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“Eu não sou menos humana só por ser travesti”, diz MC DELLACROIX

Estrela de um dos episódios da série #bethechange, ela está mudando o mundo com a música dela.

Por Lucas Castilho
Atualizado em 16 jan 2020, 17h20 - Publicado em 8 mar 2018, 10h00

“Quem está disposto a andar com uma travesti na rua durante o dia, não só à noite, procurando por um programa?”, pergunta Cecília da Silva, a MC DELLACROIX. Aos 21 anos, ela é promessa do rap nacional e a estrela de um dos episódios do #bethechange, série de minidocumentários sobre como mulherões da porra estão, do jeitinho delas, transformando a realidade onde vivem e, com isso, mudando o mundo.

A forma como ela encontrou de fazer a diferença? Por meio da música. Sem oportunidades ou perspectivas, ela saiu da periferia de Campinas para, praticamente sem grana, tentar sobreviver em São Paulo. Deu certo. “Eu só comecei a fazer isso [o rap] porque já estava desesperada, o mercado de trabalho não me aceitava, eu não tinha amigo, eu não tinha família, eu estava em SP jogada”, explica.

Porém, na arte, se encontrou. Melhor, encontrou uma forma de passar uma poderosíssima mensagem de aceitação e, principalmente, de quebra de preconceitos e padrões batidos. “O que eu tento com a minha música é mostrar sim que eu estou me fazendo presente para representar a mim mesma como um corpo travesti, preto, da periferia, mas também [fazer com] que isso movimente nas outras pessoas a necessidade de fazer outras coisas. Coisas que vão quebrando esses esteriótipos [de que todas as travestis e pessoas trans são prostitutas], vão inserindo a gente na sociedade, e a gente passa a não viver mais na marginalidade”, diz.

E, como tudo nessa vida, a existência de Cecília também é política, ela também traz questionamentos. E, claro, também traz a reflexão do que é ser mulher. Para ela, vai muito além da aparência: “Eu enxergo mulher como essas possibilidades, esse mar de ‘mulheridades’. E cada uma sendo o que quiser ser, cabelo curto, cabelo comprido, com maquiagem, sem maquiagem, sabe, com roupa feminina ou não, porque são só roupas, pedaços de pano e isso não define gênero. Então, mulher para mim é isso, mulher é liberdade. Eu encontrei na feminilidade a liberdade do meu corpo”. E mudança acontece de dentro para fora, não é mesmo?

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O que a MC DELLACROIX faz também, além de todas essas transformações, é motivar no próximo o exercício, às vezes esquecido, da empatia, o de se colocar no lugar do outro. “Eu não sou menos humana só por ser travesti”, diz ela. De grão em grão (ou de beat em beat), ela está, do jeito dela, mudando percepções, mostrando que não existe apenas uma ou duas caixas, e, bem, que a coisa mais normal do mundo é andar de mãos dadas com alguém na rua durante o dia – seja travesti, seja o que for.

Assista ao vídeo

O #bethechange é uma série de minidocumentários sobre mulheres que, de alguma forma, promovem mudanças na realidade delas e, com isso, estão transformando o mundo. Os vídeos foram feitos em parceria entre as marcas BOA FORMA, CAPRICHO, COSMOPOLITAN, ELLE e MdeMulher.

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