do Carnaval, o Enforcado surge como um convite paradoxal para fevereiro: pausar para enxergar melhor. Ele não rejeita a festa nem condena o prazer, apenas lembra da importância de se divertir com consciência. Afinal, convenhamos, encontrar o amor da vida em um bloco é possível… Mas pouco provável. Relações que nascem no clima da festa pedem atenção: nem tudo o que encanta no agora se sustenta quando o som diminui. E, neste cenário, a maturidade faz toda a diferença.
O feriado é, por essência, um tempo de inversão: máscaras, papéis trocados, limites flexibilizados. E poucas cartas compreendem tão bem a lógica da inversão quanto o Enforcado. Talvez este seja o momento de soltar a expectativa do “algo sério” e permitir-se viver o que é transitório — um romance breve, intenso e sem promessas. O clássico amor de Carnaval.
O Enforcado no Trabalho
No trabalho, o Enforcado aponta para pausa e reavaliação. Não é o momento ideal para mudar de emprego, iniciar um negócio ou tomar decisões importantes, ao menos não com a visão atual. Algo precisa ser observado por outro ângulo antes que o próximo passo faça sentido.
Essa carta costuma surgir em períodos de estagnação, projetos suspensos ou sensação de bloqueio. Ela não anuncia um fim, mas alerta que forçar avanços agora tende a gerar desgaste. A proposta é usar o tempo de espera para ampliar a consciência e ganhar clareza.
O Enforcado também favorece recuos estratégicos, períodos sabáticos e a escolha consciente de abrir mão de ganhos imediatos em nome de crescimento pessoal ou espiritual.
No campo financeiro, a palavra é contenção: melhor segurar, rever prioridades e evitar riscos.
O sacrifício que liberta
Se você deseja conquistar algo de valor duradouro nesta vida, será necessário fazer escolhas — e, muitas vezes, renúncias. Há algo de reconfortante em saber que, ao assumir os sacrifícios certos e fazer o trabalho necessário, é possível alterar o curso do próprio destino. Qualquer objetivo pode ser alcançado, mas sempre exige que algo seja deixado para trás.
No início, o sacrifício pode parecer uma perda. Mas essa sensação é ilusória. Direcionar tempo e energia para aquilo que realmente te fortalece é, na verdade, um ato de libertação — capaz de romper hábitos, padrões e atitudes que vêm afastando você do próprio progresso.
Se o desejo é cuidar do corpo, talvez seja preciso abrir mão de excessos e rotinas que já não fazem sentido. Para conquistar um novo trabalho, pode ser necessário sacrificar parte do tempo livre em busca de oportunidades e conexões que abram portas. Para desenvolver um talento, será inevitável renunciar ao conforto e dedicar horas ao aprimoramento.
E, para se libertar da insatisfação, talvez seja necessário o sacrifício mais desafiador de todos: abrir mão de velhos hábitos, rotinas automáticas e da falsa segurança do status quo — exatamente como ensina o sábio Enforcado.
Como nos lembra Buda: “Em nossas vidas, a mudança é inevitável. A perda é inevitável. A felicidade reside na nossa capacidade de nos adaptar e sobreviver a tudo de ruim.”
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