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Tarô

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Ana Cristina Paixão é publicitária com pós-graduação em Marketing, mas foi no universo da terapia holística, especialmente no tarô, que encontrou sua verdadeira vocação. Após estudar com Adriana Kastrup, especializou-se no tarô divinatório, aprofundando seus conhecimentos e expandindo sua prática nesse campo. Atualmente, oferece consultas online por meio do site: adrianakastrup.com.br. Para acompanhar seus conteúdos, siga-a no Instagram (@anacristina.paixao.tarot).

Tarô de fevereiro traz a carta mais desconfortável do baralho

Apesar da folia, é tempo de refletir, aceitar a estagnação e abrir mão do controle para novas visões no amor, trabalho e vida

Por Ana Cristina Paixão
31 jan 2026, 10h25 •
Ângulo alto de mulher de calça jeans jogando cartas de tarô no chão.
Carta do 'Enforcado' traz certa estagnação para os próximos dias.  (Freepik/Reprodução)
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  • Fevereiro é regido pela carta do Enforcado. O mês pode trazer atrasos, pausas e sensação de estagnação — mas isso não é perda, é ajuste de perspectiva. Ao respeitar o tempo das situações e olhar de outro ângulo, a clareza chega.

    Entre a Folia e a Consciência

    Um Carnaval com a energia da carta do Enforcado não é só festa: é experiência, entrega e mudança de olhar.

    Na imagem da carta no baralho Rider-Waite-Smith, não há dor estampada no rosto — há serenidade. Ele não está preso: está em suspensão porque escolheu soltar o controle e confiar em forças maiores. Ao interromper a necessidade de comandar tudo e se permitir relaxar, percebe que é justamente na entrega que novas perspectivas se revelam, os horizontes se ampliam e os verdadeiros despertares espirituais acontecem. No fundo, ele nos sussurra aquela velha sabedoria: aceita que dói menos.

    Mas o Enforcado é, antes de tudo, desconfortável. Difícil, ambíguo e, exatamente por isso, profundamente transformador. Diante dele, não avançamos pela força; avançamos ao recuar, pela consciência, abrindo mão do comando. Sim, é uma carta de lentidão, de pausas obrigatórias, de situações que parecem estagnadas e ninguém gosta disso, né? Queremos tudo para ontem. Ou melhor: para agora.

    Não é por acaso que ele figura entre as cartas mais rejeitadas nas leituras. Quando aparece, sinaliza que a resposta não virá como desejamos nem pelo caminho imaginado, muito menos no tempo que planejamos! O Enforcado ensina que certas verdades só se revelam quando desistimos de controlar o desfecho e aceitamos a suspensão como parte do processo.

    O temor diante dos ensinamentos revela um traço profundo da sociedade moderna: a aversão à pausa, ao silêncio e à entrega. Vivemos em uma cultura que valoriza a ação constante e desconfia da suspensão, afastando os indivíduos de uma experiência mais profunda com o sagrado. Ao nos recusar a parar, impedimos o encontro com o Divino — que não grita, não disputa espaço, mas se revela justamente quando abrimos mão do domínio e aceitamos ver o mundo por outro ângulo.

    O Enforcado é um símbolo dos momentos decisivos da vida, representando a necessidade de parar e avaliar uma situação. Ficamos suspensas no ar até encontrarmos uma nova perspectiva sobre as coisas ao nosso redor, uma maneira adequada de reorganizar ou recomeçar.

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    Mas essa é, sobretudo, uma carta silenciosa. Não há urgência, nem apelo imediato à ação. Nenhuma grande virada se anuncia. Podemos permanecer ali, em suspensão, reclamando do tempo que não avança. Seu convite é a mudança de perspectiva e, muitas vezes, o exercício paciente de esperar. E sim, isso frustra. Porque não ter as coisas no tempo e na forma que desejamos talvez seja uma das experiências mais difíceis. É justamente aí que ele nos provoca a refletir: será que estamos insistindo em uma “causa perdida”?

    Em seu aspecto positivo, a carta aponta para a necessidade de um tempo de reflexão. A pausa — ainda que forçada — abre espaço para reorganizar pensamentos, alinhar ideias e encontrar uma nova forma de lidar com a situação. Por que isso não está avançando? Será que, por trás da aparente estagnação, existe uma proteção divina que ainda não estamos conseguindo perceber?

    Fevereiro sob o Arcano do Enforcado

    Fevereiro é um mês marcado pelo Carnaval — tempo de excesso, fantasia e distração — essa carta surge como um paradoxo poderoso: enquanto o mundo acelera, o Enforcado convida à suspensão. 

    Não é por acaso que a folia quebra o ritmo cotidiano e parece suspender o tempo, abrindo um espaço raro para a pausa, o prazer e o afastamento das exigências habituais.

    Suspenso na Árvore da Sabedoria, o Enforcado escolhe olhar o mundo de cabeça para baixo. Ao inverter o corpo, expande a mente. O sangue corre para a cabeça, a energia se concentra no pensamento, na percepção e na escuta interna. Ele abre mão, temporariamente, do movimento dos braços e das pernas para não fugir, não repetir, não agir no automático. Sua serenidade revela que esse desconforto não é sofrimento — é consciência.

