O segredo para encontrar um amor de verdade

Num mundo cada vez mais unissex, a melhor dica para encontrar um amor real e cúmplice é diminuir as expectativas e abrir o leque de possibilidades

A melhor dica para encontrar um amor real é abrir o leque de possibilidades
Foto: Getty Images

“Eu quero, mas não acho.” Já perdi a conta de quantas mulheres me repetiram esse mantra! Minha experiência mostra que, quando a gente procura sem trégua e nunca acha alguém que valha a pena, tudo leva a crer que esse objeto de desejo seja uma miragem, uma ilusão. Em vez de fantasiar com Brad Pitt, melhor baixar a régua das expectativas, conforme os experts sugerem no livro que lanço este mês, Mulheres de Sucesso Querem Poder… Amar (Gente). Se encarar o homem atual com os pés fincados no chão, abrirá o leque de possibilidades na pirâmide dos relacionamentos.

No meu tempo de solteira, saía com uma amiga que decidia se ia paquerar ou não o sujeito conforme o sapato que ele usava. Reduzia as chances, concorda? Foi há 20 anos, mas não faz muito tempo li o texto de uma jornalista que desprezava homens de sapatênis. Isso é mesmo tão importante? Depois você dá de presente sapatos melhores ao seu eleito, ora.

Hoje, observo que os obstáculos para uma mulher achar sua cara-metade se tornaram bem mais refinados do que gostar ou não do sapatênis. Superar o principal deles, na minha opinião, exige uma guinada de 180 graus: precisamos desativar mentalmente aquele protótipo de companheiro ideal construído com a mãe e as amigas. Foi-se o tempo em que era preciso ligar-se a estereótipos de gênero, pois os dois sexos já alternam códigos e papéis com maior naturalidade. Farejadores de tendências do mundo todo cantam essa bola ao detectar que homens e mulheres se misturam mais, que não há a mesma diferenciação social de antes. Não quero dizer que são iguais. A genética nem permitiria. Mas que o horizonte está ficando mais unissex, ah, está.

Homem faz isso, mulher faz aquilo

Foi dormir na sua casa e usou seu creme? Também não é o bastante para tirar conclusões sobre a preferência sexual do sujeito. Como trazemos na memória muito do que ouvimos desde a infância, certos estigmas ficaram mesmo arraigados. Só que vivemos outros tempos: de diversidade, de flexibilidade, de parceria (não queremos mais um provedor, e sim um cuidador).

É um perigo para quem busca um relacionamento afetivo nos moldes modernos repetir o discurso retrô de que “homem faz isso, mulher faz aquilo; homem é assim, mulher é assado”. Desculpe a franqueza, mas as exigências rígidas de como o outro deve ser ou agir são um convite a passar as próximas sextas-feiras vendo sozinha pinguins e golfinhos acasalando no Globo Repórter.

Na minha casa, meu marido detesta dirigir, eu domino o volante. E lá se vão 15 anos de motorista-chefe! Em compensação, até hoje eu não sei fazer café; ele prepara o melhor do mundo. E compra sonhos com recheio de creme para me agradar. Retribuo com beijos.

Infelizmente, é crescente o contingente de mulheres charmosas, inteligentes e guerreiras com dificuldades para encontrar um romance para chamar de seu. É um tal de junta-separa que anda levando as mais cautelosas a nem tentar. E agora? O desafio de cada uma é o de amar e ser amada por esse homem que está aí, mais perto do que imagina, também tentando “se achar”.

E o que ele espera da parceira ideal? O psiquiatra Contardo Calligaris me deu a grande pista: que dê permissão para ele desejar coisas que ainda não desconfiava que desejasse, que autorize coisas que ele se proibia. Enfim, que o leve a querer ser um homem melhor. Pronta para esses novos desafios?

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