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Alanis Guillen dá dica a pais de filhos LGBTQIA+: “Conversem mesmo sem entender” 

Atriz protagoniza romance entre mulheres na novela “Três Graças”, da Globo

Por Beatriz Lourenço
26 jan 2026, 15h24 •
Alanis Guillen fala sobre Lorena, personagem da novela "Três Graças"
Alanis Guillen fala sobre Lorena, personagem da novela "Três Graças" (Divulgação/Divulgação)
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  • Uma mulher feminista que sente o amor além do gênero. Assim é Lorena, personagem de Alanis Guillen na novela Três Graças, da Globo. Rejeitada pelo pai, um ricaço dono de uma farmacêutica que falsifica medicamentos, a menina subverteu os acessos que teve para ampliar sua visão de mundo. 

    Nesse sentido, os valores de Lorena e Alanis são os mesmos. A atriz, que também nunca viu a sexualidade como uma questão a ser resolvida, também acredita na horizontalidade das relações.

    “Eu sempre falei para a minha mãe sobre as pessoas com quem me relacionava. Ao me perceber apaixonada por uma mulher, fomos lidando juntas de maneira muito sutil e natural”, revela. “Ela buscou o tipo de troca que temos hoje e deu o acolhimento que eu precisava. Isso fez toda a diferença.”

    Abaixo, confira a entrevista completa:

    Como está sendo a repercussão do casal “Lokinha” [abreviação de Lorena com Juquinha]?

    Fiquei muito surpresa porque quando soube da notícia que a gente ia fazer um casal achei incrível – o que mais queremos é representatividade. O público precisa se enxergar e a televisão tem a função social de contar histórias reais e trazer diálogos.

    Eu tinha um pouco de receio se as personagens iam ser bem desenvolvidas, mas minha maior missão como atriz é trazer verdade na atuação. Tivemos a grande surpresa de um roteiro muito legal! Cada cena que a gente recebe é um presente e a Gabi é uma grande parceira. Sinto que estamos rompendo o medo de contar histórias e combater um público mais reativo a assuntos plurais.

    Para CLAUDIA, Alanis divide como foi abrir a sexualidade aos pais
    Alanis Guillen é Lorena na novela “Três Graças” (@bispo/Divulgação)
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    Você vê semelhança entre você e a Lorena?

    Totalmente! Ela é uma menina que se incomoda com os limites que o pai tenta impor. Assim como eu, ela traz esse frescor e a liberdade de ser quem é. Pensamos qual é a nossa voz e qual é nosso desejo antes de tudo… Também acreditamos na horizontalidade das relações e que o respeito é algo que deve ser mútuo.

    A paixão por uma mulher e a sexualidade nunca foi uma questão, ela sempre foi essa menina livre para amar. Lorena também usou os acessos que tem para romper fronteiras, viajar, conhecer outras culturas, ler diversos livros, assistir a filmes… 

    Pensando que o Feretti é reflexo de uma parte da nossa sociedade, você sente que é possível fazer com que ele mude de ideia e veja o amor com outros olhos?

    Esse é o maior desejo da Lorena. Quando ela diz que queria ter nascido em outra família, na verdade ela quer dizer que gostaria que seu pai fosse mais amoroso, diferente do que ele é. 

    E eu, Alanis, também acredito que pessoas se transformam porque vi acontecendo com pessoas próximas. Pessoas entendendo que o amor tem que ser puro. Quando a gente aceita o amor, só temos a ganhar. 

    Alanis Guillen é Michele em
    Alanis Guillen divide como se relaciona com sua sexualidade (Divulgação/Divulgação)
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    Você teve essa conversa sobre sexualidade com a sua família?

    Minha relação foi muito tranquila. Meus pais são muito presentes na minha vida e na dos meus irmãos. Tanto que sempre falei para a minha mãe sobre as pessoas com quem me relacionava. 

    Ao me perceber apaixonada por uma mulher pela primeira vez e comunicar isso, fomos lidando juntas de maneira muito sutil e natural. Ela buscou o tipo de troca que temos hoje e deu o acolhimento que eu precisava. Isso fez toda a diferença.

    É possível transformar essa realidade a partir da televisão?

    Eu acho que já está sendo transformador. Tenho recebido enxurradas de mensagens legais e positivas – desde relatos sobre como foi importante para muita gente que passou pela mesma situação até como o casal curou pessoas. 

    A televisão aberta tem um alcance imenso em todas as regiões do país. Ela fala com pessoas de lugares que não têm acessos, ampliando os diálogos e rompendo fronteiras. O público estrangeiro também está achando interessante e querendo ver a novela. O tema está sendo tratado com sensibilidade, afeto e sem estigma.

    O que você diria para os pais que ainda estão entendendo a sexualidade dos filhos?

    Acolham seus filhos. Conversem mesmo sem entender. Se seu filho ou filha está em busca de si e de descobrir o amor, isso deve ser visto como algo maravilhoso. Amar alguém é tão incrível, vocês precisam ter um olhar delicado em relação a isso. 

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