Mãe da ginasta Gabby Douglas: “parem de humilhar a minha filha”

"Eu gostaria de saber: o que ela fez para todo mundo?", questiona Natalie, mãe da atleta

O time feminino de ginástica artística dos Estados Unidos mostrou a que veio durante as finais ocorridas nesta última terça-feira (9): as cinco ginastas foram laureadas com a medalha de ouro em todas as séries de aparelhos – a nota da equipe, 185.238, contou com uma larga diferença de oito pontos, quando comparada à Rússia, que ocupou a segunda colocação no pódio.

Leia mais: A pequena gigante: os vôos da ginasta Rebeca Andrade​

Mas nem todo o esforço, todo o suor derramado durante os saltos impecáveis das atletas e a vitória dourada foi o suficiente para alguns americanos: bastou a jovem Gabby não colocar a mão no peito como suas 4 companheiras, durante a execução do hino dos Estados Unidos, como é praxe durante a cerimônia de entrega das medalhas, para que fosse massacrada nas redes sociais.

“Ela precisa lidar com as pessoas criticando seu cabelo, ou a acusando de branquear a pele. Eles disseram que ela precisa fazer plástica nos seios, que ela não estava sorrindo o suficiente, que ela era antipatriota”, desabafa Natalie, a mãe da atleta de 20 anos à Reuters: “Então começaram a surgir boatos que ela não ajudava as colegas de equipe. Foi até apelidada de ‘Gabby Rabugenta’. É sempre assim, por qualquer coisinha você é rechaçada. Mas eu gostaria de saber, o que ela fez para todo mundo? Parem de humilhar a minha filha.” 

Mesmo com um pedido de desculpas feito em sua conta no Twitter, em que Gabrielle explicou que “não teve a intenção de faltar com o respeito” e assegurou  respeito a seu país toda vez que o hino nacional é tocado. Mesmo assim, as ofensas não cessaram – ainda que não exista regra em relação ao posicionamento dos atletas no pódio, desde que todos mantenham a postura e observem a bandeira de sua terra natal com atenção.

Alex Livesey/Getty Images Alex Livesey/Getty Images

Veja também: Rafaela Silva é ouro para o Brasil! Conheça sua história de superação​.

“Não acho que respeitar o seu país ou a sua bandeira dependa diretamente de colocar a sua mão no peito ou não. Vai muito mais além, está nas suas ações perante ao seu povo e à sua nação, em respeitar suas leis. Os que ofenderam a minha filha estão fazendo o que para ajudar aqueles que estão a sua volta?” disse Natalie: “Minha família cresceu numa comunidade militar. Minha mãe passou quase 30 anos da sua vida no serviço militar, meu pai é um veterano que foi duas vezes à Guerra do Vietnã. Por isso foi um insulto acusarem a minha filha de antipatriota, quando temos laços militares na família. Quando o hino dos EUA é tocado, a maioria de famílias que seguem esta tradição fazem uma saudação ou se levantam para homenagear.”

“Nós já derramamos muitas lágrimas porque eu não sei o que ela fará para desviar de todos esses ataques. Para mim, não há dúvida: é bullyng”, conta a mãe: “Quando eu olhei para ela depois de subir no pódio, eu enxerguei alguém que estava machucada, e também com muita raiva. Tenho medo que fique na cabeça dela o pensamento ‘Estou sendo atacada por tudo que eu faço, então eu deveria cruzar os braços e não fazer nada, porque não importa o que eu tente, eles me xingarão novamente’.”

“É uma honra muito grande para mim ser mãe dela, porque é a pessoa mais corajosa que eu conheço”, finaliza Natalie sobre a garota que também foi medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 2012, em Londres, e também possui o mérito de ter sido a primeira ginasta afro-americana a vencer todas as séries de aparelhos durante uma final.

Divulgação Divulgação