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A mulher que está revolucionando a medicina

De dentro de um laboratório, a portuguesa Maria Pereira pode resolver um dos mais antigos problemas da medicina. E ela só tem 30 anos!

Por Ludmila Vilar (colunista) Atualizado em 21 jan 2020, 18h17 - Publicado em 2 out 2015, 16h25

Entre as dezenas de newsletters que assino e causam congestionamento diário na minha caixa de mensagens – além de peso na minha consciência por não conseguir ler todas como gostaria, uma “brilhava” entre todas as outras. “Essa mulher vai revolucionar a medicina“, dizia o título do email da revista TIME. Quem? Maria Nunes Pereira, uma portuguesa que completou 30 anos em 2015 e está no time da Gecko Biomédica, startup sediada em Paris.

Em janeiro, Maria já havia sido citada pela revista Forbes na lista 30 under 30, onde são destacadas as pessoas que sequer completaram a terceira década de vida e já estão mudando o mundo por meio do trabalho desenvolvido em suas respectivas áreas.

A portuguesa apareceu na categoria Lifesavers (Salvadores de Vidas, na tradução livre para o português) junto com outros dois nomes: a americana Jessie Becker, 25, co-fundadora da startup InPress, que está desenvolvendo um dispositivo para conter hemorragia pós-parto (uma das principais causas de morte materna), e o também americano Pelu Tran, 26, cuja startup está trabalhando para otimizar o processo de criação de gráficos medicinais.

O projeto que está dando destaque a Maria nas principais publicações do mundo pretende dar solução a um problema enfrentado por médicos desde o Egito Antigo: como selar e costurar feridas e aberturas no corpo humano sem ocasionar outros problemas, como infecções.

Embora tenhamos técnicas mais modernas do que nossos ancestrais – que utilizavam materiais como a seda para dar pontos – esse ainda é um dos problemas mais antigos da medicina, no qual ainda não avançamos tanto assim. Maria está desenvolvendo uma espécie de cola que deve se adaptar às entranhas da pele de tal forma que, mesmo depois dos anos, não será preciso novas intervenções.

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=zl_bt3u7FB4%5D

A matéria da Time cita, por exemplo, o processo pós-operatório do coração de bebês. Um em cada 100 crianças nasce com um defeito cardíaco congênito, problema que já é principal causa de morte infantil nos Estados Unidos.

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Mesmo quando a operação é bem-sucedida, a chance de que novos problemas cardíacos apareçam ao longo da vida é muito alta. Isso porque o coração cresce e são necessárias intervenções para manter a cicatriz fechada.

Além disso, como Maria descreve à publicação, o coração é um “furacão de sangue” ao bombeá-lo 60 vezes em um minuto. Esse intenso movimento também impacta na sutura com o decorrer dos anos. A cola que ela está criando adere ao corpo quando o cirurgião acende uma luz sobre ela, o que garante ainda muito mais controle durante a operação. Mais do que isso, o material é capaz de ter um efeito elástico, algo fundamental para garantir a eficácia quando se trata, principalmente, de um órgão que “pula” a cada segundo da vida.

As startups são empresas que criam produtos e serviços ligados à tecnologia e que dependem de ciclos rápidos de investimentos, as chamadas “rodadas”, para continuarem existindo. Reparem que nenhum dos nomes citados na lista da Forbes na categoria Lifesavers trabalha dentro de uma gigante da área da saúde (ainda que algumas corporações sejam investidoras de startups) ou em órgãos do governo. Isso só reforça o quanto o empreendedorismo e a inovação estão para o século 21 como a estabilidade da carteira assinada esteve um dia para nossos pais e avós.

De acordo com uma pesquisa divulgada recentemente pela Global Startup Ecosystem, São Paulo é a 12ª melhor cidade do mundo (numa lista de 20) para quem quer criar uma startup. Ainda temos um longo caminho até ingressar no time das cinco melhores (Vale do Silício, Nova York, Los Angeles, Boston e Telaviv), mas a informação indica que estamos construindo nossa base.

A capital paulista já sedia, por exemplo, eventos interessantes como o Startup Weekend Women, que acontece esse fim de semana – e que ganhou esse nome por ter 75% do seu público e palestrantes formado por mulheres. Iniciativas assim são importantes pois, como em outros mercados predominantemente masculinos, ainda nos deparamos com situações machistas.

Esta semana assisti a uma rápida entrevista com Diana Assenatto, co-fundadora da Arco, que encerrou as atividades recentemente mesmo após ter sido escolhida a melhor startup de 2013 pela Info Exame.

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=DGKb_1MVI7I%5D

No vídeo, ela conta como se surpreendeu – e como aprendeu a lidar – com o machismo explícito no mundo da tecnologia. Depoimento honesto, inspirador e fundamental para que São Paulo (e o Brasil) apareça cada vez mais bem colocada no ranking da Global Startup. Mais do que isso, para que sejamos um celeiro para as futuras “Marias” e “Jesses” que mudarão o mundo.

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