Qual é a educação espiritual que se deve dar às crianças?

Aproximar as crianças da religiosidade ajuda a prepará-las para a vida, dizem os especialistas

Como falar com crianças pequenas sobre conceitos tão abstratos, como a fé e o sagrado?
Foto: Getty Images

 

Nos últimos anos, quantas vezes você viu uma família rezar, em qualquer praça de alimentação ou restaurante, antes da refeição? Provavelmente nenhuma e, se viu, com certeza se lembrará pela raridade do fato. Há 50 anos, nos lares, essa cena era supercomum. Os hábitos religiosos faziam parte do dia a dia das famílias e os rituais passavam de forma natural de pais para filhos. Nas últimas décadas, porém, grandes mudanças estremeceram o território da religiosidade. “Antes, era preciso praticar uma religião para ser considerado socialmente respeitável. Hoje, a situação é diferente. Não existe essa expectativa, o que liberta as pessoas para buscar uma filiação por interesse e convicção, e não simplesmente por convenção social”, aponta o teólogo Rodrigo F. de Sousa. “Não há mais aquele constrangimento por não participar de um credo”, concorda Mario

Sergio Cortella, filósofo, de São Paulo. Ele explica que, diferentemente de décadas atrás, hoje ninguém repara se o vizinho foi ou não à missa das 6. Além dessa flexibilidade social, a maior quantidade de informações disponíveis, o movimento hippie dos anos 1960, que combateu os dogmas e as imposições, e a própria legislação brasileira, que instituiu a liberdade de crenças, abriram ao cidadão a possibilidade de fazer escolhas. “A vivência da espiritualidade, sem necessariamente se filiar a uma religião, é uma das tendências contemporâneas mais fortes no mundo todo”, observa Dora Incontri, organizadora do livro Educação e Espiritualidade – Interfaces e Perspectivas (Comenius).

De pai para filho, sim

Em tempos de grande liberdade de escolha, como hoje, crescem também as incertezas e os conflitos. Qual é a educação espiritual que se deve dar às crianças? É justo passar as suas crenças para elas? Segundo a pedagoga Roseli Fischmann, a resposta é sim. “A Declaração dos Direitos Humanos diz que cabe aos pais escolher o tipo de educação que darão aos filhos, e isso inclui credos religiosos”, afirma Roseli. Ela ressalta, porém, que os pais devem falar sobre o que acreditam, reforçando que se trata de uma crença, não de uma verdade absoluta, e deixando os filhos à vontade para, com o tempo e a experiência, assimilar o que faz sentido para eles. “Na primeira infância, mais importante do que citar instituições religiosas é exercitar com as crianças a tolerância ao diferente. Mencionar filiações sem julgamento de valor”,aconselha Roseli.

Sentir e acreditar

O.k., mas, em termos práticos, como falar com crianças pequenas sobre conceitos tão abstratos, como a fé e o sagrado? A pedagoga Roseli explica: “Os preceitos da espiritualidade não chegam por meio do discurso, e sim pelas ações sinceras dos pais no dia a dia, pelo exemplo”. Mas há outras formas também. “Quando eu e a minha filha estamos apreciando uma paisagem bonita, em meio à natureza, ou vendo uma obra de arte linda no museu, vinculo o sentimento de estar diante do belo com a existência do divino e digo a ela. Vejo que toca o coração da Sofia e isso é religiosidade para mim”, conta Ana Cláudia Ribeiro, mãe de Sofia, 7 anos, de Curitiba.

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