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Taylor Swift representou a todas nós (fãs ou não) na noite de ontem

Está mais do que na hora de a gente parar de dar ibope a quem ofende mulheres, seja no showbiz ou na vida!

Por Júlia Warken Atualizado em 21 jan 2020, 14h36 - Publicado em 16 fev 2016, 13h35

Preferências musicais à parte, é bem difícil ouvir a nova música de Kanye West, “Famous”, sem sentir repulsa. “Eu sinto que eu e Taylor ainda vamos transar. Eu fiz com que ela se tornasse famosa”, diz ele já no primeiro refrão. Duas frases que carregam quilos e mais quilos de podridão pura! Primeiro por que o cara se acha responsável pelo sucesso de uma cantora que, em números, é muito mais bem sucedida do que ele e, segundo, por achar OK dizer que sexo seria a moeda de troca justa para o ~favor~ que ele crê que prestou a ela.

Até quando esse tipo de discurso será aceito como “ossos do ofício” do showbiz? Enquanto Beyoncé é boicotada por trazer uma posição antirracismo à elite do pop, por que não vemos #BoycottKanye bombando nas redes sociais?

Pascal Le Segretain/Getty
Pascal Le Segretain/Getty

Não importa a quem tenha sido endereçada a letra de “Famous”, ela fala sobre uma realidade que TODAS NÓS vivemos, mesmo que indiretamente. Sabemos o quanto é comum ver homens tentando desvalorizar nossas conquistas e, pior ainda, levar o mérito sobre elas.

Verdade seja dita, há muita indignação rolando por conta da música , mas as manifestações ainda não estão à altura. O que se vê é pura e simplesmente a reação que Kanye West esperava: bafafá e a cara dele estampando as manchetes.

No final das contas, ao lançar sua estrofe derradeira é ele quem está pegando carona na fama de Taylor para se promover. O cara inclusive teve a pachorra de pedir que ela compartilhasse “Famous” em suas redes sociais! No final das contas, essa sacada é tenebrosamente genial, pois ela reflete toda uma lógica cultural que prevê impunidade a homens que agem dessa forma e que ainda os deixa mais em destaque. Mais f*dões. Mais no topo. É basicamente uma bola de neve que reafirma o quanto o machismo compensa e o quanto não vale a pena combatê-lo, pois ele faz parte do mundo em que vivemos e as coisas vão continuar como estão.

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Frederick M. Brown / Getty Images
Frederick M. Brown / Getty Images

Só que para a infelicidade de Kanye, Taylor Swift conquistou na noite de ontem (15) os Grammys de Disco do Ano e Melhor Disco Pop Vocal, por “1989”. Ela também acaba de se tornar a primeira mulher a ter recebido o prêmio de Disco do Ano duas vezes. Kanye, que concorria a três prêmios (todos por canções que fez em colaboração com outros caras, diga-se de passagem), foi para casa de mãos abanando. Ao receber a vitrola dourada por melhor álbum, Taylor fez questão de responder aos absurdos de “Famous”. E lacrou classudamente!

“Eu quero dizer a todas as jovens mulheres aí fora, vai ter gente ao longo do caminho que vai tentar diminuir o seu sucesso ou ter crédito pelas suas conquistas e pela sua fama. Mas se você apenas se concentrar no trabalho e não deixar que essas pessoas desviem a sua atenção, um dia, quando você ‘chegar lá’, você vai olhar em volta e ver que foram aqueles que te amam que te colocaram lá. E esse será o melhor sentimento do mundo. Obrigada por esse momento!”

Esse discurso certamente ficará marcado na história do Grammy como um momento lindo de empoderamento, mas a gente pode fazer ele ecoar além. Mais uma vez, é hora de fazer um escândalo. É hora de parar de dar ibope para caras que se beneficiam de discursos machistas e opressores. É hora de dizer que não vamos mais aceitar isso como “ossos do ofício”, nem no showbiz, nem em parte alguma!

 

 

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