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Como orientar o filho que, mesmo formado, não inicia a carreira logo

Você sente que seu filho, mesmo depois de formado, está longe de ficar independente? Saiba como orientá-lo a procurar um emprego.

Por Gabriela Abreu (colaboradora) - Atualizado em 22 out 2016, 23h45 - Publicado em 4 fev 2015, 08h52

Meu filho, de 23 anos, fez só alguns meses de estágio durante a faculdade e, depois, largou o programa de trainee logo. Hoje, passa o dia em casa inscrevendo-se em processos de seleção. Por que não deslancha?(Pergunta enviada por leitora)

Muitos jovens terminam a faculdade sem que um real interesse pela profissão tenha sido despertado. Ou saem da graduação inseguros quanto ao futuro no mundo do trabalho. “Os pais podem ajudar tendo uma conversa franca e amistosa. É importante saber como o filho se sente e o que espera da carreira após um longo período de estudos. Fazer um planejamento nessa fase inicial é um caminho para direcioná-lo”, orienta Flavio Rezende, sócio da consultoria MSA Recursos Humanos, em Belo Horizonte. Lembre-o de que o curso superior é só um dos passos no processo de aprendizagem profissional. A prática ensina mais um tanto. Nisso, o estágio e depois os programas de trainee contribuem muito, mostrando as particularidades daquele mercado e as possibilidades existentes dentro da mesma carreira. “No início, ele deve trabalhar sem esperar grandes retornos, muito menos encontrar logo o emprego dos sonhos”, avisa Rezende. Até porque não costumam ser delegadas a quem está começando as tarefas mais interessantes. Muito pelo contrário. Mas ele precisa entender que, sem saber fazer o básico, dificilmente chegará à melhor parte.

Se a entrada no mercado não é fácil, fica mais complicada quando o jovem não aproveitou a fase de estudos para ganhar experiência e descobrir suas maiores afinidades e seus talentos reais. Uma boa saída, então, é buscar orientação vocacional e profissional. “Hoje ela não se restringe a quem vai ingressar na faculdade e não sabe qual curso escolher. Inclusive porque, com a complexidade do mercado de trabalho, as pessoas têm dúvidas permanentes”, explica a psicóloga Sandra Loureiro, professora de especialização em orientação profissional da ONG Colmeia, em São Paulo, que atua na área de educação.

Mas observe também se, mesmo inconscientemente, não é você quem estimula seu filho a ficar em casa, sem trabalhar. Ele ganha mesada? Como paga a conta do próprio celular? E os gastos de fim de semana (cinema, baladas…)? Se você fornece tudo sem exigir contrapartida, ele pode não se sentir na obrigação de sair da posição de filho para a de homem responsável. “Os pais devem dar apoio, mas não facilitar tanto. Caso ele tenha um temperamento mais acomodado, precisará sentir a necessidade de trabalhar e ganhar o próprio dinheiro. A família só arcaria com o básico, casa e comida. Especialmente se o rapaz vive nas noitadas, o melhor é cortar o dinheiro e exigir resultados”, afirma a psicóloga Marilda Lipp, autora de O Adolescente e Seus Dilemas: Orientação para Pais e Educadores (Papirus). Enquanto não arruma um emprego na área dele, seu filho pode demonstrar esforço em bicos ou trabalho temporário – em lojas ou restaurantes, por exemplo. 

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