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Como controlar o choro e a irritação do bebê

Seu filho chora demais, dorme mal e se irrita fácil? Decifrar o que ele comunica com esses sinais é seu primeiro desafio para torná-lo um bebê mais seguro e tranquilo

Por Redação M de Mulher Atualizado em 28 out 2016, 06h40 - Publicado em 26 fev 2012, 22h00

Pais sossegados transmitem confiança e tranquilidade aos filhos
Foto: Getty Images

Não é só para avisar que a fralda está suja ou que está com fome que os pequenos põem a boca no mundo. Também quando se sentem irritados, cansados ou entediados, eles expressam a insatisfação abrindo o berreiro. Nessas circunstâncias, o choro é um marcador de vitalidade e saúde. Preocupante seria se, com tantos desconfortos, seu filho ainda permanecesse quietinho, sem mostrar nenhuma reação. Os protestos da criança causam estranheza apenas se revelam um estado de mal-estar contínuo. Se o bebê não está doente e, mesmo recebendo todos os cuidados a que tem direito, não se acalma com nada, é preciso verificar o que provoca esse comportamento, sem esperar que ele vá mudar sozinho com o tempo. “Quando a irritação é permanente, o bebê dorme pouco e se mostra impaciente e nervoso na maior parte dos períodos em que se encontra acordado, é necessário investigar o que deve ser mudado na rotina ou no modo de se relacionar com ele”, afirma o pediatra Roberto Santoro Almeida.

Cumplicidade e aceitação

Como acontece em todos os relacionamentos afetivos, a afinidade entre mãe e filho também precisa ser construída. Ela depende de proximidade e de muita observação. “Só estando presente e acompanhando como o bebê reage a diferentes situações, é possível entender o padrão de comportamento dele, as coisas que o acalmam e o que motiva suas reações mais nervosas. Talvez o temperamento e o ritmo dele não coincidam com o da casa e o da família. Então, é normal que, nesse encontro, tanto os pais quanto a criança precisem de um tempo para se adaptar e descobrir um denominador comum”, avisa a psicanalista Silvana Rabello.
Um olhar atento e a própria intuição são os melhores aliados maternos na construção dessa cumplicidade. “Os pais de primeira viagem costumam ser bombardeados com inúmeras receitas prontas e palpites sobre a melhor maneira de criar o filho. No entanto, o mais importante é confiar nas próprias percepções, entendendo que aquele bebê é um ser único e que as choradeiras e mostras de irritação são a forma de que ele dispõe para comunicar que algo não vai bem”, explica a psicóloga infantil Ana Cristina Marzolla.

Equilíbrio delicado

Acredite: para acalmar sua criança, é essencial que você também esteja com as emoções em dia. E isso fica mais fácil quando encontra para si mesma um tempo que possa dedicar ao lazer ou a alguma atividade relaxante. A mãe que conta com uma boa rede de apoio, formada por pessoas dispostas a ajudá-la e a orientá-la sobre os cuidados com o pequeno, também tende a se mostrar mais calma. Um pediatra e um ginecologista podem minimizar dúvidas em relação à saúde, e os familiares, a babá ou mesmo uma empregada experiente aliviam a sobrecarga de tarefas. Se a mãe se sente segura e tranquila, naturalmente transmite seu bem-estar ao filho. “As crianças são facilmente influenciáveis pelas emoções dos adultos e oscilam de humor de acordo com elas. É um círculo: pais sossegados transmitem confiança e tranquilidade aos filhos, enquanto aqueles mais tensos e inseguros deixam as crianças irritadas e suscetíveis”, explica Ana Cristina. Também a qualidade do relacionamento com as outras pessoas da casa faz diferença. Qualquer briga ou discussão, mesmo que não atinja diretamente a criança, pode influenciar o comportamento dela. “Os desentendimentos fazem parte da vida, mas, quando se tornam constantes, afetam o bebê”, completa a psicóloga.

Limites que fazem bem

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Passados os primeiros três meses, estabelecer horários para dormir, acordar, se alimentar e brincar ajuda a acalmar a fera. “Crianças pequenas não têm noção de tempo e dependem desses eventos, repetidos dia após dia, para se organizar. A rotina dá segurança e diminui a ansiedade do bebê porque ele consegue prever mais ou menos o que vai acontecer dali a pouco”, explica Almeida. É claro que, mesmo partindo de um cronograma preestabelecido, tem que haver flexibilidade, desde que as concessões sejam feitas com bom senso.

Estímulos na medida

Alguns bebês respondem com extrema irritação a ambientes barulhentos, agitados ou iluminados demais. Outros podem ficar entediados em uma casa sempre quieta e tranquila, pois sentem falta de uma gama maior de estímulos. E todos choram. Cabe aos pais identificar o que gera o nervosismo do filho, adequando a oferta de estímulos à natureza dele. Desse modo, garantem o incentivo de que a criança necessita para realizar descobertas sensoriais essenciais ao seu desenvolvimento. Mas mesmo os mais agitadinhos precisam desacelerar ao entardecer para ter um bom sono à noite. “O melhor jeito de dosar os estímulos é observar as reações do bebê. Se ele começa a chorar ou se mostra nervoso, é sinal de que cansou daquela brincadeira”, ensina Almeida.

Segurança garantida

Para o recém-nascido, nada é mais tranquilizador do que perceber que basta chorar para receber a atenção dos pais. Não precisa correr esbaforida em direção ao berço diante do mínimo resmungo nem pegar o filho no colo a todo momento. Mas é necessário estar por perto e falar com ele para restabelecer a calma. Segundo os especialistas, o medo de deixar a criança mimada não se justifica durante os primeiros meses. “O bebê não possui ainda um desenvolvimento psíquico tão refinado que lhe permita tentar qualquer tipo de manipulação. Se ele chora, necessariamente está manifestando um desconforto físico ou emocional”, garante a psicóloga Ana Beatriz Fernandes Lopes, especialista em clínica interdisciplinar com bebês, de São Paulo.

Pausa para o descanso

Respeitar a necessidade de sono e descanso do bebê é essencial para que a criança se mostre bem-disposta. “A qualidade do sono contribui para o desenvolvimento saudável. Então, em nome do bem-estar do filho, os pais terão que restringir as saídas com o recém-nascido, evitando passeios longos e locais agitados, com som ambiente e luzes fortes”, adverte Almeida. Se o pequeno relaxa e descansa pelo tempo necessário, também responderá com atitudes mais positivas quando estiver acordado. Exatamente como acontece com os adultos.

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