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Brasil vive ‘epidemia de violência doméstica’, aponta Human Rights Watch

A polícia registrou 1.133 assassinatos como feminicídios, mas, para entidade, número está subnotificado

Por Da Redação - Atualizado em 18 jan 2019, 13h14 - Publicado em 18 jan 2019, 13h09

O Brasil enfrenta uma epidemia de violência doméstica, afirma a ONG Human Rights Watch. Nesta quinta-feira (17), foram divulgados os resultados de um relatório anual sobre problemas relacionados aos direitos humanos em 90 países.

O estudo destaca o problema da violência generalizada contra as mulheres no Brasil. Ele indica que a polícia não investiga devidamente milhares de casos de agressões, o que faz com que muitos dos responsáveis não sejam processados. No fim de 2017, mais de 1,2 milhão de casos do tipo estavam pendentes nos tribunais brasileiros.

O diretor para a divisão das Américas da Human Rights Watch, José Miguel Vivanco, afirmou que há uma “epidemia de violência contra a mulher”. Segundo ele, a Lei Maria da Penha, de 2006, é uma das melhores do mundo para combater esse tipo de violência, mas a estrutura precária não consegue fazer com que ela seja aplicada como deveria. “Lamentavelmente, podemos dizer que no Brasil há uma epidemia de violência doméstica, que não é suficientemente abordada, protegida, atendida pela parte do Estado”, afirmou Vivanco ao “Bom Dia Brasil”.

O relatório cita dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública que indicam 4.539 mortes de mulheres em 2017. A polícia registrou 1.133 como feminicídios (casos em que a morte da mulher foi motivada pelo gênero), e a ONG aponta que o número de feminicídios está provavelmente subnotificado. O número de casas que oferecem acolhimento para as mulheres vítimas de violência caiu de 97 para 74, o que ajuda a agravar o problema.

Em 2017, ano a que se refere o relatório divulgado, o número de homicídios bateu recorde no país: 64 mil. Porém, apenas 12 mil foram denunciados pelo Ministério Público. Entre as vítimas de homicídios não esclarecidos, o relatório cita a vereadora Marielle Franco e o seu motorista, Anderson Gomes, que foram mortos em março de 2018.

 

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