De Madonna à presidente Dilma: biografias para se inspirar

A jornalista Sabrina Abreu selecionou cinco biografias femininas que merecem a sua leitura no Dia da Mulher

Inspire-se na biografia de mulheres incríveis
Foto: Divulgação

Foi depois de ler um livro sobre Madonna que consegui, em minha terceira tentativa, passar no exame e me tornar uma motorista habilitada (se há um documento do qual me orgulho, é de minha Carteira Nacional de Habilitação). Não era um título de autoajuda. Mas “Madonna, uma biografia íntima”, de J. Randy Taraborrelli (Editora Globo), ao contar sobre a obstinação da busca da artista pelo sucesso (na dança, na música, no cinema) e como se deu a transformação da menina Madonna Louise Veronica Ciccone em ícone absoluto da nossa cultura, deixou em mim a sensação de “nós podemos fazer isso” (acho que cada leitora coloca seu próprio “isso” no lugar: gravar um disco, passar num exame, se tornar veterinária. Vai saber!).

Sim, nós podemos. Dirigir, votar, trabalhar (inclusive, 16 horas por dia, embora não seja exatamente uma vantagem). Mas não é por termos esses e outros direitos garantidos, que vamos esquecer aquelas que nos ajudaram a conquistar a parcela de liberdade que temos hoje.

De Madonna à presidente Dilma: biografias para se inspirar

“A Primeira Presidenta”, de Helder Caldeira (Faces). R$9,90*, na IBA

 

Nós podemos amar. Tanto nosso trabalho, quanto nosso(s) parceiro(s), como provou Frida Kahlo — vale ler “Frida Kahlo para além da pintora” (de Marli Bastos, Mauad) e relembrar como ela foi ousada, no estilo vanguardista de se relacionar e de criar.

Nós podemos pensar. “Nos passos de Hannah Arendt”, de Laure Adler (Record), sobre a filósofa alemã que escreveu sobre o mal, o nazismo e a condição humana, lembra como desenvolver um pensamento próprio pode ser difícil e doloroso, mas é absolutamente essencial.

A maioria de nós pode (biologicamente) ter filhos. Mas nem por isso quer ou tem que fazê-lo. A atitude de não desejar ser mãe – que ainda hoje faz muita gente arquear as sobrancelhas em surpresa – foi tomada por Simone de Beauvoir, também filósofa, há mais de 60 anos. “A Cerimônia do Adeus” (Nova Fronteira), memórias que escreveu sobre o relacionamento com Jean-Paul Sartre não deixa dúvidas: foi escolha.

Nós podemos liderar. Olha aí a presidenta Dilma para provar. “A Primeira Presidenta”, de Helder Caldeira (Editora Faces), mostra diferentes faces da mulher que dirige o país. Como tantas de nós, ela já quis ser bailarina, mas que foi a única a chegar ao Palácio do Planalto, até hoje.

“Não somos mais como nossas predecessoras: combatentes”, Beauvoir escreveu no clássico “O Segundo Sexo”, 1949, sobre a busca pela equidade de gêneros. Mas, olhando hoje a prateleira de biografias de qualquer grande livraria, percebemos: ainda há muito a ser combatido. O número de lançamentos sobre mulheres notáveis é bem menor do que o dedicado a homens. E esse é um sinal de como a sociedade privilegia o cromossomo Y. Mas por Madonna, Frida e Hanna podemos tentar algo diferente, ao viver uma vida extraordinária. Quem sabe ela não vira livro?
 

 

 

* Preços pesquisados em março de 2012

* * Sabrina Abreu é jornalista e autora do livro “Meu Israel” (Editora Leitura). No blog, ela divide seus pensamentos e livros prediletos. Confira aqui!