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Ana Claudia Paixão

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A jornalista Ana Claudia Paixão (@anaclaudia.paixao21) fala de filmes, séries e histórias de Hollywood

Quem foi Mary Shelley, autora do clássico “Frankenstein”

A mulher que transformou dor, solidão e genialidade em uma das histórias mais poderosas da literatura e o retrato poético de sua vida no cinema

Por Ana Claudia Paixão
28 dez 2025, 06h00 •
Mulher loira usando roupas de época olhando pela janela
Mary Shelley (2017) é um filme de drama romântico de época que acompanha o romance de Mary Shelley com Percy Shelley,que a inspirou a escrever Frankenstein; ou, O Moderno Prometeu (1818).  (Copyright © 2018 PROKINO Filmverleih GmbH/Reprodução)
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  • Entre muitas figuras na história da arte que parecem maiores do que o tempo, Mary Wollstonecraft Shelley é uma delas. E graças à popularidade de sua obra, Frankenstein, ainda no século 21 é uma mulher que desperta curiosidade.

    Filha de dois pensadores radicais — a filósofa feminista Mary Wollstonecraft e o escritor William Godwin — Mary nasceu, em 1797, em um mundo que ainda mal sabia o que fazer com mulheres inteligentes, livres e conscientes de sua própria voz. Desde cedo, viveu sob o peso de um nome e a ausência de uma mãe, mas construiu o seu próprio legado ao escrever uma obra inovadora aos 18 anos. Frankenstein é uma das narrativas mais simbólicas, modernas e visionárias da literatura.

    Pintura de mulher olhando para frente usando vestido preto com ombros de fora.
    Retrato de Mary Shelley (1797-1851). (Richard Rothwell - Scan of a print/Wikimedia Commons)

    Mary cresceu cercada de livros e ideias. Sua infância, longe de convencional, foi marcada por debates sobre política, filosofia, ciência e direitos humanos, temas que mais tarde se tornariam a espinha dorsal de sua obra. Quando conheceu o poeta Percy Bysshe Shelley, a jovem se viu diante de um amor tão intenso quanto destrutivo.

    Juntos, fugiram da Inglaterra em busca de liberdade, mas encontraram, em igual medida, a dor. A perda de filhos, a morte precoce da mãe e a rejeição da sociedade moldaram em Mary uma sensibilidade singular, a mesma que daria vida ao “monstro” que refletia as angústias humanas mais profundas.

    A revolução da narrativa em Frankenstein

    Foi em 1816, durante um verão tempestuoso em Genebra, cercada por Percy, Lord Byron e John Polidori, que Mary concebeu a história que mudaria tudo. Em meio a uma aposta para ver quem escreveria o melhor conto de terror, nasceu Frankenstein; or, The Modern Prometheus.

    Não apenas uma história sobre um cientista que cria vida, mas uma metáfora sobre responsabilidade, solidão e criação, sobre o que significa ser humano. Mary projetou em Victor Frankenstein a ambição e a cegueira masculina, e em sua Criatura, a exclusão e o abandono que ela própria conhecia. Foi também um grito de mulher em um mundo que não a ouvia.

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    Publicada anonimamente em 1818, a obra foi atribuída a Percy Shelley por muitos. Somente depois Mary seria reconhecida como autora. Essa revelação não apenas resgatou sua voz, mas redefiniu a própria ideia de autoria feminina no século 19. Sua coragem de imaginar o impossível e de questionar o poder masculino sobre a criação, seja da vida ou da arte fez dela uma precursora da ficção científica e uma das escritoras mais importantes da história.

    Mas Mary Shelley não foi apenas a criadora de Frankenstein. Foi uma mulher que sobreviveu a tudo: à perda, à pobreza, à crítica e ao apagamento. Após a morte de Percy em 1822, viveu anos em luto, mas seguiu escrevendo. Em The Last Man (1826), previu um futuro devastado por pragas, solidão e tecnologia séculos antes de o gênero distópico existir. Seu olhar sobre a humanidade era ao mesmo tempo poético e profético.

    Ao morrer em 1851, aos 53 anos, Mary deixou um legado que ecoa até hoje: a fusão entre emoção e intelecto, criação e destruição, corpo e mente. Em seu diário, escreveu: “Eu escrevo para dar forma ao caos do meu coração.” E o mundo ainda lê esse caos como espelho.

    O filme que a reinventou: Mary Shelley (2017)

    Mulher olhando para o lado com chapéu e roupas de época.
    Elle Fanning interpreta Mary Shelley no filme homônimo (2018). (Copyright © 2018 PROKINO Filmverleih GmbH/Reprodução)

    Dirigido pela cineasta saudita Haifaa al-Mansour e estrelado por Elle FanningMary Shelley (2017) tenta decifrar o mito e a mulher por trás do livro. Não é um retrato biográfico rígido, mas uma interpretação visual, poética e melancólica de uma jovem que ousou desafiar o tempo. Haifaa, uma das primeiras diretoras mulheres da Arábia Saudita, enxergou em Mary não apenas a escritora, mas a metáfora da criação feminina, um tema que atravessa sua própria filmografia.

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    O filme acompanha Mary desde a adolescência, em sua relação conflituosa com o pai e o amor arrebatador por Percy Shelley (vivido por Douglas Booth). A produção acerta em capturar o espírito gótico e romântico da época, com figurinos delicados, atmosfera sombria e a angústia constante entre liberdade e repressão.

    Homem abraçando mulher por trás enquanto eles se entreolham sorrindo
    Elle Fanning e Douglas Booth no filme Mary Shelley. (Copyright © 2018 PROKINO Filmverleih GmbH/Reprodução)

    Elle Fanning interpreta Mary com uma mistura de fragilidade e força, revelando a autora não como mártir, mas como criadora, alguém que enfrenta a própria sombra para escrever o que sente.

    Embora receba críticas por suavizar aspectos históricos e reduzir personagens complexos, o filme tem mérito em algo essencial: devolver a Mary o protagonismo de sua própria criação. O nascimento de Frankenstein surge, na tela, como catarse de uma mulher que viu a morte de perto e transformou luto em arte. Não é à toa que a frase final — “A história de Mary Shelley é uma história de sobrevivência” — ecoa como um epitáfio e uma celebração.

    Mary Shelley não é apenas uma biografia: é um tributo. É o olhar de uma mulher cineasta sobre outra mulher que ousou criar o inimaginável, e que continua nos lembrando que há algo de divino — e de monstruoso — em todo ato de criação.

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    O Coração do Monstro

    Ilustração de época refere-se ao Frankstein
    Capa de Frankenstein, de Mary Shelley, publicado por Colburn and Bentley, Londres, 1831. (Reprodução/Wikimedia Commons)

    Mais de dois séculos depois, Frankenstein continua pulsando. Cada nova leitura revela que a criatura é, na verdade, o espelho da criadora. Mary Shelley escreveu sobre a dor de um ser rejeitado, mas também sobre a coragem de uma mulher que, em plena era vitoriana, ousou criar o próprio destino.

    A sua criatura viveu. E, como disse Byron — amigo, espelho e fantasma —, “o coração pode se partir, e ainda assim, partido, continuar a viver.” Mary Shelley é a prova viva disso.

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