Sexo com amigos: como fazer dar certo sem estragar a amizade?
Amizade com benefícios pode funcionar, mas exige maturidade emocional, diálogo constante e acordos claros para evitar frustrações
A ideia de transformar uma amizade em uma relação com benefícios parece moderna, prática e sem complicações. Mas diversas histórias mostram que transar com um amigo nem sempre termina bem. Muitas vezes, aliás, pode colocar esse vínculo em risco.
“O terreno da amizade é, por natureza, um porto seguro, livre de muitas das pressões e expectativas românticas. Quando amigos decidem explorar a intimidade sexual, o maior desafio é o borrão das fronteiras. Aquela cumplicidade e intimidade que já existiam, de repente, ganham uma nova forma”, comenta Daiane Fernandes Viana, psicóloga disponível na Doctoralia.
Será que é possível separar desejo, afeto e expectativas? Como fazer esse tipo de relação dar certo? Segundo psicólogos e sexólogas ouvidos pela reportagem, a resposta é: depende de maturidade emocional, diálogos e acordos claros.
Dá para separar sexo e sentimento na amizade?
Enquanto algumas pessoas afirmam ser impossível manter sexo sem envolvimento emocional na amizade, outras defendem que esse modelo pode funcionar muito bem. As experiências variam, e é por isso que as especialistas concordam que vai depender de cada pessoa e relação.
“Dá mais certo quando a pessoa se conhece bem e tem a vida emocional organizada. Sexo sem envolvimento exige coerência entre o que se fala e o que se faz”, segundo a psicóloga clínica Larissa Fonseca. “O segredo é não deixar o clima transbordar para fora do quarto”, acrescenta Daiane.
Trocar carinhos, ter discussões típicas de relacionamento e adotar comportamentos mais sérios pode acabar gerando confusão emocional. Ao mesmo tempo, é preciso manter o equilíbrio no tratamento com o outro, o que nem sempre é simples. “Separar desejo de afeto não significa ser frio, e sim ser consciente”, afirma Sabrina Munno, sexóloga que atende na Doctoralia.
O que é essencial para não estragar a amizade?
Antes de transformar a amizade em uma relação que também envolve sexo, é preciso ter uma conversa clara. “A conversa precisa acontecer antes. É importante combinar se haverá exclusividade, como será o contato depois do sexo e o que acontece se um se envolver com outra pessoa”, diz Larissa.
E, nesse processo, os combinados precisam existir para que, caso sejam quebrados, seja possível revisar a relação, entender em que ponto estão e evitar mágoas. “Zero ciúmes e zero cobrança. Se a ideia é só sexo, não dá para cobrar atenção nem se incomodar com outras relações”, diz Tamara Zanotell, sexóloga e terapeuta sexual.
Ela também recomenda não agir como casal em público, manter a rotina de amigos, definir o que acontece se alguém se apaixonar e manter discrição.
O principal risco: sentimentos desencontrados
Em relações conhecidas como amizade colorida, que envolvem beijos, sexo e até dormir de conchinha, é difícil prever se os sentimentos permanecerão alinhados. Esse é um dos maiores desafios desse tipo de vínculo.
“O maior risco é quando os dois não têm o mesmo sentimento. Mesmo que a ideia inicial seja só sexo, o corpo reage. Durante a relação sexual, o cérebro libera substâncias ligadas a vínculo e proximidade”, afirma.
Não é raro que surjam conflitos depois disso. “Os riscos mais comuns são confusão de papéis, medo de perder a amizade e ciúmes quando o outro se envolve com terceiros”, de acordo com Sabrina.
O que fazer quando um dos dois se apaixonam?
Mesmo com combinados, sentimentos românticos podem surgir, porque são duas pessoas com afinidades, histórias em comum e, agora, uma relação sexual. “Ciúme e insegurança indicam que algo mudou e precisam ser olhados com honestidade”, diz Larissa. Ela recomenda reconhecer o sentimento, nomear a mudança interna e comunicar com clareza.
Se o sentimento for recíproco, é possível redefinir a dinâmica e transformar a relação em um namoro ou ter outros combinados. Caso contrário, pode ser necessário pausar o envolvimento para evitar sofrimento. “Às vezes é melhor parar do que virar uma bola de neve de ressentimento”, pontua Tamara.
Se existe um consenso entre todas as especialistas, ele se chama diálogo. “Sem transparência, a chance de dar ruim é grande”, afirma Daiane. “Fingir que nada vai acontecer emocionalmente costuma ser o começo do problema”, acrescenta Larissa. “Sentiu? Falou. Essa é a regra de ouro”, finaliza Tamara.





