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Martchela - Ministra do Namoro

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Jornalista, atriz e humorista, @martchela__ é apresentadora do Lambisgóia Cast

Lily Allen e David Harbour — a demonstração clássica da inveja masculina

Em sua última coluna para CLAUDIA, a ministra do namoro reflete sobre homens que não conseguem aceitar o sucesso feminino

Por Martchela - Ministra do Namoro
17 jan 2026, 15h00 •
Imagem de Lily Allen e o ex-marido David Harbour representando os casos de inveja masculina após a polêmica do fim do casamento
O lançamento do álbum da cantora e a divulgação de um antigo bilhete reacendeu as polêmicas do casal (Sean Zanni/Getty Images)
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  • Desde que o mundo é mundo, tentam nos vender que a grande rivalidade da humanidade é feminina. Xuxa x Angélica. Ivete x Claudia Leitte. Britney x Christina Aguilera.

    A cultura pop inteira foi construída em cima dessa fantasia de que mulheres competem entre si por instinto, como se a inveja fosse um tipo de hormônio que só a gente produzisse.

    Mas existe um tabu ainda maior — e mais corrosivo — que raramente entra na conversa: a inveja masculina. E ela está longe, muito longe, de ser sutil.

    Quando o sucesso dela vira ameaça

    Recentemente, veio à tona a carta escrita por David Harbour, ex-marido da Lily Allen, em que ele expôs seu desconforto diante do sucesso dela.

    Quando a cantora foi chamada para estrear na peça de teatro 2:22 A Ghost Story, David mandou um bilhete: “Minha esposa ambiciosa, estas são flores de azar, porque se você receber boas críticas nesta peça, você vai ganhar todo tipo de prêmio — e eu vou ficar miserável. Do seu marido amoroso”.

    O texto revela, com todas as letras, algo que já sabemos intuitivamente há séculos: quando uma mulher brilha, tem homem que adoece de inveja.

    E isso pode acontecer com qualquer uma — atriz, cantora, médica, professora, editora, advogada. A profissão não muda o padrão.

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    Quando a conquista dela ameaça o ego dele

    Eu já vi inúmeros casamentos implodirem porque o marido não suportou uma promoção, um prêmio consagrado, um reconhecimento profissional.

    Para muitos, o sucesso da mulher funciona como um espelho que eles preferem quebrar do que olhar.

    Uma amiga atriz me contou sobre o dia em que ganhou um prêmio gigante. Ela subiu ao palco radiante, emocionada, viva. Ao descer, o marido soltou: “Não sei como você ganhou. Você é tão caricata.”

    Ela voltou para casa chorando, se sentindo uma fraude no momento que deveria ter sido o mais lindo da carreira.

    Outra amiga viveu um inferno quando ganhou uma promoção alta no trabalho. Assim que o namoro terminou, o ex resumiu a crise em uma frase: “Eu não aguentei seu sucesso”.

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    E não aguentar o quê? O salário? O poder? O brilho? A autonomia?

    Ou simplesmente o fato de que ela saiu do papel confortável de “coadjuvante emocional”?

    A violência sutil por trás de cada comentário

    Há o clichê clássico dos homens que boicotam datas simbólicas para garantir que a mulher não tenha um dia melhor que o deles: aniversários estragados, promoções tratadas com desdém, até pequenas vitórias diminuídas com aquela frase venenosa dita “só de brincadeira”.

    Nada é mais eficiente do que um homem inseguro trabalhando em tempo integral para cortar as asas de alguém.

    E o pior: não é simples perceber a inveja masculina. Ela nunca chega dizendo “oi, sou inveja”.

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    Ela vem disfarçada de preocupação, crítica construtiva, implicância carinhosa.

    E vem carregada de culpa — porque uma mulher bem condicionada pela sociedade acredita que, se ele está desconfortável, o problema deve ser ela.

    Não é sobre querer o que ela tem

    A inveja masculina não é sobre querer o que a mulher tem.

    É sobre querer que ela tenha menos.

    Menos luz.
    Menos espaço.
    Menos voz.
    Menos mundo.

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    E a pergunta que fica é: até quando vamos normalizar homens que preferem uma mulher diminuída a aprender a lidar com a própria sombra?

    O que destrói relações não é sucesso demais de uma mulher — é maturidade de menos de um homem.

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