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“Educar é um ato de amor. Tem que começar em casa”

A pedagoga e fundadora da Casa do Zezinho, Dagmar Garroux, vencedora do Prêmio CLAUDIA de 2015, é convidada do Live de CLAUDIA

Por Carolina Scatolino 15 ago 2017, 14h07

Segunda-feira (14) foi dia de Live no Facebook de CLAUDIA e, dando continuidade à série de convidadas vencedoras de edições anteriores do Prêmio, nossa editora de comportamento Liliane Prata recebeu Dagmar Garroux.

Conhecida como “Tia Dag”, a pedagoga foi vencedora do Prêmio CLAUDIA 2015 na categoria Trabalho Social por seu trabalho na Ong Casa do Zezinho, localizada na periferia da zona sul de São Paulo. Ali, moradores dos bairros do Capão Redondo, Jardim Ângela e Parque Santo Antônio recebem aulas de informática, idiomas, música e esportes, entre outras.

No bate-papo, tia Dag falou do nascimento da Ong, dos desafios da educação e da visibilidade que a conquista do Prêmio trouxe ao projeto.

Como nasceu o Zezinho

O trabalho na área social entrou cedo na vida de Tia Dag. Aos 14 anos, já era voluntária em uma favela na zona sul de São Paulo, na região do aeroporto de Congonhas. Formou-se em pedagogia, mas não permanecia mais que três meses em cada escola.

Era a década de 1970 e as ideias progressistas da jovem não agradavam as instituições de ensino da época.

Cansada dos entraves que encontrava nas instituições de ensino, resolveu transformar a casa onde morava em uma casa de educação, em que dava aulas para filhos de exilados políticos e para crianças da comunidade carente.

Chegou a levar crianças e jovens ameaçados por grupos de extermínio para o local a fim de protegê-los. Como a residência ficou pequena para os novos alunos, que não paravam de chegar, ela e o marido Saulo, que acabara de voltar do exílio político, compraram uma casa maior.

A nova aquisição foi totalmente dedicada ao atendimento das crianças e o casal foi morar em uma casa alugada. “Chamei minhas amigas e disse: A gente quer mudar o Brasil, então vamos mudar pela educação”, contou.

Transformando realidades

Nos 23 anos de existência da Casa do Zezinho, o que não faltam são histórias de superação e transformação. Crianças que tiveram suas realidades modificadas e seus futuros reconfigurados sempre foram uma constante na trajetória da Ong.

Tia Dag contou com detalhes a história de uma garota que, aos 10 anos, já se prostituía por 10 reais. Parou depois de ser convidada a conhecer a Ong. Hoje, a moça é dentista.

Educando simples

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Às mães e aos pais preocupados em como educar seus filhos em uma época repleta de manuais, a educadora deu um recado: “Usem os seus sentidos”. E reforçou: “Escute mais, olhe para o seu filho. O corpo fala, dá sinais. Assim, você perceberá quando seu filho estiver com calor, por exemplo”.

Desafios

Por causa da crise, Tia Dag teve que abrir mão de 600 atendidos pela casa no início deste ano, mas está em seus planos tê-los de volta. “Estávamos atendendo até o ano passado 1.500 pessoas. Com a crise, tive que tirar 600 pessoas, entre crianças, adolescentes e idosos”, lamenta.

A Ong é mantida por doações que podem ser feitas no próprio site e pela colaboração de pessoas físicas. Clique aqui para doar.

Herança escravocrata

“Para mim, educar é um ato de amor. Tem que começar em casa”, disse a vencedora do Prêmio CLAUDIA, que fez uma dura crítica ao modelo de trabalho doméstico tão arraigado no país. “O Brasil ainda é muito provinciano, escravocrata.

A empregada vai ser sempre empregada”, afirmou. Ao ouvir frases muito comuns como: “Eu tenho uma empregada há quinze anos!”, Tia Dag disse retrucar com a provocação: “Como você tem uma empregada há quinze anos? Por que você não estimulou esta pessoa a fazer um curso, a abrir uma empresa?

Isso é uma maneira de escravizar, você não está estimulando a educar para abrir novos horizontes”.  

Reconhecimento

Para ela, o  Prêmio deu uma grande visibilidade ao projeto. “Por ter ganhado um Prêmio CLAUDIA, as pessoas te procuram mais, querem saber mais, vem mais parcerias”, disse a educadora.

Assista à conversa completa!

 

 

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