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Estes tweets mostram algumas diferenças entre cantada e assédio

A linha entre os dois comportamentos pode parecer tênue. Mas basta entender que o que diferencia um do outro gira em torno de respeito e consentimento.

Por Ketlyn Araujo Atualizado em 17 jan 2020, 10h08 - Publicado em 16 jan 2018, 15h38

Em 2015 a campanha #primeiroassédio, do projeto feminista Think Olga, reuniu mais de 82 mil reações – entre posts e compartilhamentos – no Twitter, ao juntar relatos públicos de mulheres de diferentes idades e classes sociais, que contaram sobre as primeiras vezes em que foram assediadas ou sentiram seus corpos invadidos sem permissão. Muitas dessas mulheres, inclusive, só perceberam que o que tinham vivenciado era mesmo assédio, depois de passado muito tempo.

Ilustração para a campanha "Chega de Fiu Fiu", do projeto feminista Think Olga
Ilustração feita por Gabriela Shigihara para a campanha “Chega de Fiu Fiu”, da Think Olga, contra o assédio em espaços públicos Gabriela Shigihara/Think Olga/Divulgação

Hoje, três anos depois que a hashtag apareceu pela primeira vez na internet, o debate sobre assédio voltou à tona, muito por conta das denúncias de abuso que explodiram em Hollywood nos últimos tempos.

Se antes nomes como o do produtor Harvey Weinstein, e dos atores Kevin Spacey, Ed Westwick e James Franco – só para começar uma lista que parece não ter fim – ficavam impunes, tudo indica que agora essa realidade vem mudando cada vez mais.

Por exemplo, na cerimônia do Globo de Ouro deste ano, a primeira a inaugurar o calendário de premiações de 2018, quase todas as atrizes presentes vestiram preto como forma de protesto e apoio às denúncias recentes. Mesmo que o ato pareça pequeno diante da situação, ele é mais uma forma de alertar mulheres do mundo todo sobre o problema.

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What a night! Thanks to everyone who attended and helped put on last night’s show! And we’ll be here throughout the next few days with more #GoldenGlobes photos and videos you might have missed. #Globes75

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Mas ainda há quem confunda assédio com flerte. Quem não entenda a diferença entre elogio, paquera e as chamadas “cantadas”. É bom sinalizar aqui que as cantadas das quais estamos falando (entre aspas) não têm a ver com aquelas que costumamos receber em espaços públicos – que são, sim, um tipo de assédio extremamente invasivo. Para entender melhor sobre elas, vale a pena explorar a página da campanha “Chega de Fiu Fiu“, também da Olga.

Ilustração "Meu corpo não é público", da Nath Araújo
Nath Araújo/Instagram.com/nanaths/Reprodução

Primeiro que, para decidir se um comportamento configura cantada ou assédio, é importante ter em mente o conceito de consentimento, que nada mais é do que a permissão da mulher para que aquelas ações possam ou não acontecer. É a velha história de saber respeitar o espaço e as vontades do outro, de saber ouvir um “não” – inclusive quando a pessoa muda de ideia.

Se tudo ainda parece um pouco confuso para você, reunimos a seguir alguns tweets sobre a tag #cantadaXassédio, um dos assuntos mais falados do Twitter nessa terça-feira (16/01), que podem te ajudar a entender e refletir sobre algumas das diferenças mais simples entre os dois comportamentos.

Lembrando que quem define se aquilo foi cantada ou assédio – independente de roupa, local, horário ou circunstância – SEMPRE é a vítima.

Não é não:

Flertar e invadir o espaço de alguém são coisas bem diferentes:

E aquele “bom dia” que você nunca quis ouvir? 

https://twitter.com/eugabyzera/status/953237194168328194

Que fique claro: assédio não tem nada a ver com classe social, viu?

O próximo passo é desenhar pra ver se as pessoas entendem

https://twitter.com/emmanuellekls/status/953284202367201286

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