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    Este arcano nos lembra que abrir mão de manter os pés firmes no chão pode libertar a mente para soluções inéditas. Ele aceita um desconforto passageiro em troca de conquistas duradouras. 

    Sim, este arcano representa o sacrifício (um sacro-ofício, ou seja, um trabalho que traz benefícios para além de si mesmo), mas é o sacrifício daquilo que já não é necessário. Fevereiro pede uma renúncia consciente. Abrir mão do automático para cuidar do corpo, buscar novos caminhos profissionais, desenvolver talentos adormecidos ou, simplesmente, alinhar-se ao que faz sentido de verdade. A diversão e a folia podem ser vividas como um rito de passagem: a despedida de uma vida antiga para dar espaço ao novo. 

    Como ensina o sábio, é na pausa — e não no movimento — que a verdadeira liberdade começa. Não por acaso, ele antecede a carta da Morte no Tarô, lembrando que toda grande transformação nasce primeiro de uma suspensão. “O importante é sermos capazes, a qualquer momento, de sacrificar o que somos pelo que poderíamos nos tornar.” (Charles DuBois)

    Fevereiro pede exatamente isso: um intervalo estratégico antes do próximo salto. Nesse sentido, a pausa — inclusive a do feriado — torna-se bem-vinda para afastar pensamentos obsessivos e permitir uma catarse, seja na folia, seja no relaxamento de um descanso merecido.

    Fevereiro, sob a carta do Enforcado, convida à pausa e à mudança de perspectiva. Descubra como essa
    Fevereiro, sob a carta do Enforcado, convida à pausa e à mudança de perspectiva. Descubra como essa “suspensão” pode ser sua maior libertação (Reprodução/Reprodução)
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    O Enforcado no Amor

    Enquanto o mundo acelera rumo ao excesso, ao barulho e às distrações do Carnaval, o Enforcado surge como um convite paradoxal para fevereiro: pausar para enxergar melhor. Ele não rejeita a festa nem condena o prazer, apenas lembra da importância de se divertir com consciência. Afinal, convenhamos, encontrar o amor da vida em um bloco é possível… Mas pouco provável. Relações que nascem no clima da festa pedem atenção: nem tudo o que encanta no agora se sustenta quando o som diminui. E, neste cenário, a maturidade faz toda a diferença.

    O feriado é, por essência, um tempo de inversão: máscaras, papéis trocados, limites flexibilizados. E poucas cartas compreendem tão bem a lógica da inversão quanto o Enforcado. Talvez este seja o momento de soltar a expectativa do “algo sério” e permitir-se viver o que é transitório — um romance breve, intenso e sem promessas. O clássico amor de Carnaval. 

    O Enforcado no Trabalho

    No trabalho, o Enforcado aponta para pausa e reavaliação. Não é o momento ideal para mudar de emprego, iniciar um negócio ou tomar decisões importantes, ao menos não com a visão atual. Algo precisa ser observado por outro ângulo antes que o próximo passo faça sentido.

    Essa carta costuma surgir em períodos de estagnação, projetos suspensos ou sensação de bloqueio. Ela não anuncia um fim, mas alerta que forçar avanços agora tende a gerar desgaste. A proposta é usar o tempo de espera para ampliar a consciência e ganhar clareza.

    O Enforcado também favorece recuos estratégicos, períodos sabáticos e a escolha consciente de abrir mão de ganhos imediatos em nome de crescimento pessoal ou espiritual.

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    No campo financeiro, a palavra é contenção: melhor segurar, rever prioridades e evitar riscos.

    O sacrifício que liberta

    Se você deseja conquistar algo de valor duradouro nesta vida, será necessário fazer escolhas — e, muitas vezes, renúncias. Há algo de reconfortante em saber que, ao assumir os sacrifícios certos e fazer o trabalho necessário, é possível alterar o curso do próprio destino. Qualquer objetivo pode ser alcançado, mas sempre exige que algo seja deixado para trás.

    No início, o sacrifício pode parecer uma perda. Mas essa sensação é ilusória. Direcionar tempo e energia para aquilo que realmente te fortalece é, na verdade, um ato de libertação — capaz de romper hábitos, padrões e atitudes que vêm afastando você do próprio progresso.

    Se o desejo é cuidar do corpo, talvez seja preciso abrir mão de excessos e rotinas que já não fazem sentido. Para conquistar um novo trabalho, pode ser necessário sacrificar parte do tempo livre em busca de oportunidades e conexões que abram portas. Para desenvolver um talento, será inevitável renunciar ao conforto e dedicar horas ao aprimoramento.

    E, para se libertar da insatisfação, talvez seja necessário o sacrifício mais desafiador de todos: abrir mão de velhos hábitos, rotinas automáticas e da falsa segurança do status quo — exatamente como ensina o sábio Enforcado.

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    Como nos lembra Buda: “Em nossas vidas, a mudança é inevitável. A perda é inevitável. A felicidade reside na nossa capacidade de nos adaptar e sobreviver a tudo de ruim.”

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