Lily Allen e David Harbour — a demonstração clássica da inveja masculina
Em sua última coluna para CLAUDIA, a ministra do namoro reflete sobre homens que não conseguem aceitar o sucesso feminino
Desde que o mundo é mundo, tentam nos vender que a grande rivalidade da humanidade é feminina. Xuxa x Angélica. Ivete x Claudia Leitte. Britney x Christina Aguilera.
A cultura pop inteira foi construída em cima dessa fantasia de que mulheres competem entre si por instinto, como se a inveja fosse um tipo de hormônio que só a gente produzisse.
Mas existe um tabu ainda maior — e mais corrosivo — que raramente entra na conversa: a inveja masculina. E ela está longe, muito longe, de ser sutil.
Quando o sucesso dela vira ameaça
Recentemente, veio à tona a carta escrita por David Harbour, ex-marido da Lily Allen, em que ele expôs seu desconforto diante do sucesso dela.
Quando a cantora foi chamada para estrear na peça de teatro 2:22 A Ghost Story, David mandou um bilhete: “Minha esposa ambiciosa, estas são flores de azar, porque se você receber boas críticas nesta peça, você vai ganhar todo tipo de prêmio — e eu vou ficar miserável. Do seu marido amoroso”.
O texto revela, com todas as letras, algo que já sabemos intuitivamente há séculos: quando uma mulher brilha, tem homem que adoece de inveja.
E isso pode acontecer com qualquer uma — atriz, cantora, médica, professora, editora, advogada. A profissão não muda o padrão.
Quando a conquista dela ameaça o ego dele
Eu já vi inúmeros casamentos implodirem porque o marido não suportou uma promoção, um prêmio consagrado, um reconhecimento profissional.
Para muitos, o sucesso da mulher funciona como um espelho que eles preferem quebrar do que olhar.
Uma amiga atriz me contou sobre o dia em que ganhou um prêmio gigante. Ela subiu ao palco radiante, emocionada, viva. Ao descer, o marido soltou: “Não sei como você ganhou. Você é tão caricata.”
Ela voltou para casa chorando, se sentindo uma fraude no momento que deveria ter sido o mais lindo da carreira.
Outra amiga viveu um inferno quando ganhou uma promoção alta no trabalho. Assim que o namoro terminou, o ex resumiu a crise em uma frase: “Eu não aguentei seu sucesso”.
E não aguentar o quê? O salário? O poder? O brilho? A autonomia?
Ou simplesmente o fato de que ela saiu do papel confortável de “coadjuvante emocional”?
A violência sutil por trás de cada comentário
Há o clichê clássico dos homens que boicotam datas simbólicas para garantir que a mulher não tenha um dia melhor que o deles: aniversários estragados, promoções tratadas com desdém, até pequenas vitórias diminuídas com aquela frase venenosa dita “só de brincadeira”.
Nada é mais eficiente do que um homem inseguro trabalhando em tempo integral para cortar as asas de alguém.
E o pior: não é simples perceber a inveja masculina. Ela nunca chega dizendo “oi, sou inveja”.
Ela vem disfarçada de preocupação, crítica construtiva, implicância carinhosa.
E vem carregada de culpa — porque uma mulher bem condicionada pela sociedade acredita que, se ele está desconfortável, o problema deve ser ela.
Não é sobre querer o que ela tem
A inveja masculina não é sobre querer o que a mulher tem.
É sobre querer que ela tenha menos.
Menos luz.
Menos espaço.
Menos voz.
Menos mundo.
E a pergunta que fica é: até quando vamos normalizar homens que preferem uma mulher diminuída a aprender a lidar com a própria sombra?
O que destrói relações não é sucesso demais de uma mulher — é maturidade de menos de um homem.
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